segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Manifesto feminista de gratidão as mulheres.

O feminismo me fez perceber a opressão que há tempos atrás eu diria que era natural/ou vontade de deus ou provavelmente nem teria percebido.
Lendo e conversando sobre feminismo tenho percebido as muitas nuances da opressão e exploração dos homens sobre nós e isso é doloroso. Fico sabendo de mulheres violentadas e outras tantas que morrem em abortos clandestinos e inseguros ou na mão de seus parceiros. Saber dessas coisas quase acaba comigo. Me vejo em cada uma dessas mulheres. Mas se o feminismo abriu meus olhos e me fez perceber que homens são privilegiados e opressores, tbm me fez perceber como eu e as outras mulheres somos iguais.
Eu nunca gostei muito de pessoas, mas eu odiava as mulheres. Via todas como rivais, eu não tinha amigas.
O feminismo despertou em mim a consciência de classe/ casta sexual e realmente sinto muito amor pelas mulheres. Não amo todas bicaus não sou a deosa, mas ajudo no que posso todas as mulheres que me pedem auxílio.
E assim, mesmo sendo sofrido e passando tanta raiva com esses homens tudo trouxa, eu tenho tantas amigas e quero fazer ainda mais amizades porque mulheres são fodas e somos parceiras de batalha.
Gratidão a todas vcs que não desistem. Vocês todas são mulheres fortes e guerreiras. Aprendo muito com vcs. Vocês são minha inspiração!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sobre o projeto de lei que prevê a guarda compartilhada: não pode ser aprovado!



De acordo com Lima (2008), quando as mães tomam conhecimento do abuso sexual intrafamiliar contra as filhas, tendem a buscar informações mais completas acerca do que e como aconteceu. Passam a ter uma preocupação acerca do tempo que durou a prática do abuso sexual, se houve conjunção carnal, questionam as próprias filhas e, em alguns casos, seguem para inquirir o agressor; e, então, denunciam.

Furniss (1993) aponta que as mães, ao tomarem conhecimento, tendem a adotar uma postura protetiva diante dos filhos, não somente da vitimada. A mãe, de fato, apresenta-se com um papel protetor de grande responsabilidade. Não somente porque é o adulto não abusivo, mas também pela característica social a ela atribuída de cuidadora principal.

A literatura revela que, mesmo diante desse tipo de situação que gera abalo e, muitas vezes, cisão familiar, a mãe, ainda assim, permanece como responsável pelo elo e harmonia da família. A ela é atribuída, social e historicamente, a responsabilidade da união familiar (Azevedo & Guerra, 1993; CECRIA, 1998; Furniss, 1993; Habigzang & Caminha, 2004; Habigzang et al., 2005; Renshaw, 1984)."

Trecho retirado daqui: http://jucienesouza.jusbrasil.com.br/artigos/127541371/abuso-sexual-intrafamiliar-as-maes-diante-da-vitimacao-das-filhas

ASSINEM:https://www.change.org/p/secretaria-de-direitos-humanos-da-presidência-da-república-presidenta-dilma-vete-a-lei-de-guarda-alternada-que-favorece-a-violência-doméstica


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Texto e imagem retirados da Página Veta Mais - Unidas contra o PL 117:
http://goo.gl/RTNp8Z

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Amarelinho, o gato diabético.

Eu sou o Amarelinho, um leão guerreiro de 5 anos de idade. Há 4 meses atrás fui mordido por cães, e fiquei muito mal, com paralisia nos membros traseiros, feridas grandes e abertas que não saravam. Passei quase duas semanas sem conseguir andar, me arrastando pela casa, foi um período difícil, mas depois de muita luta, muito carinho e remédios, voltei a andar e as feridas começaram a cicatrizar.

Mas algo ainda não estava bem, comecei a passar mal: comia pouco, tomava muita água e não tinha vontade de fazer nada, só ficava deitado quietinho. Minha mamain me deu vitaminas, mas não melhorei, então ela me levou à veterinária e fui diagnosticado com diabetes (tava em mais de 400), estou com cristais na bexiga, rim aumentado, fígado esbranquiçado, anemia e desidratação, tudo isso por conta da diabetes. Num primeiro momento eu corria risco de não sobreviver e aí entendi também porque as feridas que eu tinha demoraram tanto para cicatrizar (complicações da diabetes). Ainda estou internado, mas logo vou ganhar alta, voltar para minha casa e minha mãe vai continuar cuidando de mim e me dando amor e carinho.

Agora a minha mãe é que está em apuros, tudo isso fez um rombo nas despesas dela e ela precisa de ajuda para pagar os remédios (vou tomar insulina duas vezes por dia), a clínica veterinária e a ração especial, que custa R$50,00 o kg.
Nos ajudem, abiguinhas e abiguinhos! 
Pode ajudar pela vaquinha, pode depositar direto na conta bancária, qualquer quantia é bem vinda. Gratidão! 

Caixa Econômica.
Agência: 0411
Operação: 001
Conta: 54110
Dígito Verificador: 1

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Análise pessoal sobre monogamia e não-monogamia

Acordei e li dois textos que contemplam parte do que tenho pensado sobre não-monogamia. http://goo.gl/5kfNZP e http://goo.gl/JB0N8O
Por muito tempo achei lindo, afinal "amor/relações livres" são ótimos termos, que ser humano não pensa na tão sonhada liberdade?

Eu vivi monogamia, relações livres e poliamor e me sinto pronta para olhar esses tipos de relações de forma crítica. Falo de uma perspectiva hetero pq foram as minhas vivências mais duradouras (e sim, tô problematizando isso internamente). Na monogamia a mulher é propriedade do cara, talvez hoje em dia isso seja mais sutil em alguns casos, mas não esqueço que em pleno 2007 (acho) eu estava casando e adotando o sobrenome do meu então esposo. E lembro também como eu era mais respeitada socialmente por ter um marido, um dono.

Quando problematizei a monogamia, vi que isso não era pra mim, eu me sentia livre e não queria ser propriedade de qualquer macho, por mais que o amasse. Comecei a conhecer o poliamor e especialmente as relações livres e essas teorias me fascinaram. A prática nem tanto. Eu era vista como a mina que tava ali sempre disponível pra uma trepada. Isso me relacionando com caras "de esquerda", conhecedores do feminismo e tals. Da parte deles, não havia um interesse real em mim, em compartilhar vivências e sentimentos, era apenas objetificação mascarada de um "gosto muito de você" ou "te amo" ditos esporadicamente para a coisa toda (objetificação) não parecer tão óbvia.

