segunda-feira, 26 de maio de 2014

Sobre greves, em especial a (nossa) greve dos servidores municipais de Blumenau.


A greve é um direito que toda pessoa trabalhadora possui. Historicamente tem se mostrado a única forma eficaz de conquistar direitos trabalhistas.
Nós servidores municipais estamos com nosso salário defasado em 30%, essa é uma dívida que se acumulou nos mandatos dos últimos prefeitos.
Atualmente o comprometimento da renda municipal com a remuneração dos servidores públicos é de 45%, segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal, o município pode comprometer até 55% da receita, ou seja: tem margem de quase 10% para conceder reajuste.

No final de 2012 os vereadores aprovaram um aumento de 35% nos próprios salários, que passou a vigorar em janeiro/2013, enquanto os servidores só ganharam o reajuste obrigatório da inflação (INPC).

Trabalhamos em escolas/unidades de saúde/etc sucateadas, sem estrutura e materiais adequados para realizar um trabalho de qualidade. As salas de aula estão super lotadas e a fila de espera de vagas para as creches só aumenta, para suprir a demanda é necessário construir o dobro do número de centros de educação infantil (CEIs) que temos atualmente. Não usufruímos de 1/3 de hora-atividade (período de estudos, sem alunos) conforme estabelece a lei federal e não estamos recebendo por estar mais tempo em sala de aula. Nosso vale-alimentação é de R$14,50 por dia. Você consegue se alimentar por um dia inteiro com esse valor?

Adicione a isso as ameaças que algumas chefias imediatas fazem aos grevistas, principalmente acts (admitidos em caráter temporário) e servidores em estágio probatório. Também existe o fato de que muitas pessoas da comunidade não apoiam a greve e não se interessam em procurar saber o que está acontecendo na política da cidade.

Creche não é serviço essencial, no entanto, como esse ano tivemos uma grande adesão das professoras dos CEIs à greve, dois sindicatos patronais (sim, descobri que existe isso, mddc!) e dois laborais enviaram uma carta à prefeitura dizendo que o o fechamento das creches durante a greve prejudica os demais trabalhadores. A carta pedia que 70% do atendimento fosse garantido.

Napoleão Bernardes na época da campanha eleitoral assinou uma carta-compromisso com os servidores, concordando em negociar as perdas salariais históricas. Quando era vereador ele sempre se manifestava apoiando o nosso movimento trabalhista, mas agora que é prefeito está fazendo totalmente o contrário do que prometeu.

Ano passado ficamos o ano inteiro acompanhando a construção e aprovação do PPA (Plano Plurianual) e da LOA (Lei Orçamentária Anual), pedindo ao prefeito e vereadores que incluíssem nosso reajuste durante esta gestão. Isso não aconteceu, o PPA e a LOA não contemplam nossas reivindicações.

Diante de tudo isso, percebemos que tentar negociar enquanto trabalhamos não funciona. É preciso paralisar os serviços, é preciso fazer greve, é preciso gritar que não estamos satisfeitos.

Podem nos chamar de vagabundos, petralhas e demais comentários rasos e ignorantes, continuaremos em greve e na medida do possível tentaremos esclarecer a população sobre os motivos que desencadearam a manifestação. Nossa luta é por melhorias no serviço público e isso se faz principalmente remunerando dignamente os servidores.

Napoleão apoiando os servidores em 2011: https://www.youtube.com/watch?v=x6w3ce-P228

Lei de Responsabilidade Fiscal: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp101.htm

Piso e hora-atividade: http://revistaescolapublica.uol.com.br/textos/27/piso-e-hora-atividade-261561-1.asp

e tem mais duzentos links por aí sobre tudo que falei.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Existem mulheres machistas?

