quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Sobre o app Lulu.

Antes de tudo, é redundante porém necessário dizer: o que vou falar aqui é a minha opinião.
Dito isso, prossigamos. Para quem não sabe, o Lulu é um aplicativo que se conecta ao facebook e permite as mulheres (apenas nós) avaliarmos os homens (que tem perfil no FB). A avaliação é anônima, mas você pode  dizer se é amiga, namorada, se já pegou/quer pegar, se é parente ou etc..

Acho o Lulu um tanto machista pois coloca coisas como "pagar a conta" como qualidades que os homens devem ter. Já sabemos o que o cavalheirismo significa. No mais, o aplicativo é bem light, vc avalia de forma bem superficial o primeiro beijo, sexo, senso de humor do cara, se ele é fiel (aí já não cabe para os não-monogâmicos) e esse tipo de coisa.


Eu baixei o app pra zoar os caras mesmo. O que eu tenho pra dizer para as pessoas com quem me relaciono, sempre digo... eu sou sempre a chata que adora conversar sobre a relação. Vi no Lulu uma forma de fazer os homens se sentirem desconfortáveis. Homens, esses seres que são mais respeitados apenas por serem do gênero masculino, sabe?

Aí vi mil chorumes sobre "mimimi essa guerra dos sexos é boba, não existe na vida real", "mimimi só pessoas sádicas fazem isso e por aí vai". Sinceramente? Quero mais é que os homens se ferrem e se ferrem bastante porque mesmo assim (no naipe do Lulu) não vai ser nada comparado ao que nós mulheres passamos.


Desde que nascemos a sociedade vai nos ensinando o que ela espera de nós: que sejamos lindas, com corpo perfeito e que sejamos submissas aos homens. Se ousarmos querer ter uma carreira, até podemos, desde que a casa esteja limpa, os filhos muito bem cuidados, o maridão satisfeito sexualmente e a aparência 100%. Claro que nem assim seremos boas o suficiente. Quem nunca viu portais de informação dizendo que a atleta X jogou muito bem, mas tava com a depilação em atraso? Sempre existe um MAS gigante para nós mulheres. Somos julgadas e avaliadas do pé a cabeça em todos os lugares, o tempo todo. Na nossa sociedade patriarcal somos vistas como objetos públicos, qualquer um pode, além de expressar sua opinião sobre nós em voz alta, nos tocar e fazer o que quiser com nosso corpo.

 E isso não é pira minha de feminista. Só ano passado tivemos 50 mil casos de estupros (REGISTRADOS) no Brasil. Só nesse ano (que ainda nem terminou) 1.800 mulheres morreram, vítimas de feminicídio (violência de gênero). A violência é um problema masculino porque a sociedade ensina os meninos a se tornarem homens violentos. A culpa não é das mulheres, nunca! E é ridículo dizer que ao usarmos um aplicativo como o Lulu estamos nos comparando ao pior dos homens. Nunca. Não tem como. Uma brincadeira dessas não mata ninguém, não oprime, é inofensiva. Já o machismo mata. Todo dia!




quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Depilação é uma escolha?

 Trilha sonora para ler esse texto (o clipe é ótimo também):

 É comum não refletirmos muito sobre coisas simples e rotineiras da nossa vida. Vez ou outra eu acabo prestando um pouco de atenção nessas partes da minha vida que estão no automático. Sendo feminista, mais cedo ou mais tarde eu teria que pensar em depilação, principalmente porque acredito muito que o pessoal é político.

  Logo que comecei a ler sobre feminismo, vi um texto que me marcou bastante: "Depilação é a burca brasileira". Esse texto me pegou de uma forma que eu não tive argumentos pra invalidá-lo, era totalmente verdadeiro. Tentei lembrar de quando comecei a me depilar e não consegui... provavelmente foi no início da adolescência, logo que mais pelos começaram a nascer. O que não esqueço é de um corte feio que fiz com a lâmina na minha perna, por ainda não saber muito bem como me depilar.

  Depois de concordar que a depilação é uma imposição da nossa sociedade, tentei nem pensar muito no assunto, imagina: alguém que não se depila deve sofrer com os comentários alheios. Mas cada vez que eu me depilava, acabava, mesmo sem querer, pensando nisso tudo, porém continuava adiando uma reflexão mais profunda sobre o assunto.

  Fui lendo mais textos sobre depilação e um dia pensei: ah, estou com preguiça mesmo, não vou depilar minhas pernas. E assim fiquei. Depois decidi: só vou depilar minhas pernas novamente quando eu me sentir tranquila com meus pelos, porque aí sim será uma escolha: consigo viver de boa com pelos, consigo viver de boa sem pelos. Os pelos estão nas minhas pernas... deve ter mais de dois meses. Não vi ninguém olhando torto ou falando qualquer coisa e eu já não me sinto mais tão incomodada como estava no início. É um processo de desconstrução.

  Acho muito interessante como nos dizemos livres e donas de nossas vidas, mas se depilar é uma obrigação para ser limpa, linda e desejável, segundo nossa sociedade. Depilação é um dos requisitos para ser considerada feminina e estar dentro do padrão estético desejável (desejável pra quem?). Eu não gosto de padrões, padrão é uma caixa muito pequena e estreita, não é qualquer um que cabe nela. Geralmente eu não caibo.

  As perguntas veem a mente: por que você se depila? para quem? isso te faz se sentir mais bonita? por que? Você acha mesmo que depilação é sinônimo de higiene? Qual a importância que a depilação tem na sua vida?

  Vamos pensar e conversar... estamos juntas nessa!
E antes que digam qualquer coisa, eu não sou contra depilação, só acho que é importante refletir sobre o motivo de fazermos certas coisas.

Outros textos interessantes sobre o tema:

Depilação, quero ou tenho que fazer?

Como sobrevivemos até agora sem a depilação artística?

Pelos, tê-los ou não tê-los?

A escravidão da aparência: o machismo invisível.

Sessões de depilação: método de tortura misógino.




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