Aí juntei tudo e a conclusão é um tanto triste: não existe relação heterossexual em nível de igualdade porque relações não existem no vácuo, precisamos considerar o contexto em que vivemos e esse contexto é: nossa sociedade é desigual, misógina. Tanto na monogamia quanto na não-monogamia os caras sempre saem ganhando e as minas sempre saem perdendo. Como sempre digo: o patriarcado não é um jogo feito para nós mulheres ganharmos.


Adendo (pq achei que minha análise ficou muito rasa):
Os homens exploram as mulheres com quem se relacionam: de forma emocional (de diversas maneiras eles conseguem manter sua autoestima sempre alta ao se relacionarem com mulheres e minam a nossa autoestima); de forma sexual (estupro marital é o que mais acontece. Todas as mulheres com quem já conversei sobre o assunto afirmam que já "transaram" com seus parceiros sem estarem com vontade); e exploram também os serviços domésticos e em muitos casos o serviço de babá. Essas coisas todas acontecem em diferentes níveis, dependendo do cara, mas duvido muito que algum cara não tenha explorado ao menos uma mulher das quais já se relacionou. Isso porque não estou falando da opressão, que é tão sistemática e enraizada que a gente não percebe nos níveis "mais sutis", nasceu do sexo masculino é socializado como homem e masculinidade é sinônimo de violência e superioridade.
Em uma sociedade patriarcal, qualquer tipo de relação amorosa-sexual vai ter exploração e opressão dos homens sobre as mulheres.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

"Você é anti-homem?"

"Homens não podem falar? Não podem nada?"
Então, eu não mando em ninguém, nem nos meus gatos.
Sobre homens: eles podem tudo, a sociedade é estruturada para eles, tudo é sobre eles e para eles.
Minha postura pessoal é de não querer contato com homens, eu evito o máximo possível. Importante falar aqui que amo meu pai, meu irmão e alguns amigOs que tenho, mas nem por isso deixo de problematizar e apontar as atitudes machistas que esses tem. Sim, todos os homens tem comportamento machista, em níveis diferentes, mas sempre tá ali.
Eu aponto machismo e não tenho vontade de estar na companhia de homens porque presencio os efeitos do machismo todos os dias: nas notícias de mulheres assassinadas, lésbicas espancadas e estupradas, mulheres que morrem em aborto clandestino. Vejo também mulheres se mutilando e sofrendo para agradar homens pq a vida toda ouviram que é para isso que elas existem. Vejo mulheres incríveis deixando de fazer coisas incríveis para estar com homens (casamento e etc). Ouço relatos de amigas que são as melhores em sua área profissional e mesmo assim não são promovidas pq sempre aparece um cara meia boca que ganha a promoção.
Eu vejo casais hetero e os homens fazendo chantagem com suas parceiras, chamando-as de loucas, menosprezando-as, enfim, ferrando muito com a autoestima e a vida delas. Nem vou falar aqui do "sexo forçado", leia-se estupro marital, tão presente na maioria dos relacionamentos ht.
Toda semana fico sabendo de histórias de mulheres jovens que engravidam e ficam desesperadas enquanto os parceiros vão embora e seguem sua vida exatamente da mesma forma. E não me venham dizer que a responsabilidade é dos dois, a maioria dos homens não quer usar camisinha.
E claro, tem toda a minha experiência de vida com homens. Não tem como eu não me importar com todas essas questões, sabe? Eu vejo machismo em tudo porque olha só, o machismo está em tudo! E está tão "naturalizado" que muitas pessoas não percebem e é por isso também que isso tudo muda muito devagar.
Então minha decisão de vida é estar com mulheres, não quero perder meu tempo com homens. E considerando que a cada uma hora uma mulher é assassinada por um homem, eu diria que é uma decisão sábia.

sábado, 4 de outubro de 2014

Lugar de mulher (também) é na política

Desde os meus 16 anos até 2011 eu votei maiormente em candidatos homens nas eleições. O machismo me fazia achar e dizer que homens eram mais aptos para assumir posições de liderança.
Na eleição de 2012 eu já tinha contato com o feminismo e estava desconstruindo essas ideias, votei em mulheres para a câmara e para o executivo municipal (no primeiro turno, no segundo só tinha homens).

Agora em 2014, um pouco mais politizada e entendendo um cadinho mais de feminismo, percebi o quanto é importante apoiar e votar em candidatas  de esquerda. Sei que a esquerda tem seus problemas, concordo que o melhor seria algo como organização popular, mas isso não vai acontecer do dia para a noite e pra mim não basta apenas destruir o sistema político, a raiz da opressão é o patriarcado (que também não vai ruir num estalar de dedos). Desta forma, nesse momento o que podemos fazer é votar em mulheres e especialmente em mulheres feministas e assim vamos mudando as coisas.

Ah sim, votar em mulheres significa que mulheres sabem e podem liderar e principalmente: só nós mulheres sabemos o que é ser mulher, então nossAs representantes irão defender nossos interesses e direitos.
Minha colinha para este 05/10

domingo, 21 de setembro de 2014

Seu Rogério, Dona Solange e os 150 cães.

Hoje fui com a Georgia visitar o Seu Rogério. Ele abriga e cuida muito bem de 150 cachorros que foram abandonados por seus donos. Seu Rogério e Dona Solange são muito queridos, foi ótimo conhecê-los e ainda nos ofereceram um café da tarde delicioso.




Os muitos cachorros são todos lindos e muito felizes, tinha cachorro de tudo quanto é tipo e cor. Mesmo eu que sou mais dos gatos, fiquei feliz demais ao ser rodeada por tantos cachorros. Pulavam em mim, me lambiam... uns fofos. Fiz carinho em muitos, alguns deitavam no meu colo, outros ficavam com ciúme se outro cachorro se aproximava. Uma festa, alegria sem tamanho!  


As pessoas tratam animais de estimação como objetos e ao menor problema abandonam-os. Seu Rogério e Dona Solange precisam de ajuda para alimentar todos esses bichos. Você pode doar ração ou dinheiro (pra comprar ração e/ou ajudar nas despesas com a veterinária). A Georgia busca as doações, se for preciso. Contato pela página: SOS Cão.
Para conhecer mais sobre Seu Rogério e os 150 cães, assista:https://www.youtube.com/watch?v=uaFWopEwvUc

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Você pode ser feminista.


