domingo, 20 de outubro de 2013

Eu e meu corpo: uma relação que já teve muitas DRs.

Eu era uma criança magrela que não gostava de comer e era bem seletiva com alimentos (no bom português: era enjoadinha mesmo!) Minha mãe vivia reclamando que eu comia pouco e dá lhe suco de beterraba e biotônico fontoura. Um belo dia eu cansei de tantas reclamações e comecei a me forçar a comer mais. E passei a gostar de comer. De criança magrela passei a adolescente "normal", aí acharam que eu comia demais e mandavam parar. Difícil agradar a família, viu?!

Mesmo quando era criança eu não me achava bonita, com a adolescência isso continuou. Eu me achava gorda (mesmo não sendo) e entrei no "extraordinário" mundo das dietas. Dieta das frutas, das torradas, das sopas, da lua e sei lá mais o quê. Engordava, emagrecia... num eterno iôiô que dura até hoje. Depois que casei engordei um pouco mais (tipo uns 15 kg) e aí me sentia horrível mesmo. Mais dietas, tentativas de reeducação alimentar, musculação,body jump, caminhadas e meio que inconscientemente a certeza de que eu nunca teria o corpo que queria ter. Leia-se corpo de capa de revista, estilo nova e boa forma, que eu consumia avidamente.

Emagreci quando me divorciei e tive que arrumar um segundo emprego. Depois emagreci mais um pouco quando vim morar sozinha e mais um pouco quando fiz muay thai. Não sei exatamente quando aconteceu, mas simplesmente deixei de me preocupar tanto com meu peso. Ah sim, lembrei: foi quando conheci o feminismo. Parei de ler revistas que pregam que eu mulher só serei feliz se tiver aquele corpo da capa (mulher branca, classe média que tem tempo e dinheiro para fazer X dietas, Y exercícios, Z plásticas, que usa tais cremes, perfumes, roupas... um etc sem fim) e claro, tudo isso para encontrar o homem dos meus sonhos (???) e poder mantê-lo interessado praticando o guia lacrado de sexo exclusivo da revista.


E eu chorei. Às vezes ainda choro porque a minha maior ambição enquanto mulher é ser vista como gente, pessoa mesmo, sabe? Essa coisa de ser bibelô (sexo frágil, histérica e blablablá) e/ou objeto sexual (pq a gente existe unicamente para satisfazer as necessidades masculinas) é tão opressora que nos faz focar nossa vida unicamente em ter uma ótima aparência e esquecemos de ser felizes. Foi percebendo esses role que passei a odiar menos meu corpo. Parei de olhar no espelho e procurar espinhas, cravos, estrias, celulites, gordurinhas. Cada vez que olho no espelho me imagino olhando uma obra de arte em uma galeria e fico ali me admirando. Claro que não é tão simples quanto parece, às vezes quando percebo já estou me criticando, mas logo percebo e mudo para a contemplação.

O feminismo me fez perceber que posso ser feliz com o corpo que tenho, que me amar é a coisa mais linda que posso fazer por mim mesma. Tenho vivido melhor, em paz com meu corpo. Tenho algumas ambições: ter uma alimentação mais saudável e voltar a fazer muay thai, que é uma atividade física muito gostosa. Final da história: fiz as pazes com a balança!



E esse é o meu pedido para todas as mulheres: amem seus corpos como se não houvesse amanhã!

Todas as imagens foram retiradas de: http://negahamburguer.blogspot.com.br/p/quadrinhos.html
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Também recomendo as lindas imagens da Carolina Folego.

E se quiser, dê uma olhadinha em:
Conselhos para um mulher preocupada com seu corpo.
Comece uma revolução: ame seu corpo.
Batalha dos corpos.
Nu real.
Apartamento 302 (mulheres reais, beleza real).

Um comentário:

Um pouco de você... "se abra", se entregue...sou toda ouvidos e olhos, a seu dispor!

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