quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Porque a prostituição não é um trabalho como outro qualquer.

"Está mais do que na hora de problematizar esses discursos que ligam todas as críticas à prostituição e à pornografia com moralismo ou ignorância. O que vejo, como feminista, é bem o contrário. Falando de prostituição: eu, assim como a maioria das meninas de esquerda que se aproximam do feminismo, chega com o discurso de “temos de garantir os direitos das trabalhadoras do sexo”, “é um trabalho digno como qualquer outro”. Mas isso, justamente, até começar a de fato se aprofundar no assunto, ler quem realmente estudou a questão e ouvir as prostitutas (e não apenas aquela ex-colega de classe média alta, que não precisa disso para sobreviver, se prostitui em ambiente seguro e é a exceção da exceção). Algumas informações às quais chegamos: a situação real e concreta das pessoas que se prostituem mostra um quadro de violência sistemática e alto risco, o perfil e a história de vida dessas pessoas (na grande maioria meninas e mulheres), demonstra que não faz sentido algum falar em “liberdade de escolha”, a prostituição de adultas e adultos está intimamente relacionada com histórico de violência sexual e com prostituição infantil. Além disso, na perspectiva feminista, é preciso questionar, sobretudo levando em consideração a situação concreta em que ocorre a prostituição, se ela é resultado de liberdade ou é mais um reflexo da estrutura patriarcal de exploração e objetificação do corpo das mulheres. Deixando claro que ser contra a prostituição de modo algum é ser contra as pessoas que se prostituem, aliás, bem ao contrário disso. 
Algumas fontes: 1) sobre o perfil de meninas e mulheres exploradas sexualmente no brasil: a maioria é negra, pobre, tem baixa escolaridade, mora em espaços urbanos periféricos, tem histórico de ser vítima de violência, contrai doenças sexualmente transmissíveis, é agredida psicológica e fisicamente devido ao seu “trabalho” (http://www.unicef.org/brazil/pt/Cap_03.pdf) (http://reme.org.br/artigo/detalhes/232) (http://www.scielo.br/pdf/ape/v25n4/11.pdf) (http://www.scielo.br/pdf/reben/v65n6/a15v65n6.pdf) ; 2) a situação de fragilidade e exclusão social também aparece no caso de outros países, onde a maioria das pessoas em situação de prostituição são meninas e mulheres imigrantes, muitas vítimas de tráfico de pessoas, a grande maioria com esse mesmo perfil de fragilidade socioeconômica (http://www.fondationscelles.org/en/prostitution/a-summery-of-prostitution) (http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-//EP//NONSGML+REPORT+A7-2014-0071+0+DOC+PDF+V0//PT) (http://www.catwlac.org/inicio/wp-content/uploads/2014/03/18_mitos_prostitucion_ES.pdf); 
3) sobre a relação direta entre turismo sexual e a exploração sexual infantil (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/07/100730_brasil_pedofilia_rc.shtml) (http://www.ebc.com.br/2012/10/copa-e-olimpiadas-podem-impulsionar-exploracao-sexual-de-menores-no-brasil) (http://www.reporteindigo.com/reporte/mundo/las-ninas-prostitutas-del-mundial
4) nesses documentários, são entrevistadas mulheres em situação de prostituição e ex prostitutas que relatam o que os estudos e estatísticas já mostraram tantas vezes: praticamente todas sofrem violência física e sexual ao longo de sua “vida profissional”, muitas fazem uso de drogas e sofrem de depressão (https://www.youtube.com/watch?v=UvS4hwSa8So) (http://vimeo.com/8494274 ). Inclusive, faço questão de colocar aqui esse último documentário, “Praça da Luz”, que não pretende ser desfavorável à prostituição (diria que até o contrário disso), mas que, na prática, acaba por mostrar a realidade de violência dessas mulheres, pois é inevitável que isso apareça nos relatos delas, mesmo quando a intenção não é a denúncia. Também um filme, baseado em fatos reais, que mostra a realidade de exploração sexual inerente ao mercado da prostituição:https://www.youtube.com/watch?v=r88WQyseFes Alguns textos de ex prostitutas e entrevistas com mulheres que foram prostitutas:http://materialabolicionista.wordpress.com/2014/01/10/carta-aberta-de-sobreviventes/http://www.prostitutionresearch.com/exprostitutes%20against%20legislative.pdfhttp://materialabolicionista.wordpress.com/2014/01/09/a-prostituicao-e-violencia/ 