Você pode ser feminista se fizer dieta. Mas é importante problematizar isso pois para o patriarcado nunca seremos magras o suficiente, ele quer que mulheres emagreçam até definharem e sumirem
Você pode ser feminista se tiver relacionamentos com homens. Mas é importante problematizar isso pois homens são socializados para oprimirem mulheres e dados os índices de violência contra a mulher serem maiormente casos em que os parceiros ou ex-parceiros são os violentos, fique esperta.
Você pode pensar em feminismo se estiver apaixonada por um homem. Mas não esqueça suas amigas e principalmente: problematize sempre sua relação com um homem para que o que você sente não te impeça de ver possíveis opressões.
Você não pode ser feminista se não tiver nascido "fêmea". Não mesmo. O patriarcado é baseado na opressão de gênero e o gênero é imposto ao nascer quando nos identificam como fêmeas. Para a sociedade machista, nós mulheres somos o segundo sexo, então só fêmeas sabem o que é ser oprimida por ser fêmea e o feminismo é o nosso movimento.
Você pode ser feminista se desgostar de uma mulher. Você não precisa amar todo mundo não. Não reproduzir machismo pra cima de outras mulheres já está ótimo.
Você pode ser feminista se questionar outra feminista. É nos debates que a gente cresce.
Você pode ser feminista se gostar de ouvir essa música. Mas se "essa música" é de um cara que bateu na mulher, problematize e repense seus gostos. Tem tanta música pra ouvir...
Você pode ser feminista se gostar dos filmes desse diretor. Mas se esse diretor for estuprador e pedófilo é bom repensar, tem tantos filmes bacanas...
Você pode ser feminista se gostar desse tipo de sexo, mas é importante problematizar seus "gostos" e "escolhas". Você quer realmente fazer ou está fazendo pra agradar seu parceiro? Esse tipo de sexo te machuca? repense e descubra outras formas de prazer, se for o caso.
Você pode ser feminista e isso significa problematizar escolhas, gostos e ações.
Feminismo é revolução, se fosse pra continuar tudo igualzinho sem questionar ou mudar nada, continuaríamos de boas com o patriarcado, não é mesmo?

domingo, 24 de agosto de 2014

Prioridades

Que nenhum homem seja prioridade na sua vida, amiga. Se eu pudesse dar só um conselho... hahah brincadeira, mas esse é um conselho que eu realmente gostaria de ter recebido e mais ainda: entendido e acatado.

Vivemos em uma sociedade desigual em que os homens são privilegiados. Nós mulheres somos socializadas para sermos inseguras e submissas. Somos ensinadas desde muito cedo que mulher feliz e realizada é aquela que encontra um grande e eterno amor, casa, tem filhinhos, uma casa com cerquinha branca e um cachorro. Também aprendemos que mulheres são falsas e que não existe amizade verdadeira entre elas/nós.

Acho monogamia heterossexual bem complicada e maternidade também. É o tipo de coisa compulsória em nossa sociedade. Mas nem é sobre isso que quero falar agora. O problema, não sei se o maior ou mais importante, é que por conta de nossa socialização, acabamos colocando o parceiro amoroso como prioridade de nossa vida. Nos afastamos das amigas e algumas vezes até da família.

É disso que quero falar, dessa dependência emocional e desse isolamento. Todas as pessoas tem necessidade de afeto e vínculo, mas o que percebi refletindo sobre minhas vivências e de diversas mulheres com quem converso, é que nós mulheres por colocarmos nossas relações afetivas com homens em primeiro plano, ficamos completamente sozinhas e desorientadas quando a relação acaba. Ou ainda: postergamos o término da relação por medo de ficar sozinhas.

Muitas mulheres sofrem violência física, verbal e/ou psicológica de seus parceiros e o fato de não terem vínculo com uma amiga/alguém de fora com quem possam contar, somado a fragilidade em que estão por causa da situação, dificulta ainda mais sua saída de relações abusivas.

Então é isso que quero dizer: tenham muitas amizades, especialmente com mulheres, pois essas são relações de igualdade. Repense seus sonhos, não compre tão fácil a ideia de amor eterno/casamento/filho. Foque em você, nas coisas que você gosta e nas que tem vontade de fazer. Foque na sua carreira, nas suas amizades. Participe da luta por direitos para mulheres, etc e etc. E nessa escala de prioridades, coloque seu relacionamento com homem bem lá pra 10º posição.

Minha intenção ao dar essas dicas não é cagar regra na sua vida, só acho importante atentar para o fato de que mulheres são donas de apenas 1% de toda riqueza mundial (http://goo.gl/u93xch) e que a cada hora pelo menos uma mulher sofre violência doméstica no Brasil. É preciso repensar, mudar e lutar!




quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Porque a prostituição não é um trabalho como outro qualquer.

