terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Minhas leituras de 2017.

Em 2017 voltei a ler livros de temas variados pois durante muito tempo li basicamente apenas sobre temas do universo escolar. Não que eu tenha expandido tanto assim minhas leituras, mas redescobri o prazer de ler ficção. Compartilho com vocês as leituras que mais gostei.
=D

Besame mucho: como criar seus filhos com amor. 
Carlos Gonzalez.

Se pudesse escolher, como você gostaria de ser criado/educado?
Gonzalez, pediatra espanhol e pai, nos proporciona uma excelente reflexão sobre a forma como tratamos as crianças. Ele fala sobre limites, autoridade dos pais, autoritarismo, palmadas e também aborda alguns mitos que nutrimos sobre as crianças, tais como "crianças são manipuladoras". Em linguagem acessível e com exemplos diversificados, o livro nos proporciona uma boa análise sobre como as crianças merecem ser tratadas. E caso haja alguma dúvida, elas merecem ser tratadas com respeito e amor, assim como todos nós queremos ser tratados.
Excelente leitura para todos que convivem com crianças.
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O segundo sexo volume I: mitos e fatos. 
Simone de Beauvoir.
O que é ser mulher?
Nesse livro, Beauvoir faz um apanhado de toda a história das mulheres, desde as épocas mais remotas até as mais recentes (o livro foi escrito em 1949), retratando como viviam e como eram tratadas as mulheres nas mais diferentes sociedades. Ela também explica, e essa parte é um tanto exaustiva, como vivem as fêmeas de outras espécies. Psicanálise e mitos em torno da figura feminina também são amplamente relatados e comentados.
O Segundo Sexo é uma excelente obra, mas nem por isso é menos pesado ou triste e eu gosto muito da forma como a Beavoir começa a falar do assunto: "hesitei por muito tempo em escrever um livro sobre a mulher. O tema é irritante principalmente para as mulheres. E não é novo." E eu só posso concordar pois gostaria que pudéssemos tratar de outros assuntos, no entanto não temos como fugir da nossa realidade material.
É difícil saber ao certo como eram as sociedades anteriores à agricultura, Beauvoir nos fala, pois mesmo as mulheres que guerreavam e enfrentavam o mundo hostil, estavam sujeitas as servidões da reprodução (menstruação, gravidez e parto). Com o surgimento da agricultura as coisas começam a se complicar porque surge também a propriedade privada e aí a herança não passa mais de mãe para filha e sim de pai para filho, pois a mulher é vista também como propriedade. Depois disso a história da mulher é basicamente a mesma: ou é puta (Eva) ou é santa (Maria); ou é objeto de prazer e repúdio ou é objeto de adoração e instrumento de Deus. Nunca é sujeito, nunca é dona de si e de suas vontades. Existe para servir a Deus e aos homens.
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O Demônio do Meio-dia: uma anatomia da depressão.
Andrew Solomon.
Conhecendo a depressão.
Esse livro extenso, escrito por uma pessoa que convive com a depressão há bastante tempo, nos traz uma visão detalhista dos sintomas enfrentados; de vários antidepressivos e suas eficácias ou reações adversas; dos diferentes tipos de terapia, desde as psicoterapias até as terapias alternativas, etc. É realmente uma anatomia da depressão totalmente esquadrinhada e exposta em linguagem acessível a leigos e profissionais da área.
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Basta pensar diferente: como a ciência pode ajudar você a ver o mundo com novos olhos.
Sarah Edelman.
Usando a psicologia para melhorar a vida.
Esse livro apresenta a Terapia Cognitivo-comportamental, uma psicoterapia que tem como foco reconhecer padrões de pensamento e comportamento não-saudáveis e encontrar alternativas para mudá-los e viver de forma mais satisfatória. A autora aborda o tema utilizando uma linguagem simples e fácil de entender. Também propõe exercícios para percepção, análise e mudança de padrões cognitivos e comportamentais. Apesar do título sensacionalista, a Terapia Cognitivo-Comportamental possui comprovação científica da eficácia no tratamento de transtornos psicológicos, especialmente da depressão. O livro foi escrito por uma psicoterapeuta da área, porém, obviamente, a leitura não substitui o acompanhamento pessoal de um profissional habilitado.
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Morangos Mofados.

Caio Fernando Abreu.
Contos viscerais.
Comecei a ler esse livro porque queria desfazer meu preconceito com o autor, pré-conceito esse formado por frases da internet supostamente atribuídas a ele. Morangos Mofados reúne alguns contos intensos, com uma riqueza de detalhes que faz o leitor se sentir presenciando os acontecimentos narrados. Caio Fernando de Abreu escreve com a maestria que só possui quem é muito íntimo das letras e das emoções humanas.
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A Mão Esquerda da Escuridão.