5) sobre o projeto de Jean Wyllys: “Textualmente, o PL deixa claro o que deve passar a ser entendido por exploração sexual: "1) apropriação total ou maior que 50% do rendimento de prestação de serviço sexual por terceiro; 2) o não pagamento pelo serviço sexual contratado; 3) forçar alguém a praticar prostituição mediante grave ameaça ou violência". De acordo com o projeto, uma terceira pessoa poderia se apropriar de até 50% do valor do "serviço””. Isso mesmo: 50% (http://www.brasildefato.com.br/node/12236) Acrescentando que, conforme relatam muitas prostitutas, inclusive nos documentários que indiquei, é prática comum elas terem que pagar ainda aos cafetões pelo local utilizado e por alimentos, bebidas e o que mais venham a consumir durante o programa (muitas também usam drogas fornecidas pelos próprios cafetões), o que reduz ainda mais seu ganho financeiro. (http://marchamulheres.wordpress.com/2013/01/18/a-regulamentacao-da-prostituicao-e-a-vida-das-mulheres/) (http://arttemiarktos.wordpress.com/2013/12/09/regulamentar-a-prostituicao-e-legalizar-a-exploracao-do-corpo-das-mulheres-afirma-dirigente-da-cut-feminismo/ ) http://www.sof.org.br/noticias/a-quem-serve-a-regulamenta%C3%A7%C3%A3o-da-prostitui%C3%A7%C3%A3o(http://comiteabolicaoprostituicao.wordpress.com/documento-em-relacao-ao-projeto-de-lei-no-4-211-pl-gabriela-leite/) 
6) sobre a experiência de legalização em outros países e suas consequências, assim como outras alternativas buscadas:http://arttemiarktos.wordpress.com/2013/10/14/desprotegidas-como-a-legalizacao-da-prostituicao-falhou/(http://justicewomen.com/cj_sweden_sp.html)http://novavidaemjesus.com/noticias/camara-francesa-aprova-lei-que-penaliza-clientes-de-prostitutas/#.U1QQdie9KSN 
7) outros sites e textos com diversas fontes que problematizam a questão da prostituição a partir de uma perspectiva feminista e não moralista:http://materialabolicionista.wordpress.com/http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&ved=0CCwQFjAB&url=http%3A%2F%2Fwww.sof.org.br%2Fsystem%2Fresources%2FBAhbBlsHOgZmSSJFMjAxNC8wMi8xOS8xMF8yOV8yMV8yNDNfUHJvc3RpdHVpY2FvX3VtYV9hYm9yZGFnZW1fZmVtaW5pc3RhLnBkZgY6BkVU%2FProstituicao_uma_abordagem_feminista.pdf&ei=BrGTU6mGFujesATj5oDoDw&usg=AFQjCNEXJ2NxvDaL_jwGyrcoN1l_A40laA&sig2=i9BnnVuStsilhJ47OJFv8A&bvm=bv.68445247,d.cWc http://feministcurrent.com/8347/10-myths-about-prostitution-trafficking-and-the-nordic-model/http://materialabolicionista.wordpress.com/2014/01/09/mitos-sobre-a-prostituicao/ http://www.catwlac.org/inicio/2014/03/19/18-mitos-sobre-la-prostitucion/ Traduzo e destaco aqui: “Conheces alguma outra profissão na qual as pessoas que a exercem enfrentam uma taxa de mortalidade entre 10 a 40 vezes superior a média? Ou na qual entre 60 e 80% dos “trabalhadores” sejam submetidos regularmente a violência física e sexual? Se se trata de um trabalho como outro qualquer, por que são muito poucas as mulheres da Europa ocidental que a exercem? Por que razão a imensa maioria das pessoas prostituídas são mulheres imigrantes? (...) Vários sindicatos na Europa não consideram a prostituição como uma profissão, já que entendem que esta é incompatível com os critérios associados a qualquer trabalho, como a segurança e a dignidade, assim como o progresso profissional ” "

O texto foi escrito por uma feminista no facebook. Não sei o nome para dar os créditos.

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