"Está mais do que na hora de problematizar esses discursos que ligam todas as críticas à prostituição e à pornografia com moralismo ou ignorância. O que vejo, como feminista, é bem o contrário. Falando de prostituição: eu, assim como a maioria das meninas de esquerda que se aproximam do feminismo, chega com o discurso de “temos de garantir os direitos das trabalhadoras do sexo”, “é um trabalho digno como qualquer outro”. Mas isso, justamente, até começar a de fato se aprofundar no assunto, ler quem realmente estudou a questão e ouvir as prostitutas (e não apenas aquela ex-colega de classe média alta, que não precisa disso para sobreviver, se prostitui em ambiente seguro e é a exceção da exceção). Algumas informações às quais chegamos: a situação real e concreta das pessoas que se prostituem mostra um quadro de violência sistemática e alto risco, o perfil e a história de vida dessas pessoas (na grande maioria meninas e mulheres), demonstra que não faz sentido algum falar em “liberdade de escolha”, a prostituição de adultas e adultos está intimamente relacionada com histórico de violência sexual e com prostituição infantil. Além disso, na perspectiva feminista, é preciso questionar, sobretudo levando em consideração a situação concreta em que ocorre a prostituição, se ela é resultado de liberdade ou é mais um reflexo da estrutura patriarcal de exploração e objetificação do corpo das mulheres. Deixando claro que ser contra a prostituição de modo algum é ser contra as pessoas que se prostituem, aliás, bem ao contrário disso. 
Algumas fontes: 1) sobre o perfil de meninas e mulheres exploradas sexualmente no brasil: a maioria é negra, pobre, tem baixa escolaridade, mora em espaços urbanos periféricos, tem histórico de ser vítima de violência, contrai doenças sexualmente transmissíveis, é agredida psicológica e fisicamente devido ao seu “trabalho” (http://www.unicef.org/brazil/pt/Cap_03.pdf) (http://reme.org.br/artigo/detalhes/232) (http://www.scielo.br/pdf/ape/v25n4/11.pdf) (http://www.scielo.br/pdf/reben/v65n6/a15v65n6.pdf) ; 2) a situação de fragilidade e exclusão social também aparece no caso de outros países, onde a maioria das pessoas em situação de prostituição são meninas e mulheres imigrantes, muitas vítimas de tráfico de pessoas, a grande maioria com esse mesmo perfil de fragilidade socioeconômica (http://www.fondationscelles.org/en/prostitution/a-summery-of-prostitution) (http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-//EP//NONSGML+REPORT+A7-2014-0071+0+DOC+PDF+V0//PT) (http://www.catwlac.org/inicio/wp-content/uploads/2014/03/18_mitos_prostitucion_ES.pdf); 
3) sobre a relação direta entre turismo sexual e a exploração sexual infantil (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/07/100730_brasil_pedofilia_rc.shtml) (http://www.ebc.com.br/2012/10/copa-e-olimpiadas-podem-impulsionar-exploracao-sexual-de-menores-no-brasil) (http://www.reporteindigo.com/reporte/mundo/las-ninas-prostitutas-del-mundial
4) nesses documentários, são entrevistadas mulheres em situação de prostituição e ex prostitutas que relatam o que os estudos e estatísticas já mostraram tantas vezes: praticamente todas sofrem violência física e sexual ao longo de sua “vida profissional”, muitas fazem uso de drogas e sofrem de depressão (https://www.youtube.com/watch?v=UvS4hwSa8So) (http://vimeo.com/8494274 ). Inclusive, faço questão de colocar aqui esse último documentário, “Praça da Luz”, que não pretende ser desfavorável à prostituição (diria que até o contrário disso), mas que, na prática, acaba por mostrar a realidade de violência dessas mulheres, pois é inevitável que isso apareça nos relatos delas, mesmo quando a intenção não é a denúncia. Também um filme, baseado em fatos reais, que mostra a realidade de exploração sexual inerente ao mercado da prostituição:https://www.youtube.com/watch?v=r88WQyseFes Alguns textos de ex prostitutas e entrevistas com mulheres que foram prostitutas:http://materialabolicionista.wordpress.com/2014/01/10/carta-aberta-de-sobreviventes/http://www.prostitutionresearch.com/exprostitutes%20against%20legislative.pdfhttp://materialabolicionista.wordpress.com/2014/01/09/a-prostituicao-e-violencia/ 
5) sobre o projeto de Jean Wyllys: “Textualmente, o PL deixa claro o que deve passar a ser entendido por exploração sexual: "1) apropriação total ou maior que 50% do rendimento de prestação de serviço sexual por terceiro; 2) o não pagamento pelo serviço sexual contratado; 3) forçar alguém a praticar prostituição mediante grave ameaça ou violência". De acordo com o projeto, uma terceira pessoa poderia se apropriar de até 50% do valor do "serviço””. Isso mesmo: 50% (http://www.brasildefato.com.br/node/12236) Acrescentando que, conforme relatam muitas prostitutas, inclusive nos documentários que indiquei, é prática comum elas terem que pagar ainda aos cafetões pelo local utilizado e por alimentos, bebidas e o que mais venham a consumir durante o programa (muitas também usam drogas fornecidas pelos próprios cafetões), o que reduz ainda mais seu ganho financeiro. (http://marchamulheres.wordpress.com/2013/01/18/a-regulamentacao-da-prostituicao-e-a-vida-das-mulheres/) (http://arttemiarktos.wordpress.com/2013/12/09/regulamentar-a-prostituicao-e-legalizar-a-exploracao-do-corpo-das-mulheres-afirma-dirigente-da-cut-feminismo/ ) http://www.sof.org.br/noticias/a-quem-serve-a-regulamenta%C3%A7%C3%A3o-da-prostitui%C3%A7%C3%A3o(http://comiteabolicaoprostituicao.wordpress.com/documento-em-relacao-ao-projeto-de-lei-no-4-211-pl-gabriela-leite/) 
6) sobre a experiência de legalização em outros países e suas consequências, assim como outras alternativas buscadas:http://arttemiarktos.wordpress.com/2013/10/14/desprotegidas-como-a-legalizacao-da-prostituicao-falhou/(http://justicewomen.com/cj_sweden_sp.html)http://novavidaemjesus.com/noticias/camara-francesa-aprova-lei-que-penaliza-clientes-de-prostitutas/#.U1QQdie9KSN 
7) outros sites e textos com diversas fontes que problematizam a questão da prostituição a partir de uma perspectiva feminista e não moralista:http://materialabolicionista.wordpress.com/http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&ved=0CCwQFjAB&url=http%3A%2F%2Fwww.sof.org.br%2Fsystem%2Fresources%2FBAhbBlsHOgZmSSJFMjAxNC8wMi8xOS8xMF8yOV8yMV8yNDNfUHJvc3RpdHVpY2FvX3VtYV9hYm9yZGFnZW1fZmVtaW5pc3RhLnBkZgY6BkVU%2FProstituicao_uma_abordagem_feminista.pdf&ei=BrGTU6mGFujesATj5oDoDw&usg=AFQjCNEXJ2NxvDaL_jwGyrcoN1l_A40laA&sig2=i9BnnVuStsilhJ47OJFv8A&bvm=bv.68445247,d.cWc http://feministcurrent.com/8347/10-myths-about-prostitution-trafficking-and-the-nordic-model/http://materialabolicionista.wordpress.com/2014/01/09/mitos-sobre-a-prostituicao/ http://www.catwlac.org/inicio/2014/03/19/18-mitos-sobre-la-prostitucion/ Traduzo e destaco aqui: “Conheces alguma outra profissão na qual as pessoas que a exercem enfrentam uma taxa de mortalidade entre 10 a 40 vezes superior a média? Ou na qual entre 60 e 80% dos “trabalhadores” sejam submetidos regularmente a violência física e sexual? Se se trata de um trabalho como outro qualquer, por que são muito poucas as mulheres da Europa ocidental que a exercem? Por que razão a imensa maioria das pessoas prostituídas são mulheres imigrantes? (...) Vários sindicatos na Europa não consideram a prostituição como uma profissão, já que entendem que esta é incompatível com os critérios associados a qualquer trabalho, como a segurança e a dignidade, assim como o progresso profissional ” "

O texto foi escrito por uma feminista no facebook. Não sei o nome para dar os créditos.

sábado, 9 de agosto de 2014

Porque The L Word é a melhor série.

