quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Você pode ser feminista.


Você pode ser feminista se fizer dieta. Mas é importante problematizar isso pois para o patriarcado nunca seremos magras o suficiente, ele quer que mulheres emagreçam até definharem e sumirem
Você pode ser feminista se tiver relacionamentos com homens. Mas é importante problematizar isso pois homens são socializados para oprimirem mulheres e dados os índices de violência contra a mulher serem maiormente casos em que os parceiros ou ex-parceiros são os violentos, fique esperta.
Você pode pensar em feminismo se estiver apaixonada por um homem. Mas não esqueça suas amigas e principalmente: problematize sempre sua relação com um homem para que o que você sente não te impeça de ver possíveis opressões.
Você não pode ser feminista se não tiver nascido "fêmea". Não mesmo. O patriarcado é baseado na opressão de gênero e o gênero é imposto ao nascer quando nos identificam como fêmeas. Para a sociedade machista, nós mulheres somos o segundo sexo, então só fêmeas sabem o que é ser oprimida por ser fêmea e o feminismo é o nosso movimento.
Você pode ser feminista se desgostar de uma mulher. Você não precisa amar todo mundo não. Não reproduzir machismo pra cima de outras mulheres já está ótimo.
Você pode ser feminista se questionar outra feminista. É nos debates que a gente cresce.
Você pode ser feminista se gostar de ouvir essa música. Mas se "essa música" é de um cara que bateu na mulher, problematize e repense seus gostos. Tem tanta música pra ouvir...
Você pode ser feminista se gostar dos filmes desse diretor. Mas se esse diretor for estuprador e pedófilo é bom repensar, tem tantos filmes bacanas...
Você pode ser feminista se gostar desse tipo de sexo, mas é importante problematizar seus "gostos" e "escolhas". Você quer realmente fazer ou está fazendo pra agradar seu parceiro? Esse tipo de sexo te machuca? repense e descubra outras formas de prazer, se for o caso.
Você pode ser feminista e isso significa problematizar escolhas, gostos e ações.
Feminismo é revolução, se fosse pra continuar tudo igualzinho sem questionar ou mudar nada, continuaríamos de boas com o patriarcado, não é mesmo?

domingo, 24 de agosto de 2014

Prioridades

Que nenhum homem seja prioridade na sua vida, amiga. Se eu pudesse dar só um conselho... hahah brincadeira, mas esse é um conselho que eu realmente gostaria de ter recebido e mais ainda: entendido e acatado.

Vivemos em uma sociedade desigual em que os homens são privilegiados. Nós mulheres somos socializadas para sermos inseguras e submissas. Somos ensinadas desde muito cedo que mulher feliz e realizada é aquela que encontra um grande e eterno amor, casa, tem filhinhos, uma casa com cerquinha branca e um cachorro. Também aprendemos que mulheres são falsas e que não existe amizade verdadeira entre elas/nós.

Acho monogamia heterossexual bem complicada e maternidade também. É o tipo de coisa compulsória em nossa sociedade. Mas nem é sobre isso que quero falar agora. O problema, não sei se o maior ou mais importante, é que por conta de nossa socialização, acabamos colocando o parceiro amoroso como prioridade de nossa vida. Nos afastamos das amigas e algumas vezes até da família.

É disso que quero falar, dessa dependência emocional e desse isolamento. Todas as pessoas tem necessidade de afeto e vínculo, mas o que percebi refletindo sobre minhas vivências e de diversas mulheres com quem converso, é que nós mulheres por colocarmos nossas relações afetivas com homens em primeiro plano, ficamos completamente sozinhas e desorientadas quando a relação acaba. Ou ainda: postergamos o término da relação por medo de ficar sozinhas.

Muitas mulheres sofrem violência física, verbal e/ou psicológica de seus parceiros e o fato de não terem vínculo com uma amiga/alguém de fora com quem possam contar, somado a fragilidade em que estão por causa da situação, dificulta ainda mais sua saída de relações abusivas.

Então é isso que quero dizer: tenham muitas amizades, especialmente com mulheres, pois essas são relações de igualdade. Repense seus sonhos, não compre tão fácil a ideia de amor eterno/casamento/filho. Foque em você, nas coisas que você gosta e nas que tem vontade de fazer. Foque na sua carreira, nas suas amizades. Participe da luta por direitos para mulheres, etc e etc. E nessa escala de prioridades, coloque seu relacionamento com homem bem lá pra 10º posição.

Minha intenção ao dar essas dicas não é cagar regra na sua vida, só acho importante atentar para o fato de que mulheres são donas de apenas 1% de toda riqueza mundial (http://goo.gl/u93xch) e que a cada hora pelo menos uma mulher sofre violência doméstica no Brasil. É preciso repensar, mudar e lutar!




quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Porque a prostituição não é um trabalho como outro qualquer.

