terça-feira, 30 de maio de 2017

Feminismo liberal e feminismo radical.

Feminismo radical e feminismo liberal são denominações dos nossos tempos. Não são teorias feministas novas, mas vc não vai encontrar a Beauvoir falando "eu sou feminista radical" ou a Butler dizendo "sou feminista liberal", por exemplo. Nós feministas radicais, falo dessa perspectiva pq é a vertente com a qual me sinto mais aliada politicamente, entendemos que feminismo radical é a teoria feminista que trata da raiz da opressão da mulher, ou seja: o patriarcado. É por isso também que nos chamam de transfóbicas (o que não é verdade, inclusive), pois acreditamos que a libertação da classe feminina só ocorrerá com a abolição de gênero, por consequência isso beneficia tbm as demais pessoas que não se identificam com o (estereótipo de) gênero ao qual seu órgão genital é associado. O feminismo radical é materialista e acreditamos que a opressão sofrida por nós mulheres se deve ao fato de termos sistema reprodutor feminino, pois é a partir deste que o patriarcado nos reduz à condição de sub-humanidade. É também pelo nosso potencial reprodutivo que somos mais exploradas (maternidade compulsória, criar e educar de graça os futuros trabalhadores, serviço doméstico, etc).
Para saber mais sobre feminismo radical:
O Segundo Sexo da Simone de Beauvoir. Volumes I e II.
Opressão da Marilyn Frye.
A dialética do sexo da Shulamith Firestone.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Educação Emocional

Estou lendo o livro Educação Emocional da Escola: a emoção na sala de aula, e compartilho com vocês um pequeno resumo do que já li.

O que é emoção?
Emoção é uma reação do organismo.
"Toda emoção é uma reação do organismo, com três tipos de respostas: uma mental (de agitação ou depressão), uma resposta interna do organismo (no caso da raiva, disparam o coração e a respiração) e uma resposta comportamental (de aproximação ou de afastamento, no caso da raiva)."
Com as minhas palavras:
A emoção é uma reação do nosso corpo. Ela se manifesta em três vias: mental (inquietação ou melancolia), orgânica (coração ou respiração acelerados, mãos suadas, “frio na barriga”) e atitudinal (aproximação ou retirada).


Componentes de uma emoção.
Para compreender uma determinada emoção deve-se levar em conta a situação em que ela acontece, a experiência mental, a reação corporal e a reação da pessoa causadora da emoção. Conhecer as circunstâncias em que a emoção ocorre, permite a pessoa estar preparada e ter controle sobre a emoção quando a situação acontecer.


Emoções principais.
“Consideram-se cinco emoções básicas: raiva, medo, tristeza, alegria/prazer, afeto/amor. Elas podem se apresentar de forma mais branda ou mais intensa. A raiva, por exemplo, tem uma forma extrema na fúria e outra mais suave na irritação e na ironia. Outras formas de raiva são o ódio, a revolta, o ressentimento, a indignação, o aborrecimento, a vingança, a violência, o mau humor, a rivalidade, a animosidade, a hostilidade.”
O medo extremo é o terror e medo ‘ameno’ é a preocupação. “Outras formas de medo são a ansiedade, angústia, timidez, apreensão, nervosismo, cautela, inquietação, etc.”
A tristeza extrema é a depressão severa. Formas mais brandas de tristeza: sofrimento, mágoa, pesar, tédio, desalento, solidão, nostalgia, amargura, desânimo, desalento, melancolia, etc.


Mente emocional e mente racional.
Emoção é sinônimo de ação. Nossa mente racional é avaliativa e reflexiva, enquanto a emocional é instintiva e impulsiva. A amígdala do cérebro é responsável pelas emoções. A função da educação emocional é propiciar o conhecimento e controle das emoções.


Controle das emoções positivas e negativas.
As emoções agradáveis se manifestam no comportamento de aproximação e as desagradáveis na atitude de afastamento. “A atenção e o interesse reforçam a emoção”. Para não se descontrolar diante de uma situação desagradável, é preciso desviar a atenção dela. Isso é chamado de técnica de substituição. Relembrar cenas agradáveis ou agir como se estivesse alegre, no caso de uma emoção desagradável. “O segredo é não se entregar. É possível o controle de suas emoções e isto depende de um esforço seu para conseguí-lo.”