Machismo é a ideia de que homens são superiores às mulheres. Patriarcado é o machismo estruturado na sociedade. Vivemos numa sociedade patriarcal/machista, ou seja: os homens são considerados superiores às mulheres, desde que nascem, em tudo, o tempo todo. Pra ficar mais claro, pense nas profissões ditas masculinas (engenheiro, médico, político, etc..) e lembre como são super valorizadas comparando com as profissões consideradas femininas (professora, cozinheira, etc...). Relembre também que tudo referente às mulheres é considerado bobagem e se um homem faz, é chamado de mulherzinha pelos demais homens. E claro, "mulherzinha" é xingamento, é algo vergonhoso. Coisas de mulherzinha: chorar, cuidar da aparência física, gostar de coisas românticas, etc. Perceba que foi a sociedade patriarcal que definiu os papéis de homens e mulheres e que tudo relacionado às mulheres é de menor valor, indesejado, motivo de humilhação e piadas.

Dito isso, mulheres também nascem na sociedade patriarcal, são ensinadas desde cedo a serem submissas e também a odiarem outras mulheres, afinal oprimido calado e isolado é a vítima perfeita. O patriarcado engana as mulheres, dizendo que se fizerem X, Y e Z coisas elas serão tão respeitadas e admiradas quanto os homens. Só que X, Y, Z são inatingíveis por razões óbvias: se as mulheres forem tratadas como iguais aos homens, não existirá mais opressão e os homens não serão mais os donos da bola. Obviamente esse jogo chamado patriarcado não foi feito para nós mulheres ganharmos. Então quando fazemos o que a sociedade machista ensinou, tipo chamar outra mulher de puta, ou dizer que mulheres são todas falsas ou ainda falar que a fulana mereceu ser estuprada porque estava de minissaia andando sozinha na rua a noite (certeza que tava pedindo!), ganhamos cookie e tapinha na costa. Os homens sorriem para nós e nos chamam de "boas garotas". Claro, estamos fazendo exatamente o que nos ensinaram. O que esquecemos é que amanhã nós seremos as julgadas, apontadas, humilhadas, violentadas, etc. Porque nunca uma mulher será boa o suficiente para o patriarcado, por mais santa e submissa que seja, em muitos momentos seremos lembradas que somos inferiores e nunca de forma gentil, como bem sabemos.

Isso tudo pra contextualizar esse rolê chamado vida na sociedade atual e dizer que uma mulher que reproduz machismo só está tentando ganhar cookie (na maioria das vezes é inconsciente), tipo aquele prisioneiro que entrega os parceiros pra ganhar algum benefício, sabe? Só que mulheres nunca ganham benefício nenhum, o cookie desaparece magicamente no próximo segundo, quando ela é a próxima a ser apontada e atacada. Então não, homens e mulheres não oprimem igualmente, pois mulheres nunca se beneficiam do machismo. Já homens se beneficiam até quando são super apoiadores do feminismo porque vivemos em uma sociedade que privilegia os homens.

sábado, 10 de maio de 2014

A sociedade patriarcal-consumista e o feminismo.

O consumismo é filho do capitalismo. O capitalismo é o irmãozinho do machismo-patriarcado.
Machismo é a ideia de que homens são superiores às mulheres. Ou seja: desde o nascimento (e até antes disso) os meninos vão aprendendo (através da família, da escola e da sociedade) que o seu mundo não tem limites, eles podem fazer o que quiser. Brincam com lego e vídeo-games, ouvem e assistem filmes de super heróis, são incentivados a explorarem sua sexualidade. Já as meninas ganham bonecas para irem "criando" seu instinto materno, ouvem e assistem histórias de princesas que são salvas por príncipes em cavalos brancos, aprendem a sentar de pernas fechadas, a falar baixo, a não falar palavrão. Lugar de menina/mulher é dentro de casa. O patriarcado ensina os meninos a serem fortes, durões e ensina as meninas a serem meigas e submissas. Ou seja: enche a bola dos meninos e destrói a autoestima das meninas.