Ursula K. Le Guin.
Ganhei esse livro incrível no meu aniversário de 30 anos e adorei. Ursula K. Le Guin nos apresenta uma sociedade onde não existe gênero, ou melhor, todos são masculinos e femininos, alternando conforme determinadas situações acontecem. 
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A Metamorfose.

Franz Kafka.
Uma história fascinantemente detalhista sobre a condição humana e suas transformações.
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A menina amarrotada.

Aline Abreu.
Um livro que trata o luto de forma respeitosa e sensível. As ilustrações são ótimas e contribuem bastante para enfatizar a mensagem do livro.
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O Livro do Cemitério.

Neil Gaiman 

Esse livro é uma literatura infanto-juvenil maravilhosa com um enredo envolvente e divertido. O livro do cemitério me fez retomar o gosto por ficção.

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Menina iluminada.

Neil Gaiman.
Com ilustrações incríveis e texto simples e envolvente, Menina Iluminada é uma história incrível que nos mostra a sensibilidade única de Neil Gaiman quando escreve para crianças.
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Os Lobos Dentro das Paredes.

Neil Gaiman.
Esta é minha literatura infantil preferida. Neil Gaiman nos envolve em um enredo inteligente e divertido, que nos permite vivenciar as tensões da história, mas a uma distância que podemos rir do desenrolar dos acontecimentos.
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A Bela e a Adormecida.
Neil Gaiman, Chris Riddell. 
As personagens são de um clássico, mas a história é totalmente nova e incrível. As ilustrações são belíssimas obras de arte que enriquecem ainda mais a narrativa.









terça-feira, 30 de maio de 2017

Feminismo liberal e feminismo radical.

Feminismo radical e feminismo liberal são denominações dos nossos tempos. Não são teorias feministas novas, mas vc não vai encontrar a Beauvoir falando "eu sou feminista radical" ou a Butler dizendo "sou feminista liberal", por exemplo. Nós feministas radicais, falo dessa perspectiva pq é a vertente com a qual me sinto mais aliada politicamente, entendemos que feminismo radical é a teoria feminista que trata da raiz da opressão da mulher, ou seja: o patriarcado. É por isso também que nos chamam de transfóbicas (o que não é verdade, inclusive), pois acreditamos que a libertação da classe feminina só ocorrerá com a abolição de gênero, por consequência isso beneficia tbm as demais pessoas que não se identificam com o (estereótipo de) gênero ao qual seu órgão genital é associado. O feminismo radical é materialista e acreditamos que a opressão sofrida por nós mulheres se deve ao fato de termos sistema reprodutor feminino, pois é a partir deste que o patriarcado nos reduz à condição de sub-humanidade. É também pelo nosso potencial reprodutivo que somos mais exploradas (maternidade compulsória, criar e educar de graça os futuros trabalhadores, serviço doméstico, etc).
Para saber mais sobre feminismo radical:
O Segundo Sexo da Simone de Beauvoir. Volumes I e II.
Opressão da Marilyn Frye.
A dialética do sexo da Shulamith Firestone.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Educação Emocional

Estou lendo o livro Educação Emocional da Escola: a emoção na sala de aula, e compartilho com vocês um pequeno resumo do que já li.

O que é emoção?
Emoção é uma reação do organismo.
"Toda emoção é uma reação do organismo, com três tipos de respostas: uma mental (de agitação ou depressão), uma resposta interna do organismo (no caso da raiva, disparam o coração e a respiração) e uma resposta comportamental (de aproximação ou de afastamento, no caso da raiva)."
Com as minhas palavras:
A emoção é uma reação do nosso corpo. Ela se manifesta em três vias: mental (inquietação ou melancolia), orgânica (coração ou respiração acelerados, mãos suadas, “frio na barriga”) e atitudinal (aproximação ou retirada).


Componentes de uma emoção.
Para compreender uma determinada emoção deve-se levar em conta a situação em que ela acontece, a experiência mental, a reação corporal e a reação da pessoa causadora da emoção. Conhecer as circunstâncias em que a emoção ocorre, permite a pessoa estar preparada e ter controle sobre a emoção quando a situação acontecer.