"Está mais do que na hora de problematizar esses discursos que ligam todas as críticas à prostituição e à pornografia com moralismo ou ignorância. O que vejo, como feminista, é bem o contrário. Falando de prostituição: eu, assim como a maioria das meninas de esquerda que se aproximam do feminismo, chega com o discurso de “temos de garantir os direitos das trabalhadoras do sexo”, “é um trabalho digno como qualquer outro”. Mas isso, justamente, até começar a de fato se aprofundar no assunto, ler quem realmente estudou a questão e ouvir as prostitutas (e não apenas aquela ex-colega de classe média alta, que não precisa disso para sobreviver, se prostitui em ambiente seguro e é a exceção da exceção). Algumas informações às quais chegamos: a situação real e concreta das pessoas que se prostituem mostra um quadro de violência sistemática e alto risco, o perfil e a história de vida dessas pessoas (na grande maioria meninas e mulheres), demonstra que não faz sentido algum falar em “liberdade de escolha”, a prostituição de adultas e adultos está intimamente relacionada com histórico de violência sexual e com prostituição infantil. Além disso, na perspectiva feminista, é preciso questionar, sobretudo levando em consideração a situação concreta em que ocorre a prostituição, se ela é resultado de liberdade ou é mais um reflexo da estrutura patriarcal de exploração e objetificação do corpo das mulheres. Deixando claro que ser contra a prostituição de modo algum é ser contra as pessoas que se prostituem, aliás, bem ao contrário disso. 
Algumas fontes: 1) sobre o perfil de meninas e mulheres exploradas sexualmente no brasil: a maioria é negra, pobre, tem baixa escolaridade, mora em espaços urbanos periféricos, tem histórico de ser vítima de violência, contrai doenças sexualmente transmissíveis, é agredida psicológica e fisicamente devido ao seu “trabalho” (http://www.unicef.org/brazil/pt/Cap_03.pdf) (http://reme.org.br/artigo/detalhes/232) (http://www.scielo.br/pdf/ape/v25n4/11.pdf) (http://www.scielo.br/pdf/reben/v65n6/a15v65n6.pdf) ; 2) a situação de fragilidade e exclusão social também aparece no caso de outros países, onde a maioria das pessoas em situação de prostituição são meninas e mulheres imigrantes, muitas vítimas de tráfico de pessoas, a grande maioria com esse mesmo perfil de fragilidade socioeconômica (http://www.fondationscelles.org/en/prostitution/a-summery-of-prostitution) (http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-//EP//NONSGML+REPORT+A7-2014-0071+0+DOC+PDF+V0//PT) (http://www.catwlac.org/inicio/wp-content/uploads/2014/03/18_mitos_prostitucion_ES.pdf); 
3) sobre a relação direta entre turismo sexual e a exploração sexual infantil (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/07/100730_brasil_pedofilia_rc.shtml) (http://www.ebc.com.br/2012/10/copa-e-olimpiadas-podem-impulsionar-exploracao-sexual-de-menores-no-brasil) (http://www.reporteindigo.com/reporte/mundo/las-ninas-prostitutas-del-mundial
4) nesses documentários, são entrevistadas mulheres em situação de prostituição e ex prostitutas que relatam o que os estudos e estatísticas já mostraram tantas vezes: praticamente todas sofrem violência física e sexual ao longo de sua “vida profissional”, muitas fazem uso de drogas e sofrem de depressão (https://www.youtube.com/watch?v=UvS4hwSa8So) (http://vimeo.com/8494274 ). Inclusive, faço questão de colocar aqui esse último documentário, “Praça da Luz”, que não pretende ser desfavorável à prostituição (diria que até o contrário disso), mas que, na prática, acaba por mostrar a realidade de violência dessas mulheres, pois é inevitável que isso apareça nos relatos delas, mesmo quando a intenção não é a denúncia. Também um filme, baseado em fatos reais, que mostra a realidade de exploração sexual inerente ao mercado da prostituição:https://www.youtube.com/watch?v=r88WQyseFes Alguns textos de ex prostitutas e entrevistas com mulheres que foram prostitutas:http://materialabolicionista.wordpress.com/2014/01/10/carta-aberta-de-sobreviventes/http://www.prostitutionresearch.com/exprostitutes%20against%20legislative.pdfhttp://materialabolicionista.wordpress.com/2014/01/09/a-prostituicao-e-violencia/ 
5) sobre o projeto de Jean Wyllys: “Textualmente, o PL deixa claro o que deve passar a ser entendido por exploração sexual: "1) apropriação total ou maior que 50% do rendimento de prestação de serviço sexual por terceiro; 2) o não pagamento pelo serviço sexual contratado; 3) forçar alguém a praticar prostituição mediante grave ameaça ou violência". De acordo com o projeto, uma terceira pessoa poderia se apropriar de até 50% do valor do "serviço””. Isso mesmo: 50% (http://www.brasildefato.com.br/node/12236) Acrescentando que, conforme relatam muitas prostitutas, inclusive nos documentários que indiquei, é prática comum elas terem que pagar ainda aos cafetões pelo local utilizado e por alimentos, bebidas e o que mais venham a consumir durante o programa (muitas também usam drogas fornecidas pelos próprios cafetões), o que reduz ainda mais seu ganho financeiro. (http://marchamulheres.wordpress.com/2013/01/18/a-regulamentacao-da-prostituicao-e-a-vida-das-mulheres/) (http://arttemiarktos.wordpress.com/2013/12/09/regulamentar-a-prostituicao-e-legalizar-a-exploracao-do-corpo-das-mulheres-afirma-dirigente-da-cut-feminismo/ ) http://www.sof.org.br/noticias/a-quem-serve-a-regulamenta%C3%A7%C3%A3o-da-prostitui%C3%A7%C3%A3o(http://comiteabolicaoprostituicao.wordpress.com/documento-em-relacao-ao-projeto-de-lei-no-4-211-pl-gabriela-leite/) 
6) sobre a experiência de legalização em outros países e suas consequências, assim como outras alternativas buscadas:http://arttemiarktos.wordpress.com/2013/10/14/desprotegidas-como-a-legalizacao-da-prostituicao-falhou/(http://justicewomen.com/cj_sweden_sp.html)http://novavidaemjesus.com/noticias/camara-francesa-aprova-lei-que-penaliza-clientes-de-prostitutas/#.U1QQdie9KSN 
7) outros sites e textos com diversas fontes que problematizam a questão da prostituição a partir de uma perspectiva feminista e não moralista:http://materialabolicionista.wordpress.com/http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&ved=0CCwQFjAB&url=http%3A%2F%2Fwww.sof.org.br%2Fsystem%2Fresources%2FBAhbBlsHOgZmSSJFMjAxNC8wMi8xOS8xMF8yOV8yMV8yNDNfUHJvc3RpdHVpY2FvX3VtYV9hYm9yZGFnZW1fZmVtaW5pc3RhLnBkZgY6BkVU%2FProstituicao_uma_abordagem_feminista.pdf&ei=BrGTU6mGFujesATj5oDoDw&usg=AFQjCNEXJ2NxvDaL_jwGyrcoN1l_A40laA&sig2=i9BnnVuStsilhJ47OJFv8A&bvm=bv.68445247,d.cWc http://feministcurrent.com/8347/10-myths-about-prostitution-trafficking-and-the-nordic-model/http://materialabolicionista.wordpress.com/2014/01/09/mitos-sobre-a-prostituicao/ http://www.catwlac.org/inicio/2014/03/19/18-mitos-sobre-la-prostitucion/ Traduzo e destaco aqui: “Conheces alguma outra profissão na qual as pessoas que a exercem enfrentam uma taxa de mortalidade entre 10 a 40 vezes superior a média? Ou na qual entre 60 e 80% dos “trabalhadores” sejam submetidos regularmente a violência física e sexual? Se se trata de um trabalho como outro qualquer, por que são muito poucas as mulheres da Europa ocidental que a exercem? Por que razão a imensa maioria das pessoas prostituídas são mulheres imigrantes? (...) Vários sindicatos na Europa não consideram a prostituição como uma profissão, já que entendem que esta é incompatível com os critérios associados a qualquer trabalho, como a segurança e a dignidade, assim como o progresso profissional ” "