Porque e para que Educação Emocional.
"A Inteligência Emocional envolve a capacidade de perceber acuradamente, de avaliar e de expressar emoções; a capacidade de perceber e/ou gerar sentimentos quando eles facilitam o pensamento; a capacidade de compreender a emoção e o conhecimento emocional; e a capacidade de controlar emoções para promover o crescimento emocional e intelectual". (Salovey)


“A introspecção é um instrumento metodológico de excelência para a educação emocional. Consiste em dirigir nossa capacidade de observação para o mundo dos fatos psicológicos que podemos ter percepção consciente e identificar os pensamentos, emoções e sentimentos, procurando percebê-los com a maior nitidez possível. Caracterizar a imaginação, reconhecer os instintos (pulsões), impulsos e desejos que irrompem do inconsciente, além dos juízos de valor (avaliações) que fazemos das coisas.” (p.53)


“A educação emocional implica em desenvolver no educando o autoconhecimento, a autoconsciência, a nível psicológico e somático. Em desenvolver a capacidade de identificar e reconhecer suas emoções e sentimentos, avaliando suas intensidades, e as expressões corporais correspondentes, no momento em que ocorrem. A controlar suas expressões emocionais, a aprender a monitorar seus impulsos e a adiar suas satisfações. Implica no desenvolvimento da empatia, capacidade de reconhecer corretamente as emoções do outro.”


“A Educação Emocional consiste em utilizar-se a energia psíquica disponível do pensamento, atenção e vontade, para a identificação e avaliação das emoções, bem como da atuação da pessoa no sentido de interferir no curso natural da parte consciente do processo emocional.”


Fundamentos e Aspectos Históricos da Educação Emocional.
Gottman, em Inteligência Emocional, a Arte de Educar Nossos Filhos, 1997, estabelece com base em suas pesquisas e observações, alguns elementos básicos para a educação emocional. Postula ele cinco passos seqüenciados:
• Perceber a emoção na criança.
• Reconhecer na emoção uma oportunidade de intimidade ou aprendizado com o educando e de transmissão de experiência.
• Escutar com empatia, legitimando os sentimentos da criança.
• Ajudar a criança a encontrar palavras para identificar a emoção que ela está sentindo.
• Impor limites, e, ao mesmo tempo, ajudar a criança a resolver seus problemas.


SÍNTESE DO CAPÍTULO:
É importante que a criança seja habituada desde cedo a expressar suas emoções e a lidar com elas, devendo para isto receber apoio e ajuda dos pais.
• Nas conversas com os brinquedos, a criança costuma projetar suas ideias, desejos, frustrações e medos, e a análise delas pode ser útil para a descoberta de sentimentos recalcados.
• Deve ser permitida a livre expressão das emoções na criança, e deve-se identificar e compreender seus sentimentos. O respeito mútuo deve ser mantido em qualquer situação. Quando houver atritos envolvendo comportamentos emocionais, o pai ou mãe deve controlar-se, não devendo utilizar escárnio, desprezo, ironia ou comentários que desmereçam a criança.
• Devem ser abolidas humilhações e injustiças e jamais se deve bater nas crianças ou insultá-las, pois tais comportamentos gerarão sequelas psicológicas de consequências imprevisíveis, com traumas que marcarão suas vidas.
• Qualquer forma de agressão e de violência contra o educando, seja física ou psicológica perpetuará a violência social. Não praticar a violência é uma forma de fazer Educação para a Paz, um dos componentes da educação holística.
• A empatia é a capacidade de colocar-se no lugar de outro, como se fosse ele. É a capacidade de sentir o que o outro sente. É importante nas estratégias de educação emocional prestar atenção aos gestos, ao tom de voz e à expressão corporal da criança e do adolescente.
• Um dos princípios da educação emocional é valorizar os sentimentos e as emoções do educando, e permitir que os expressem livremente, sem reprimi-los. Deve entretanto ser mostrado, com clareza, os limites deste extravasamento, que são os  comportamentos socialmente toleráveis.
• Há duas formas de disciplina, a individual e a social. A individual, interna, relaciona-se com o respeito às normas que a pessoa estabelece para si mesma. É a auto-disciplina, traço de personalidade comum aos homens bem sucedidos. Deve ser estimulada e cultivada na escola, pois é um fator de sucesso pessoal e social. Na disciplina social, externa, as normas são estabelecidas pela sociedade, e é muito importante para a formação do cidadão.
• A punição advinda da própria classe a que o aluno pertence é mais efetiva e dá melhores resultados preventivos do que a punição aplicada pela administração da escola.