Emoções principais.
“Consideram-se cinco emoções básicas: raiva, medo, tristeza, alegria/prazer, afeto/amor. Elas podem se apresentar de forma mais branda ou mais intensa. A raiva, por exemplo, tem uma forma extrema na fúria e outra mais suave na irritação e na ironia. Outras formas de raiva são o ódio, a revolta, o ressentimento, a indignação, o aborrecimento, a vingança, a violência, o mau humor, a rivalidade, a animosidade, a hostilidade.”
O medo extremo é o terror e medo ‘ameno’ é a preocupação. “Outras formas de medo são a ansiedade, angústia, timidez, apreensão, nervosismo, cautela, inquietação, etc.”
A tristeza extrema é a depressão severa. Formas mais brandas de tristeza: sofrimento, mágoa, pesar, tédio, desalento, solidão, nostalgia, amargura, desânimo, desalento, melancolia, etc.


Mente emocional e mente racional.
Emoção é sinônimo de ação. Nossa mente racional é avaliativa e reflexiva, enquanto a emocional é instintiva e impulsiva. A amígdala do cérebro é responsável pelas emoções. A função da educação emocional é propiciar o conhecimento e controle das emoções.


Controle das emoções positivas e negativas.
As emoções agradáveis se manifestam no comportamento de aproximação e as desagradáveis na atitude de afastamento. “A atenção e o interesse reforçam a emoção”. Para não se descontrolar diante de uma situação desagradável, é preciso desviar a atenção dela. Isso é chamado de técnica de substituição. Relembrar cenas agradáveis ou agir como se estivesse alegre, no caso de uma emoção desagradável. “O segredo é não se entregar. É possível o controle de suas emoções e isto depende de um esforço seu para conseguí-lo.”


Porque e para que Educação Emocional.
"A Inteligência Emocional envolve a capacidade de perceber acuradamente, de avaliar e de expressar emoções; a capacidade de perceber e/ou gerar sentimentos quando eles facilitam o pensamento; a capacidade de compreender a emoção e o conhecimento emocional; e a capacidade de controlar emoções para promover o crescimento emocional e intelectual". (Salovey)


“A introspecção é um instrumento metodológico de excelência para a educação emocional. Consiste em dirigir nossa capacidade de observação para o mundo dos fatos psicológicos que podemos ter percepção consciente e identificar os pensamentos, emoções e sentimentos, procurando percebê-los com a maior nitidez possível. Caracterizar a imaginação, reconhecer os instintos (pulsões), impulsos e desejos que irrompem do inconsciente, além dos juízos de valor (avaliações) que fazemos das coisas.” (p.53)


“A educação emocional implica em desenvolver no educando o autoconhecimento, a autoconsciência, a nível psicológico e somático. Em desenvolver a capacidade de identificar e reconhecer suas emoções e sentimentos, avaliando suas intensidades, e as expressões corporais correspondentes, no momento em que ocorrem. A controlar suas expressões emocionais, a aprender a monitorar seus impulsos e a adiar suas satisfações. Implica no desenvolvimento da empatia, capacidade de reconhecer corretamente as emoções do outro.”


“A Educação Emocional consiste em utilizar-se a energia psíquica disponível do pensamento, atenção e vontade, para a identificação e avaliação das emoções, bem como da atuação da pessoa no sentido de interferir no curso natural da parte consciente do processo emocional.”


Fundamentos e Aspectos Históricos da Educação Emocional.
Gottman, em Inteligência Emocional, a Arte de Educar Nossos Filhos, 1997, estabelece com base em suas pesquisas e observações, alguns elementos básicos para a educação emocional. Postula ele cinco passos seqüenciados:
• Perceber a emoção na criança.
• Reconhecer na emoção uma oportunidade de intimidade ou aprendizado com o educando e de transmissão de experiência.
• Escutar com empatia, legitimando os sentimentos da criança.
• Ajudar a criança a encontrar palavras para identificar a emoção que ela está sentindo.
• Impor limites, e, ao mesmo tempo, ajudar a criança a resolver seus problemas.