Acabei de assistir The L Word e vou dizer porque é uma série incrível:
- se não me engano é a primeira série lésbica. Representatividade grande e linda.
- feita por mulheres: roteirista, diretora,etc..
- tem mulheres em diversas profissões: marceneira, atleta, artista plástica, blogueira, programadora, escritora, cabeleireira, executiva, atriz, garçonete... 
- tem uma lésbica surda. Sua parceira e a filhinha desta aprendem LIBRAS para poderem se comunicar.
- tem um homem trans em transição. A série mostra todo esse processo, o bullying que a personagem passa e etc.
- mostra as dificuldades de adoção por casais homo.
- tem uma mulher no exército e ela é punida/expulsa por ser lésbica e se assumir perante seus superiores. Ela também teve estresse pós traumático militar.
- tem uma menina que passa por momento de automutilação, outra que por um tempo se vicia em remédios, outra que lida com alcoolismo.
- tem meninas que se descobrem lésbicas.
- tem noivados, casamentos, divórcios, nascimentos, morte...
- trata de temas como aborto, pornografia, privilégio hetero, fetichização de lésbicas, machismo e outros preconceitos, etc...
- sororidade.
- misandria, muita misandria.


Enfim, é linda demais. Assistam! 



Eu printei diversas partes do seriado sim.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Sobre a minha careca.

Algumas pessoas já me perguntaram porque eu raspei a cabeça. Engraçado que ninguém pergunta isso para homem que faz o mesmo, né? Ah, tinha esquecido: as escolhas dos homens nunca são questionadas.

Eu tive cabelo comprido (ia até abaixo da bunda) até meus 16 anos. Minha família era crente e cortar o cabelo era pecado. Eu odiava meu cabelo comprido. Sofria bullying na escola.

Assim que eu pude cortei meu cabelo. A sensação foi ótima. Quando minha mãe me viu chorou de tristeza.

Anos depois conheci o feminismo. Hoje em dia cortar meu cabelo, pintar de cores diferentes e raspar é uma forma de me sentir dona de mim, do meu corpo e das minhas vontades. "Ah, mas os homens gostam de mulheres com cabelos compridos!". Homens, apenas calem a boca e morram.

Raspar meu cabelo significa: eu sou minha, foda-se o patriarcado e foda-se religião.

E tô linda pra caraleo. Me amando demais.
Beijo no ombro.


sábado, 5 de julho de 2014

Por que o feminismo é necessário?

Hoje uma mulher que foi minha vizinha por muito tempo faria aniversário. Fui professora do filho dela e ela foi amiga da minha irmã na adolescência. Ela morreu tem alguns anos já. Depois que teve filho ela engordou um pouco e depois que a criança nasceu, ela começou a fazer dietas e exercícios e em algum momento isso se transformou em anorexia. Ela ficou um tempo internada.
Nunca vou esquecer do dia em que ela saiu do hospital e foi correndo para a creche buscar o filho e matar a saudade. Ela era do meu tamanho (1,60) e estava com bem menos de 30 kg. Todos ficaram felizes em ver que ela estava melhor, mas o choque em ver ela tão magra foi grande. Logo ela foi internada de novo, a imunidade estava baixa e acabou morrendo. Foi muito triste, não tinha nem 30 anos.
Aí vejo as pessoas torcerem o nariz pro feminismo, dizendo que já temos igualdade, que as mulheres já podem trabalhar e votar. Mas eu vejo as mulheres infelizes com seus corpos, somos bombardeadas de todas as formas com padrões de beleza inalcançáveis. A sociedade machista não quer que emagreçamos, nunca seremos magras o suficiente. O patriarcado quer que as mulheres definhem e desapareçam.
E não é só o padrão de beleza que nos violenta e mata, todos os dias muitas mulheres são estupradas e um outro tanto assassinadas.  Ano passado foram 50.617 estupros no Brasil, segundo dados do IBGE e Sinesp. Um relatório de 2012 da Secretaria de políticas públicas para as mulheres informa que a cada 12 segundos uma mulher é espancada no Brasil e a cada 2 horas, uma mulher é assassinada. Todas vítimas de seus parceiros, ex-parceiros ou homens muito próximos. Todos esses relatórios afirmam que o número real é bem maior pois muitos casos não são reportados.
É por isso tudo que o feminismo é muito necessário sim, é preciso desconstruir urgentemente a ideia de que mulheres são objetos a serem possuídos por homens. O feminismo é necessário porque queremos viver sem medo, usufruindo dos mesmo direitos que os homens tem desde sempre.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Mudanças.

Eu não lembro quando foi exatamente que me tornei feminista loucona, ateia, não-monogâmica e demais "esquerdices".
Provável que o ateísmo veio primeiro. É certo que entendi muito mais do feminismo depois de certos acontecimentos bem pessoais.
O que eu sei é que ter me divorciado, saído da casa dos meus pais e ter vindo morar sozinha foi a melhor coisa que me aconteceu. Aqui nesse apartamento, me sentia um tanto sozinha e comecei a passar muito mais tempo na internet. E isso foi ótimo porque comecei a conversar com pessoas com ideias diferentes, comecei a ler coisas que até então eu só conhecia bem de longe.
A internet me possibilitou conhecer pessoas maravilhosas, totalmente diferentes do que eu era. Muitas pessoas de longe... amores e amizades lindas. E também acabei conhecendo gente de perto que se parece comigo.
Eu me tornei uma pessoa mais politizada e um tiquinho mais empática. Parei de falar muitas merdas que repetia sem refletir. Sei bem que ainda há um longo caminho a percorrer, muita coisa para desconstruir, mas me sinto feliz por ter repensado minhas "certezas" e mudado em tantos aspectos. Com certeza hoje me sinto bem mais feliz e forte, com todo o peso  e liberdade que isso tem.