• Não adianta o educador emocional pregar determinado comportamento em determinada situação e agir de forma diferente: não adianta pregar o controle da raiva e descontrolar-se na primeira situação que o enraiveça.
[...]


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Sobre padrões de comportamento.

Na TCC (terapia cognitivo-comportamental) da psicoterapia a gente trabalha com identificação, análise e reestruturação de padrões de pensamento e comportamento. É uma parada muito louca porque a pessoa tem que prestar atenção aos tipos de pensamentos que tem, especialmente àqueles ligados à emoções negativas. Observar as circunstâncias em que emoções e pensamentos negativos ocorrem e qual é o comportamento adotado. Depois a gente analisa isso e vê o que quer mudar e como mudar. O interessante é que eu tenho me surpreendido com os tipos de emoções que tenho e sentido certa vergonha de vários pensamentos. Mas é um processo muito bacana, investigativo, científico, um pouco doloroso/vergonhoso, porém lindo. E sempre que eu fico indignada com umas merdas que faço/penso/sinto, minha psicóloga diz: um padrão é uma estrada pavimentada, nós estamos descobrindo o que mais existe nos arredores e abrindo uma picada a facão. É preciso tempo e paciência pra transformar uma picada em estrada.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Que retrospectiva maravilhosa!

Eu tô é muito admirada que já é dezembro de novo e eu ainda tô na mesma bosta chamada depressão. Eu parei com os remédios há cerca de uns oito meses, mas faço sessão de psicanálise toda semana.
Estava olhando minhas postagens antigas e há um ano atrás eu me sentia exatamente como agora: querendo morrer, achando tudo uma bosta gigante. Me achando uma bosta gigante. Tive uns picos de felicidade, mas mesmo nesses momentos eu ria nervoso, pq sabia que a depressão tava ali na esquina escura me esperando e chegar ali era o único caminho.
Eu tentei, juro que tentei. Fiz terapia, que é um saco, mas fiz e continuo fazendo. Mudei umas coisas na minha vida que eu achei que tavam me fazendo mal. E agora termino o ano me sentindo pior que comecei. Odiei que essa emoção de final de ano de relembrar o decorrer dele bateu em mim. Pq francamente, foi bosta.

Eu não espero nada da vida, até pq sei bem que eu sou responsável pela minha, exceto pelas coisas que não tenho controle. Sei que sou uma pessoa privilegiada em alguns aspectos e isso tudo só faz eu me sentir mais bosta ainda pq eu nem tenho pq estar assim.
Odeio muita essa pessoa que me tornei. Uma pessoa depressiva, passiva, quase invisível. Sinto saudade da pessoa divertida e legal que eu costumava ser e que hoje em dia só consigo ser qdo estou bêbada ou fingindo. E eu devo finjo bem pq a maioria das pessoas que convivem comigo, não sabem que tenho depressão.
Vejo minha juventude passando e estou cada vez mais centrada na minha dor e o pior de tudo é que eu nem considero essa dor legítima. Viver é uma droga.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Uma brevíssima leitura das eleições.

O fato de a quantidade de votos nulos ter sido maior que a quantidade de votos que o candidato mais votado recebeu em tantas cidades do país mostra um povo descontente com o sistema político vigente. O povo que já não aguentava mais as mentiras dos tucanos, se desapontou também com os engôdos petistas.
Sabemos que isso não significa (necessariamente) uma completa rejeição ao Estado e a proximidade de uma revolução, mas é bom saber que esse povo não é assim tão manipulável, que há sim insatisfação e criticidade. Nos resta agora estudar, compartilhar conhecimentos e lutar por um tipo de organização social que não discrimine e não marginalize... onde todos possam ter uma vida plena.

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