sábado, 11 de julho de 2015

"Ser mulher" não é um sentimento!

Me incomoda quando “mulheres trans” (pessoas do sexo masculino que se reivindicam mulheres) dizem que “se sentem mulheres”. Ser mulher é um sentimento?????
Há algum tempo tenho fugido dos estereótipos de gênero imposto a nós mulheres. Não me arranco nenhum pelo do meu corpo, não uso maquiagem e sou careca. As pessoas me olham estranho e eu sei muito bem porque: não estou seguindo o estereótipo de feminilidade. Não sou e faço questão de não ser a linda donzela, que se adultera da cabeça aos pés para ser linda. Mesmo não “aparentando” ser mulher, a sociedade constantemente me lembra a que casta sexual eu pertenço. Sofro assédio nas ruas (não tanto, mas ainda acontece), o que falo em alguns lugares não é levado a sério porque sou mulher: devo estar na tpm, ser “mal-comida” ou só burra mesmo.
A sociedade me lembra que sou mulher quando entro em qualquer portal de notícias e vejo reportagens sobre mulher que foi estuprada, outra espancada e outra assassinada. Isso todo dia. A sociedade me lembra que gênero é hierarquia quando fico sabendo de alguma pessoa da mesma casta sexual que a minha morreu por aborto inseguro. Não somos donas de nossos corpos.
A sociedade me lembra que sou mulher quando ouço algum vizinho gritando com a esposa pra ela levar um cerveja ou reclamando porque a janta não está pronta. A sociedade me lembra que sou o segundo sexo quando fico sabendo das meninas que são estupradas, geralmente por seus pais ou outros homens próximos.
Ser mulher não é um sentimento, não é uma roupa, não é uma maquiagem, não é uma dieta, não é uma depilação, não é uma cirurgia. Ser mulher é uma imposição às pessoas nascidas com vulva/vagina.
Nascer fêmea humana na nossa sociedade significa ser a casta sexual oprimida e explorada, especialmente se você é negra e pobre. Significa nunca ser uma pessoa plena e livre. Nascer fêmea significa ter que viver em uma caixinha muito apertada chamada feminilidade e ainda não é garantia de que está tudo bem. E se você quiser ser tratada como gente, só te resta lutar. E aí vão te chamar das piores coisas que existem, especialmente de louca. Mas quem é “normal” nessa sociedade doente?!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Um pouco de você... "se abra", se entregue...sou toda ouvidos e olhos, a seu dispor!

Link-Me


LinkWithin

Related Posts with Thumbnails