sexta-feira, 27 de março de 2015

Confabulações sobre feminismo, veganismo e educação.

Eu sou uma pessoa com ideias revolucionárias e um tanto idealistas e não sei exatamente como lidar com isso. Vou explicar.

Sou feminista radical e isso significa que acredito que a base da opressão que nós mulheres sofremos está baseada na imposição do gênero no momento em que identificam nosso sexo biológico.

Eu desejo uma sociedade em que as mulheres sejam vistas como pessoas. Que não tenha mais 50 mil mulheres estupradas e 5 mil assassinadas por ano (isso só no Brasil). Eu quero uma sociedade em que não exista gênero, porque esse estereótipo socialmente imposto nos violenta, nos faz vulneráveis, pobres e etc.
Mas eu não consigo visualizar esse mundo. Eu tenho feministado… a partir do momento que percebi a estrutura patriarcal da sociedade, não teve como eu não ser feminista, não tem como eu deixar de ser. Tenho ajudado as mulheres no que posso, tenho escrito alguns textos…. vejo mais mulheres se achegando ao feminismo. Mas me parece que caminhamos a passos tão lentos. Isso me desanima demais. É doloroso saber das mulheres espancadas, estupradas, mortas em abortos clandestinos, assassinadas por quem acreditavam ser seus amores.


Sou ovo-lacto-vegetariana me tornando vegana aos poucos. Acredito que já evoluímos o suficiente para não precisarmos mais comer animais.
Importante fazer uma pausa aqui para dizer às pessoas comedoras de carne que insistem em dizer que vegetais também sentem dor: observe um alface sendo plantado, crescendo e sendo colhido e observe uma criação de bovinos e o matadouro. Se você acha mesmo que não tem nenhuma diferença, pode parar de ler por aqui. Você não vai me entender mesmo.
A minha questão com o veganismo é que de certa forma ele é individualista. Em alguns momentos da história ele é “modinha”, mas não consigo visualizar todas as pessoas do mundo parando de comer cadáveres. Algumas pessoas com quem convivo tem repensado o consumo de animais e até tem se tornado ovo-lacto-vegetarianas também. Mas me parece que caminhamos a passos muito lentos para a libertação animal.




Sou professora e acredito numa educação que realmente transforme a realidade em que vivemos. Vejo o atual modelo de escola como ultrapassado e desconectado da realidade das crianças e adolescentes. Uma escola de qualidade não teria muros, turmas, carteiras enfileiradas. Uma escola que não seguisse a organização das fábricas, que não estivesse preocupada apenas em moldar trabalhadores e sim em ser um espaço de descobertas, interações e aprendizagens, em que os alunos não fossem meros receptores de informações, em que não houvesse essa hierarquização professor X aluno, em que a escola realmente fizesse parte da comunidade…. uma educação assim, centrada no aluno, na sua realidade e respeitando-o como indivíduo, certamente seria exitosa e transformaria radicalmente a sociedade.
Mas poucos são os professores que pensam assim, é mais prático manter tudo como está: usar a mesma cartilha, mesmo que ela seja um bosta… afinal, se eu consegui aprender a ler e escrever assim, por que as crianças de hoje em dia não aprenderiam? Uma reforma na educação daria muito trabalho, todos teríamos que estudar, aprender, tentar e ver como seria melhor. Trabalho para professores, alunos, comunidade e governo. Mas quem se importa, não é mesmo?!


Enfim, todas essas questões tão importantes para mim são o que me move e ao mesmo tempo me deprime. Eu preciso aprender a lidar com essas coisas.

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