quinta-feira, 30 de abril de 2015

Sobre a depressão

Eu sempre achei que depressão fosse frescura… até acontecer comigo.
Eu não sei se faz parte do quadro clínico ou das reações adversas das medicações que tomo; mas tenho momentos de alegria enorme, gargalhadas e afins e logo em seguida um aperto no peito, muita tristeza e vontade grande de morrer.

Eu me acho idiota por ter depressão, eu tenho uma vida bem razoável: tenho meu próprio apartamento, tenho ótimas amigas, um namorado maravilhoso, gatos incríveis e um emprego bacana. Mas eu sei que existem muitas pessoas em estado de miséria, pessoas que não tem acesso a direitos mínimos, como moradia decente, saúde, educação, segurança e lazer. Eu sei que existem pessoas que sofrem as mais terríveis violências. Também sei que existem pessoas com muito dinheiro que gastam muito em porcarias que não precisam pra se mostrarem superiores a pessoas que odeiam.
Eu vejo um mundo tao evoluído em suas tecnologias, desbravando planetas, descobrindo cura para doenças...e ao mesmo tempo vejo pessoas tão egocêntricas e mesquinhas, que se acham superiores, que acreditam que pessoas pobres são pessoas preguiçosas.

Eu entrei na educação muito antes de me tornar feminista ou esquerdista. Mas meu objetivo sempre foi mudar a educação, transformar a sociedade. E em quase 10 anos de profissão, eu não percebo mudanças significativas. Meu trabalho de formiguinha não significa nada.Formiguinhas são esmagadas por qualquer um.

Eu olho para a rua e vejo trocentos carros, cada um com um só passageiro. Eu ando de ônibus e vejo a precariedade desses, desde horários até mesmo a frota. Eu entro na sala dos professores na hora do intervalo e ouço professor chamando aluna de favelada vagabunda. Eu vejo professores usando os mesmos métodos de ensino de trocentos anos atrás. Eu vejo alunos com dificuldades em se adequar a esse ensino ultrapassado e sem sentido.

Eu vejo tanta coisa… vejo um mundo de bosta. Eu tento me reunir com iguais, formar coletivos, fazer algo prático pra melhorar a vida das pessoas em situação pior que a minha. Mas nos coletivos feministas estamos discutindo depilação e maquiagem. Nos coletivos veganos estamos trocando informações sobre o novo tofupiry.


Tá tudo tão errado. Eu estou tão cansada. Eu não me acho melhor que ninguém. Eu não me acho nada. Eu sou um nada. Eu não consigo mudar nada nessa sociedade escrota. E é doloroso conviver com isso.Eu já não tenho forças. Eu queria muito estar morta. Mas parte de mim ainda resiste. Ainda.

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