Dito isso, Blumenazi já não é mais um lugar onde eu gosto de morar e a partir de agora começo a me organizar para ir embora daqui. Tô morrendo de medo, mas sei que vai ser lindo.
É isso, torçam por mim. :*

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Sobre greves, em especial a (nossa) greve dos servidores municipais de Blumenau.


A greve é um direito que toda pessoa trabalhadora possui. Historicamente tem se mostrado a única forma eficaz de conquistar direitos trabalhistas.
Nós servidores municipais estamos com nosso salário defasado em 30%, essa é uma dívida que se acumulou nos mandatos dos últimos prefeitos.
Atualmente o comprometimento da renda municipal com a remuneração dos servidores públicos é de 45%, segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal, o município pode comprometer até 55% da receita, ou seja: tem margem de quase 10% para conceder reajuste.

No final de 2012 os vereadores aprovaram um aumento de 35% nos próprios salários, que passou a vigorar em janeiro/2013, enquanto os servidores só ganharam o reajuste obrigatório da inflação (INPC).

Trabalhamos em escolas/unidades de saúde/etc sucateadas, sem estrutura e materiais adequados para realizar um trabalho de qualidade. As salas de aula estão super lotadas e a fila de espera de vagas para as creches só aumenta, para suprir a demanda é necessário construir o dobro do número de centros de educação infantil (CEIs) que temos atualmente. Não usufruímos de 1/3 de hora-atividade (período de estudos, sem alunos) conforme estabelece a lei federal e não estamos recebendo por estar mais tempo em sala de aula. Nosso vale-alimentação é de R$14,50 por dia. Você consegue se alimentar por um dia inteiro com esse valor?

Adicione a isso as ameaças que algumas chefias imediatas fazem aos grevistas, principalmente acts (admitidos em caráter temporário) e servidores em estágio probatório. Também existe o fato de que muitas pessoas da comunidade não apoiam a greve e não se interessam em procurar saber o que está acontecendo na política da cidade.

Creche não é serviço essencial, no entanto, como esse ano tivemos uma grande adesão das professoras dos CEIs à greve, dois sindicatos patronais (sim, descobri que existe isso, mddc!) e dois laborais enviaram uma carta à prefeitura dizendo que o o fechamento das creches durante a greve prejudica os demais trabalhadores. A carta pedia que 70% do atendimento fosse garantido.

Napoleão Bernardes na época da campanha eleitoral assinou uma carta-compromisso com os servidores, concordando em negociar as perdas salariais históricas. Quando era vereador ele sempre se manifestava apoiando o nosso movimento trabalhista, mas agora que é prefeito está fazendo totalmente o contrário do que prometeu.

Ano passado ficamos o ano inteiro acompanhando a construção e aprovação do PPA (Plano Plurianual) e da LOA (Lei Orçamentária Anual), pedindo ao prefeito e vereadores que incluíssem nosso reajuste durante esta gestão. Isso não aconteceu, o PPA e a LOA não contemplam nossas reivindicações.

Diante de tudo isso, percebemos que tentar negociar enquanto trabalhamos não funciona. É preciso paralisar os serviços, é preciso fazer greve, é preciso gritar que não estamos satisfeitos.

Podem nos chamar de vagabundos, petralhas e demais comentários rasos e ignorantes, continuaremos em greve e na medida do possível tentaremos esclarecer a população sobre os motivos que desencadearam a manifestação. Nossa luta é por melhorias no serviço público e isso se faz principalmente remunerando dignamente os servidores.

Napoleão apoiando os servidores em 2011: https://www.youtube.com/watch?v=x6w3ce-P228

Lei de Responsabilidade Fiscal: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp101.htm

Piso e hora-atividade: http://revistaescolapublica.uol.com.br/textos/27/piso-e-hora-atividade-261561-1.asp

e tem mais duzentos links por aí sobre tudo que falei.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Existem mulheres machistas?

Machismo é a ideia de que homens são superiores às mulheres. Patriarcado é o machismo estruturado na sociedade. Vivemos numa sociedade patriarcal/machista, ou seja: os homens são considerados superiores às mulheres, desde que nascem, em tudo, o tempo todo. Pra ficar mais claro, pense nas profissões ditas masculinas (engenheiro, médico, político, etc..) e lembre como são super valorizadas comparando com as profissões consideradas femininas (professora, cozinheira, etc...). Relembre também que tudo referente às mulheres é considerado bobagem e se um homem faz, é chamado de mulherzinha pelos demais homens. E claro, "mulherzinha" é xingamento, é algo vergonhoso. Coisas de mulherzinha: chorar, cuidar da aparência física, gostar de coisas românticas, etc. Perceba que foi a sociedade patriarcal que definiu os papéis de homens e mulheres e que tudo relacionado às mulheres é de menor valor, indesejado, motivo de humilhação e piadas.

Dito isso, mulheres também nascem na sociedade patriarcal, são ensinadas desde cedo a serem submissas e também a odiarem outras mulheres, afinal oprimido calado e isolado é a vítima perfeita. O patriarcado engana as mulheres, dizendo que se fizerem X, Y e Z coisas elas serão tão respeitadas e admiradas quanto os homens. Só que X, Y, Z são inatingíveis por razões óbvias: se as mulheres forem tratadas como iguais aos homens, não existirá mais opressão e os homens não serão mais os donos da bola. Obviamente esse jogo chamado patriarcado não foi feito para nós mulheres ganharmos. Então quando fazemos o que a sociedade machista ensinou, tipo chamar outra mulher de puta, ou dizer que mulheres são todas falsas ou ainda falar que a fulana mereceu ser estuprada porque estava de minissaia andando sozinha na rua a noite (certeza que tava pedindo!), ganhamos cookie e tapinha na costa. Os homens sorriem para nós e nos chamam de "boas garotas". Claro, estamos fazendo exatamente o que nos ensinaram. O que esquecemos é que amanhã nós seremos as julgadas, apontadas, humilhadas, violentadas, etc. Porque nunca uma mulher será boa o suficiente para o patriarcado, por mais santa e submissa que seja, em muitos momentos seremos lembradas que somos inferiores e nunca de forma gentil, como bem sabemos.