O texto foi escrito por uma feminista no facebook. Não sei o nome para dar os créditos.

sábado, 9 de agosto de 2014

Porque The L Word é a melhor série.

Acabei de assistir The L Word e vou dizer porque é uma série incrível:
- se não me engano é a primeira série lésbica. Representatividade grande e linda.
- feita por mulheres: roteirista, diretora,etc..
- tem mulheres em diversas profissões: marceneira, atleta, artista plástica, blogueira, programadora, escritora, cabeleireira, executiva, atriz, garçonete... 
- tem uma lésbica surda. Sua parceira e a filhinha desta aprendem LIBRAS para poderem se comunicar.
- tem um homem trans em transição. A série mostra todo esse processo, o bullying que a personagem passa e etc.
- mostra as dificuldades de adoção por casais homo.
- tem uma mulher no exército e ela é punida/expulsa por ser lésbica e se assumir perante seus superiores. Ela também teve estresse pós traumático militar.
- tem uma menina que passa por momento de automutilação, outra que por um tempo se vicia em remédios, outra que lida com alcoolismo.
- tem meninas que se descobrem lésbicas.
- tem noivados, casamentos, divórcios, nascimentos, morte...
- trata de temas como aborto, pornografia, privilégio hetero, fetichização de lésbicas, machismo e outros preconceitos, etc...
- sororidade.
- misandria, muita misandria.


Enfim, é linda demais. Assistam! 



Eu printei diversas partes do seriado sim.

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