SÍNTESE DO CAPÍTULO:
É importante que a criança seja habituada desde cedo a expressar suas emoções e a lidar com elas, devendo para isto receber apoio e ajuda dos pais.
• Nas conversas com os brinquedos, a criança costuma projetar suas ideias, desejos, frustrações e medos, e a análise delas pode ser útil para a descoberta de sentimentos recalcados.
• Deve ser permitida a livre expressão das emoções na criança, e deve-se identificar e compreender seus sentimentos. O respeito mútuo deve ser mantido em qualquer situação. Quando houver atritos envolvendo comportamentos emocionais, o pai ou mãe deve controlar-se, não devendo utilizar escárnio, desprezo, ironia ou comentários que desmereçam a criança.
• Devem ser abolidas humilhações e injustiças e jamais se deve bater nas crianças ou insultá-las, pois tais comportamentos gerarão sequelas psicológicas de consequências imprevisíveis, com traumas que marcarão suas vidas.
• Qualquer forma de agressão e de violência contra o educando, seja física ou psicológica perpetuará a violência social. Não praticar a violência é uma forma de fazer Educação para a Paz, um dos componentes da educação holística.
• A empatia é a capacidade de colocar-se no lugar de outro, como se fosse ele. É a capacidade de sentir o que o outro sente. É importante nas estratégias de educação emocional prestar atenção aos gestos, ao tom de voz e à expressão corporal da criança e do adolescente.
• Um dos princípios da educação emocional é valorizar os sentimentos e as emoções do educando, e permitir que os expressem livremente, sem reprimi-los. Deve entretanto ser mostrado, com clareza, os limites deste extravasamento, que são os  comportamentos socialmente toleráveis.
• Há duas formas de disciplina, a individual e a social. A individual, interna, relaciona-se com o respeito às normas que a pessoa estabelece para si mesma. É a auto-disciplina, traço de personalidade comum aos homens bem sucedidos. Deve ser estimulada e cultivada na escola, pois é um fator de sucesso pessoal e social. Na disciplina social, externa, as normas são estabelecidas pela sociedade, e é muito importante para a formação do cidadão.
• A punição advinda da própria classe a que o aluno pertence é mais efetiva e dá melhores resultados preventivos do que a punição aplicada pela administração da escola.

• Não adianta o educador emocional pregar determinado comportamento em determinada situação e agir de forma diferente: não adianta pregar o controle da raiva e descontrolar-se na primeira situação que o enraiveça.
[...]


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Sobre padrões de comportamento.

Na TCC (terapia cognitivo-comportamental) da psicoterapia a gente trabalha com identificação, análise e reestruturação de padrões de pensamento e comportamento. É uma parada muito louca porque a pessoa tem que prestar atenção aos tipos de pensamentos que tem, especialmente àqueles ligados à emoções negativas. Observar as circunstâncias em que emoções e pensamentos negativos ocorrem e qual é o comportamento adotado. Depois a gente analisa isso e vê o que quer mudar e como mudar. O interessante é que eu tenho me surpreendido com os tipos de emoções que tenho e sentido certa vergonha de vários pensamentos. Mas é um processo muito bacana, investigativo, científico, um pouco doloroso/vergonhoso, porém lindo. E sempre que eu fico indignada com umas merdas que faço/penso/sinto, minha psicóloga diz: um padrão é uma estrada pavimentada, nós estamos descobrindo o que mais existe nos arredores e abrindo uma picada a facão. É preciso tempo e paciência pra transformar uma picada em estrada.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Que retrospectiva maravilhosa!

Eu tô é muito admirada que já é dezembro de novo e eu ainda tô na mesma bosta chamada depressão. Eu parei com os remédios há cerca de uns oito meses, mas faço sessão de psicanálise toda semana.
Estava olhando minhas postagens antigas e há um ano atrás eu me sentia exatamente como agora: querendo morrer, achando tudo uma bosta gigante. Me achando uma bosta gigante. Tive uns picos de felicidade, mas mesmo nesses momentos eu ria nervoso, pq sabia que a depressão tava ali na esquina escura me esperando e chegar ali era o único caminho.
Eu tentei, juro que tentei. Fiz terapia, que é um saco, mas fiz e continuo fazendo. Mudei umas coisas na minha vida que eu achei que tavam me fazendo mal. E agora termino o ano me sentindo pior que comecei. Odiei que essa emoção de final de ano de relembrar o decorrer dele bateu em mim. Pq francamente, foi bosta.

Eu não espero nada da vida, até pq sei bem que eu sou responsável pela minha, exceto pelas coisas que não tenho controle. Sei que sou uma pessoa privilegiada em alguns aspectos e isso tudo só faz eu me sentir mais bosta ainda pq eu nem tenho pq estar assim.
Odeio muita essa pessoa que me tornei. Uma pessoa depressiva, passiva, quase invisível. Sinto saudade da pessoa divertida e legal que eu costumava ser e que hoje em dia só consigo ser qdo estou bêbada ou fingindo. E eu devo finjo bem pq a maioria das pessoas que convivem comigo, não sabem que tenho depressão.
Vejo minha juventude passando e estou cada vez mais centrada na minha dor e o pior de tudo é que eu nem considero essa dor legítima. Viver é uma droga.

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