Isso tudo pra contextualizar esse rolê chamado vida na sociedade atual e dizer que uma mulher que reproduz machismo só está tentando ganhar cookie (na maioria das vezes é inconsciente), tipo aquele prisioneiro que entrega os parceiros pra ganhar algum benefício, sabe? Só que mulheres nunca ganham benefício nenhum, o cookie desaparece magicamente no próximo segundo, quando ela é a próxima a ser apontada e atacada. Então não, homens e mulheres não oprimem igualmente, pois mulheres nunca se beneficiam do machismo. Já homens se beneficiam até quando são super apoiadores do feminismo porque vivemos em uma sociedade que privilegia os homens.

sábado, 10 de maio de 2014

A sociedade patriarcal-consumista e o feminismo.

O consumismo é filho do capitalismo. O capitalismo é o irmãozinho do machismo-patriarcado.
Machismo é a ideia de que homens são superiores às mulheres. Ou seja: desde o nascimento (e até antes disso) os meninos vão aprendendo (através da família, da escola e da sociedade) que o seu mundo não tem limites, eles podem fazer o que quiser. Brincam com lego e vídeo-games, ouvem e assistem filmes de super heróis, são incentivados a explorarem sua sexualidade. Já as meninas ganham bonecas para irem "criando" seu instinto materno, ouvem e assistem histórias de princesas que são salvas por príncipes em cavalos brancos, aprendem a sentar de pernas fechadas, a falar baixo, a não falar palavrão. Lugar de menina/mulher é dentro de casa. O patriarcado ensina os meninos a serem fortes, durões e ensina as meninas a serem meigas e submissas. Ou seja: enche a bola dos meninos e destrói a autoestima das meninas.

Aí vivemos em uma sociedade patriarcal capitalista heteronormativa que incentiva o consumo. O consumismo diz que homens devem gastar seu dinheiro comprando um carro (propagandas de carros são sempre direcionadas aos homens) porque esse é um símbolo de poder e homens são poderosos, superiores. Com um carro você tem autonomia para ir aonde quiser (lembram da criação dos meninos?). O consumismo também vende bebidas alcoólicas e festas (onde mulheres tem entrada free, ou seja são usadas como iscas) para os homens se divertirem. A maioria dos espaços é dominada por homens e nem tô falando de política. Você vai em barzinhos, parques, clubes e a maioria das pessoas que frequentam são homens. Mulheres tbm frequentam esses espaços, mas dificilmente sozinhas ou acompanhadas apenas de outras mulheres.

O que o consumismo oferece às mulheres? Absorventes que as deixarão felizes, coisas para a casa e para os filhos e tem toda a indústria da beleza: você nunca está magra e bonita o suficiente, consuma nossos produtos.

Enquanto os homens gastam seu dinheiro com diversão, mulheres estão gastando com fórmulas milagrosas pra emagrecer, roupas e salão de beleza numa tentativa inútil de corresponder às expectativas do patriarcado capitalista-consumista. Querida, você tem que ser boa mãe, boa dona de casa, boa profissional e boa esposa. Você não tem tempo pra se divertir e muito menos pra refletir sobre o seu lugar nessa sociedade. Você é só uma mulher, insegura, feia e gorda. Sorte a sua se "conseguir agarrar" um homem que queira casar contigo. Se conseguir isso, você pode se considerar feliz e satisfeita, sua vida valeu a pena.

Aí vem o feminismo e diz à mulher: você é forte, seu corpo é seu, você pode fazer o que quiser com ele e com sua vida. Você não precisa de um homem para viver bem e ser feliz. Fodam-se o os padrões de beleza, as outras mulheres são tão vítimas desse sistema escroto quanto você e isso que sempre te disseram, que mulheres são rivais é mentira. As mulheres começam a refletir, a desconstruir o papel de gênero que foi imposto à elas, vêem com outros olhos as outras mulheres e de repente se sentem fortes e muito indignadas. Precisamos mudar isso, tá tudo errado! Não é nesse tipo de sociedade que queremos viver, também somos gente, queremos fazer nossas escolhas, sem pré-determinismo babacas.

E então conseguimos entender porque o feminismo é tão odiado principalmente pelos homens. Feminismo empodera, feminismo traz revolta, dá voz para quem aprendeu que deveria ficar calada e aceitar tudo que lhe é imposto.

A sociedade patriarcal consumista tem razão em odiar as feministas. Vamos sim destruir essa bosta toda e não vai ser pedindo "por favor, parem de nos oprimir". Vai ser com tiro, porrada e bomba. Avante, mulheres!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

PUC-Campinas e o racismo.

Hoje estou aqui para compartilhar com vocês um texto-relato de uma amiga, que é a única mulher negra bolsista da PUC-Campinas. Stephanie conta sobre o racismo gritante, as ameaças e agressões que tem sofrido desde que ingressou no curso de Arquitetura e Urbanismo.
Vale muito a leitura, principalmente se você é daqueles que afirma que racismo não existe.



sexta-feira, 2 de maio de 2014

Liberdade

Freedom, de Zenos Frudakis

A escultura Freedom, do artista Zenos Frudakis, localizada na sede mundial da GSK (GlaxoSmithKline), na Filadélfia, Pensilvânia, é um hino à luta pela liberdade. De acordo com o artista, em seu site pessoal, “a composição se desenvolve da esquerda para a direita, começando com uma espécie de múmia/morte como figura cativa. No segundo quadro, a figura, que lembra Rebellious Slave, de Michelângelo, começa a se agitar e luta para escapar. A figura no terceiro quadro rasgou-se do muro que o mantinha cativo e está saindo, chegando para a liberdade. No quarto quadro, a figura é inteiramente livre, vitoriosa, os braços estendidos, completamente afastada da parede. Ele evoca uma fuga da sua própria mortalidade.”

domingo, 13 de abril de 2014

Sobre a minha não monogamia.

Há dois anos atrás tive o primeiro namoro aberto. Eu ainda tinha muito ciúme, mas ok, vamos ser livres. Foi bacana, mas terminou. As trepadas ocasionais ainda acontecem e são ótimas.
Nesse tempo todo passei a conviver cada vez mais com pessoas não monogâmicas, me relacionei/me relaciono com algumas e o ciúme foi diminuindo.

