segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Vambrincá?

 Sou professora de educação infantil desde os meus 16 anos. Fiz 2 anos de magistério, 3 anos e meio de Pedagogia, 9 meses de pós em Arte na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental e sempre participo de cursos de foramção continuada. E sim, acho o ensino ~formal~ muito importante mas (sempre tem um MAS, né?!) a minha prática pedagógica melhorou exponencialmente depois que li 3 livros.

 Antes de falar sobre esses livros, quero dizer que existem teóricos maravilhosos (alguns difíceis de ler) que também são muito importantes, tais como Wallon, Vygotsky, Piaget, Foucault, Montessori, Paulo Freire, Ana Mae Barbosa, Kishimoto, Luciana Ostetto, Teca Alencar de Brito, Murray Schaffer, etc. Não domino completamente a teoria de todos os citados, mas conheço um pouco de cada um e eles contribuem muito para entender o desenvolvimento infantil e também o que a escola pode fazer para estimular esse desenvolvimento.

 Quando estava na faculdade, tive que escrever um artigo sobre a educação infantil. Decidi pesquisar sobre a importância do brincar. Até então, eu sabia que o brincar era a atividade principal da infância. Até aí nada demais, eu trabalhava com crianças pequenas (0 a 5 anos) e sabia que elas gostam muito de brincar. No centro de educação infantil a brincadeira tem bastante espaço, mas eu via os momentos das brincadeiras como uma atividade livre, como se fosse um recreio. E depois teríamos as 'atividades', as coisas ~sérias~ e planejadas, das quais todas as crianças deveriam participar.

"O brincar frequentemente é visto como o oposto do trabalho".

 Foi então que conheci "A excelência do brincar" e "Só brincar? O papel do brincar na educação infantil."  da Janet Moyles. E foram esses livros que me deram trocentos tapas na cara, me jogaram na parede e me chamaram de lagartixa. Cheguei na sala de aula no outro dia totalmente perplexa. Minha mente a mil, como assim eu tinha ignorado que o brincar é a coisa mais importante para as crianças? e que elas aprendem muito brincando?


"O que a maioria dos adultos deixa de reconhecer é exatamente quanto eles próprios brincam em sua vida adulta, e a menos e até que possamos aceitar esse brincar e valorizá-lo em suas muitas formas, será difícil para alguém valorizar o brincar das crianças como algo além de uma atividade ociosa."

 A partir daí revi toda minha prática e principalmente minha postura enquanto professora. Passei a observar mais as brincadeiras e a participar sempre que fosse possível, tomando o cuidado para não ser intrusiva/intimidadora e também para não ser a protagonista da brincadeira. Passei a incluir as brincadeiras nos meus planejamentos. Comecei a mudar a disposição dos móveis e brinquedos da sala, criando cantinhos (da casinha, da leitura, das artes, etc) que eram alterados sempre que necessário. Claro que temos atividades inciadas por mim, como leitura de histórias, pintura e desenho com materiais diferentes, circuito de obstáculos entre outras, mas participa quem quer e sempre que possível, pelo tempo que desejar. 


"As crianças não devem ficar cercadas pela fala do adulto ou dominada por instruções, mas devem ter liberdade de ação para desenvolver as próprias ideias e ter sucesso ou para fracassar. [...] Se os adultos já observaram o brincar das crianças, eles saberão o tipo de nível em que elas estão funcionando e poderão adequar sua participação ao nível certo."

 Ao mudar a minha visão sobre o brincar, percebi na prática o quanto as crianças aprendem enquanto brincam. Também pude conhecer mais sobre elas, a forma como percebem a si mesmas, suas famílias, a escola, enfim, suas relações. Conforme fala Friedmann: “o brincar é uma linguagem da criança uma forma de comunicação não consciente por meio da qual ela expõe como sente, percebe e vê o mundo”.

 Esses dois livros mudaram muito minha vida profissional e a forma como vejo a infância. Sobre o outro livro falarei na próxima postagem.

 E vocês, que experiências tem com o brincar das crianças (alunos, filhos, irmãos, sobrinhos, netos) com as quais convivem?



 

4 comentários:

  1. Ba, gora guria!

    É por aí mesmo. Por-se ao nível deles. É o que faço, apesar dos meus 57, e por isso a criançada me adora, digo isso, pois percebo e sinto.

    Beijo

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    Respostas
    1. Exatamente, saber ser/estar com uma criança é muito bom e nos ensina muito!

      Beijo.

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  2. Legal seu texto, interessante que ontem fiquei maravilhado com um vídeo no excelente blog "Entre Aspas" (http://lyani.wordpress.com/) onde aparecem crianças brincando e contando histórias.

    Brincar é um direito inalienável das crianças, e deveria ser também importantíssimo para os adultos (gosto mais de gente que sabe brincar).

    Bjos

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    Respostas
    1. Muito bacana o vídeo, esse projeto do Itaú é incrível!

      E sim, pessoas que brincam são mais interessantes!

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Um pouco de você... "se abra", se entregue...sou toda ouvidos e olhos, a seu dispor!

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