Aí vivemos em uma sociedade patriarcal capitalista heteronormativa que incentiva o consumo. O consumismo diz que homens devem gastar seu dinheiro comprando um carro (propagandas de carros são sempre direcionadas aos homens) porque esse é um símbolo de poder e homens são poderosos, superiores. Com um carro você tem autonomia para ir aonde quiser (lembram da criação dos meninos?). O consumismo também vende bebidas alcoólicas e festas (onde mulheres tem entrada free, ou seja são usadas como iscas) para os homens se divertirem. A maioria dos espaços é dominada por homens e nem tô falando de política. Você vai em barzinhos, parques, clubes e a maioria das pessoas que frequentam são homens. Mulheres tbm frequentam esses espaços, mas dificilmente sozinhas ou acompanhadas apenas de outras mulheres.

O que o consumismo oferece às mulheres? Absorventes que as deixarão felizes, coisas para a casa e para os filhos e tem toda a indústria da beleza: você nunca está magra e bonita o suficiente, consuma nossos produtos.

Enquanto os homens gastam seu dinheiro com diversão, mulheres estão gastando com fórmulas milagrosas pra emagrecer, roupas e salão de beleza numa tentativa inútil de corresponder às expectativas do patriarcado capitalista-consumista. Querida, você tem que ser boa mãe, boa dona de casa, boa profissional e boa esposa. Você não tem tempo pra se divertir e muito menos pra refletir sobre o seu lugar nessa sociedade. Você é só uma mulher, insegura, feia e gorda. Sorte a sua se "conseguir agarrar" um homem que queira casar contigo. Se conseguir isso, você pode se considerar feliz e satisfeita, sua vida valeu a pena.

Aí vem o feminismo e diz à mulher: você é forte, seu corpo é seu, você pode fazer o que quiser com ele e com sua vida. Você não precisa de um homem para viver bem e ser feliz. Fodam-se o os padrões de beleza, as outras mulheres são tão vítimas desse sistema escroto quanto você e isso que sempre te disseram, que mulheres são rivais é mentira. As mulheres começam a refletir, a desconstruir o papel de gênero que foi imposto à elas, vêem com outros olhos as outras mulheres e de repente se sentem fortes e muito indignadas. Precisamos mudar isso, tá tudo errado! Não é nesse tipo de sociedade que queremos viver, também somos gente, queremos fazer nossas escolhas, sem pré-determinismo babacas.

E então conseguimos entender porque o feminismo é tão odiado principalmente pelos homens. Feminismo empodera, feminismo traz revolta, dá voz para quem aprendeu que deveria ficar calada e aceitar tudo que lhe é imposto.

A sociedade patriarcal consumista tem razão em odiar as feministas. Vamos sim destruir essa bosta toda e não vai ser pedindo "por favor, parem de nos oprimir". Vai ser com tiro, porrada e bomba. Avante, mulheres!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

PUC-Campinas e o racismo.

Hoje estou aqui para compartilhar com vocês um texto-relato de uma amiga, que é a única mulher negra bolsista da PUC-Campinas. Stephanie conta sobre o racismo gritante, as ameaças e agressões que tem sofrido desde que ingressou no curso de Arquitetura e Urbanismo.
Vale muito a leitura, principalmente se você é daqueles que afirma que racismo não existe.



sexta-feira, 2 de maio de 2014

Liberdade

Freedom, de Zenos Frudakis

A escultura Freedom, do artista Zenos Frudakis, localizada na sede mundial da GSK (GlaxoSmithKline), na Filadélfia, Pensilvânia, é um hino à luta pela liberdade. De acordo com o artista, em seu site pessoal, “a composição se desenvolve da esquerda para a direita, começando com uma espécie de múmia/morte como figura cativa. No segundo quadro, a figura, que lembra Rebellious Slave, de Michelângelo, começa a se agitar e luta para escapar. A figura no terceiro quadro rasgou-se do muro que o mantinha cativo e está saindo, chegando para a liberdade. No quarto quadro, a figura é inteiramente livre, vitoriosa, os braços estendidos, completamente afastada da parede. Ele evoca uma fuga da sua própria mortalidade.”

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