quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Ainda sobre depressão

Eu estou com depressão há algum tempo já. Faço tratamento psiquiátrico há um ano, e há um mês retornei à psicanálise porque finalmente percebi que os remédios só tratam os sintomas e não a doença em si.
É preciso ir às raízes do problema pra poder consertar tudo e mesmo eu sendo "radical" em muita coisa, demorei para perceber que precisava fazer isso. Especialmente porque sou privilegiada: sou branca, classe média, pós-graduada, tenho meu apto, moro com 4 gatos lindos, tenho uma relação amorosa saudável e gosto muito do meu trabalho.
Um parágrafo especial para falar das amigas que me apoiaram e continuam me apoiando: eu perdi algumas amigas nesse período, mas tenho um carinho enorme por essas que permanecem ao meu lado mesmo nas dificuldades, sem o apoio delas eu com certeza não estaria mais aqui.
Enfim, por ser privilegiada não me importei muito com o diagnóstico de depressão. Era só tomar os remédios e a vontade de acabar com a minha vida passava. Eu continuava vivendo meio dopada, meio sem sentir muita coisa, mas continuava ali viva. Tanta gente tem a vida bem pior que a minha, me sentia ridícula em dizer que estava "sofrendo".
Nesse um ano em que fui diagnosticada com depressão tive muitos altos e baixos extremos mesmo. Me afundei em comida, cigarro e séries para não pensar muito na minha vida, para não sentir. Minha casa refletia o caos que estava minha vida: imunda e muito bagunçada. O ano passou e no segundo semestre a psiquiatra falou que em novembro eu poderia começar o processo de parar de tomar os remédios. Eu achava que estava bem, que iria conseguir ficar sem.
De repente acordei no fundo do fundo do poço, desejando mais do que nunca a morte e pensando fixamente em formas de fazer isso. Foi aí que entendi que não tinha melhorado nada, que eu realmente estava mal e precisava de ajuda profissional. Não só psiquiátrica(que eu já estava tendo), mas terapêutica, pra tratar das minhas questões mesmo.
E assim tenho feito. Toda semana vou lá e penso alto com a psicanalista. Ela pontua situações, eu choro, eu falo. Choro e falo ao mesmo tempo. E aos poucos tenho me sentido mais leve. Estou sentindo que as coisas estão se acalmando dentro de mim, que consigo resolver esse quebra-cabeça e aos poucos vou me curando, me tornando uma pessoa emocionalmente saudável.
Aos que leram até aqui, obrigada. É importante para mim compartilhar isso com vocês. E um muito obrigada as pessoas amigas que me apoiam da melhor maneira que podem. E agradeço também as pessoas em geral que apoiam pessoas com depressão, que compreendem que isso não é frescura ou falta de força de vontade, como eu erroneamente achava que era. Vamos lidando com uma situação de cada vez e sobrevivendo a mais um dia, o que nesse momento já é grande coisa.

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