quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Pixação é vandalismo?



Quem decide o que é vandalismo?
Eu amo arte de rua e acho importante até mesmo a pixação, rabiscos que só tem significado para quem fez. A subversão pela subversão é válida para quem faz, como forma de expressar/extravasar frustrações e para quem vê, acho que abre possibilidades. Possibilidades do tipo: "poxa, nem todo mundo tá na caixinha, nem todo mundo segue a regra. De repente, em algumas coisas eu também não preciso seguir a manada." Acho que gera, entre outras coisas, inquietação.
Eu vejo a pixação/ grafitti/ lambe-lambe e etc, como sementinhas de ideias, como pulga atrás da orelha. Interrogações, reflexões... Alguém está mostrando que não está satisfeito com a porra toda. Alguém está correndo riscos para passar a sua mensagem.
Acho lindo, acho massa, acho 10!

Assisti o documentário Pixo, que super recomendo, e transcrevi algumas parte que achei interessantes.

"Pixação é arte. É o nosso sentimento. Sentimento que ninguém quer ver, que todo mundo fecha os olhos, ninguém quer prestar atenção na gente." (By Menina linda pixadora da periferia.)

"Pixação é da periferia, vc vê poucos playboys fazendo pixo. Existem 3 motivos que fazem as pessoas pixarem:
1º reconhecimento social.
2º lazer e adrenalina.
3º protesto." (um cara do documentário.)

Aí esses dias, vi gentes e páginas do facebook que se dizem revolucionárias/ de esquerda e talicoisa compartilhando essa imagem: 

Então quero pedir que reflitam comigo:
- Vocês sabem que a pixação veio da favela como uma forma de expressão, de protesto porque as pessoas da periferia são ignoradas pelo governo e pela sociedade. O pixo é uma forma de sair da invisibilidade e é para muitos uma forma de diversão.

- Livros são importantes? Eu acho, mas falo aqui do meu apartamento tranquilinho e tals. Livros fazem sentido na minha vida porque pra mim, que quando criança apenas estudava e que atualmente não preciso defender minha vida todo dia, seja de traficante ou PM, tive tempo pra ler e entrar num mundo onde os livros são importantes. Mas essa é a minha vivência, muitas pessoas desse país não tem a mesma sorte, o mesmo privilégio.

Eu não tenho propriedade alguma pra falar da vida na favela, o que sei vem dos relatos que ouço, dos documentários e filmes. De qualquer forma, acho que devemos ter empatia: tratar todos como seres humanos (pessoas da favela e mendigos são gente como vc, saca?) e respeitar suas formas de expressão. Porque o pixo é uma forma de expressão. O pixo é a voz da favela e a favela não tem que se calar. 


Importante dizer que pixação/grafitti/lambe-lambe/etc dá vida à cidade. Uma cidade sem essas coisas é lugar de gente morta (leia-se pessoas sem expressão, passivas, submissas, alienadas, etc.)




Quem quiser saber mais sobre pixação, recomendo o documentário PIXO:
http://www.youtube.com/watch?v=SW-h8w2Slhw&hd=1

Um comentário:

  1. Gosto muito de grafite, o túnel de Porto Alegre ficou massa com os grafites feitos essa semana. Mas não gosto da pichação, pois para gostar eu não poderia me importar se minha própria casa fosse pichada, mesmo se recém pintada. Lembro sempre de uma vez que estava em Camboriú e vi um senhor pintando sua casa para no dia seguinte estar pichado: Vai ter que pintar de novo.

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Um pouco de você... "se abra", se entregue...sou toda ouvidos e olhos, a seu dispor!

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