Um belo dia eu percebi que mesmo tendo relações não-monogâmicas eu ainda "sonhava com alma gêmea" e achei isso um absurdo. Mas é perfeitamente compreensível, somos ensinados que a monogamia é o único caminho certo e possível. E eu tive uma educação religiosa (evangélica das mais radicais) e pra completar li tipo uns 200 sabrinas e júlias na minha adolescência. É, é tenso, eu sei. E desconstruir isso tudo não leva três dias, infelizmente.

Nesses dois anos conheci pessoas incríveis e outras nem tanto. "O mundo" da não monogamia também não é perfeito, claro. Mas pra mim é o mais acertado e feliz e é o que está em paralelo com os meus outros posicionamentos políticos libertários. Eu acredito que o pessoal é político.

A Katyane de hoje é uma pessoa completamente diferente da Katyane de 2012, ainda bem! Não sonho mais com alma gêmea, me relaciono com pessoas ótimas e não sinto necessidade alguma de rotular as relações e muito menos de ter acordos. Quando uma das pessoas com quem me relaciono (e sim, sou apaixonada por todas) se apaixona e se relaciona com outra pessoa, eu fico feliz por ela, é lindo o amor surgindo, se espalhando, é lindo conhecer novas pessoas e amá-las. E isso tudo faz eu me sentir extremamente feliz comigo mesma, porque me livrei do ciúme, esse sentimento tão nocivo.

Estou em paz e feliz comigo e isso é a melhor coisa que eu poderia desejar pra mim.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Estupro: de quem é a culpa?

Eu não gosto de compartilhar notícias violentas, mas depois de ler o resultado da pesquisa do IPEA, onde 65% dos entrevistados disseram que haveriam menos estupros se as mulheres "soubessem se comportar", percebi o quanto é importante mostrar essas notícias.

50 mil mulheres são estupradas por ano no Brasil. Isso derruba o mito de que estuprador é um maníaco, doente mental ou algo do tipo.

Estupradores são os filhinhos bem alimentados do patriarcado, que cresceram com a certeza de que são donos do mundo e que o corpo da mulher é algo público e que eles podem fazer conosco o que bem quiserem. Isso inclui chamar uma desconhecida que passa na rua de gostosa, embebedar a amiga e estuprá-la enquanto ela está desacordada e também forçar a parceira a ter relações sexuais.

Estuprador não é um monstro. É um vizinho, um "amigo", um primo, um tio, um namorado/marido ou um pai. É alguém que está próximo, é um homem machista que não vê a mulher como ser humano semelhante e sim como ser inferior, sem vontades próprias, que existe apenas para satisfazer as vontades do homem em questão.

Quanto ao que disseram na pesquisa, que mulheres "provocam", só quero lembrá-los de que no Afeganistão, as mulheres usam burca e lá os índices de estupros são ainda maiores que aqui, ocorrem inclusive estupros coletivos. Na Arábia Saudita, onde as mulheres também usam burca, estão dizendo que o rímel das mulheres é que motiva o assédio.



Então, fica apenas duas coisas: parem de culpar a mulher e parem de estuprar.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Você é o que você come.



Essa imagem ilustra bem a minha escolha em não comer mais carne. Tomei essa decisão olhando meus gatos, pensando no quanto eu amo essas criaturinhas e que em alguns lugares do mundo, as pessoas comem gatos. E eu nem poderia achar ruim, se como (comia, na verdade) porquinhos, frangos e boizinhos lindos e igualmente fofinhos.
É, eu sou a favor da vida, dessa que já existe, vive e morre em condições horríveis apenas para a satisfação do nosso paladar. Então parei de consumir cadáveres e estou muito bem assim.

A imagem é do artista gráfico polonês Pawel Kuczynski, que trabalha com temas críticos como desigualdade social, trabalho infantil, guerra, meio ambiente e ativismo ecológico, etc. Descobri ele através desse link.

sábado, 22 de março de 2014

Violência contra a mulher, não é a vida que a gente quer!

Essa semana foi trevas para nós mulheres.
1. Cláudia da Silva, negra e pobre, mãe de 4 filhos foi baleada pela PM e arrastada por policiais militares em sua viatura, que estavam """socorrendo""" ela. Eles colocaram ela no porta-malas do carro para levarem ela ao hospital (???). Os assassinos já estão em liberdade. - Domingo.


2.. Menina de 11 anos foi estuprada pelo cunhado em Itajaí (SC). Ele tinha ficado responsável de levar ela pra escola, mas levou-a pra um matagal, ameaçou ela com uma faca e a estuprou. O estuprador está preso. - Segunda-feira.

3. Uma mulher de 30 anos foi estuprada no metrô. O estuprador confessou o crime e disse que "Infelizmente foi um fato que aconteceu. Estava muito apertado no trem e eu não aguentei." Como se estuprar fosse uma necessidade fisiológica igual urinar ou defecar.

4. Um casal de adolescentes foi filmado por terceiros enquanto faziam sexo na biblioteca de uma universidade em Blumenau (SC). Só a menina foi zoada, insultada e humilhada. Não sei quais foram as medidas tomadas pela universidade, mas ficaremos em cima até que tomem posicionamentos no sentido de proteger e amparar mulheres que sofrem violência. Disciplina sobre gênero em todos os cursos de graduação já!

5. Uma mulher foi estuprada e espancada com a filha de 2 anos (que estava inconsciente quando encontrada) nos braços, em Lages (SC). A mulher está em coma e a criança está no hospital infantil. - Quinta-feira.

6. Duas meninas de 13 e 14 anos foram estupradas em Balneário Camburiu (SC) na quinta-feira também. O estuprador não foi encontrado.

7. Mulher de 19 anos andava pela rua e foi arrastada por um homem para o matagal e estuprada. O estuprador foi preso mas já está liberado, vai responder em liberdade. Blumenau (SC). - Quinta-feira.

8. Uma menina de 16 anos está grávida e desesperada. Nenhum dos conhecidos a acolheu ou amparou. Ela precisa de um aborto. Aborto legal e gratuito já!


9. Hoje acontecerá em várias cidades a marcha da família com deus pela liberdade, que pede intervenção militar. Qualquer coincidência com a marcha de mesmo nome que ocorreu em 1964 e nos deu a horrorosa ditadura militar. Fico aqui pensando se as pessoas que irão participar da marcha irão lembrar dessas mulheres e de outras tantas que são estupradas, violentadas e assassinadas todos os dias.


Tá foda, tá triste e parece que só piora. Onde estão as políticas públicas para as mulheres?

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