sábado, 28 de setembro de 2013

Aborto, esse tema tão polêmico!

   Quando se fala em aborto, logo começa o debate de quem é a favor ou contra. Como se o útero das mulheres fosse um bolão ou uma questão de prova escolar onde você assinala qual a alternativa correta. Na prática a coisa se desenrola da seguinte forma: o 'direito' ao aborto (aqui no Brasil, onde ele é considerado crime, exceto nos casos previstos em lei.) depende de quanto você tem na sua conta bancária. Uma mulher que tem dinheiro, vai numa boa clínica, paga 4 ou 5 mil e pronto, questão resolvida. Mulheres pobres, obviamente não tem esse dinheiro e acabam morrendo ao fazer o procedimento em clínicas precárias. A cada dois dias uma mulher brasileira morre por aborto inseguro.



   Muitas pessoas imaginam que todas as mulheres que abortam são "promíscuas, prostitutas e sem deus no coração" (que fique claro que sou a favor de que cada um faça da sua vida o que quiser!), uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde mostra que a mulher que aborta no Brasil (perfil médio) tem entre 20 e 29 anos, é casada, tem pelo menos um filho, é católica, tem até oito anos de estudo e usa algum método contraceptivo. Sim, contraceptivos falham!

Quem é a mulher brasileira que aborta?

  Aborto não é uma questão de opinião e sim de saúde pública. Nos países onde o aborto foi legalizado, acabou a mortalidade de mulheres que abortam e a quantidade de abortos diminuiu também. (vide exemplo do Uruguai.)

Foto de um aborto de 6 semanas. Não é como vc vê na tv, né?


  Pra finalizar deixo vocês com George Carlin, humorista norte-americano, falando sobre o aborto.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Qualé a dos desenhos estereotipados?

     Na última postagem falei sobre dois livros que foram responsáveis por grandes mudanças na minha prática pedagógica, até hoje, afinal sempre tem livros mexendo com nossas convicções. Hoje vou falar sobre o terceiro livro que também me deu o que pensar e foi amor desde a primeira linha.
     A criança e sua arte de Viktor Lowenfeld, de 1977, é um livro direcionado a pais e mães, mas pode, e deve, ser muito bem aproveitado por professoras, principalmente da educação infantil e arte-educadores. O livro, e outros artigos que encontrei, fala sobre os desenhos prontos (estereotipados) que muitas vezes ensinamos as crianças a desenhar ou entregamos para elas colorirem, livros com desenhos para colorir, por exemplo. Sol redondinho com raios simétricos, casinha, árvore, boneco palito, etc, são alguns dos muitos desenhos estereotipados que existem... Aparentemente esses desenhos são inofensivos e a maioria das pessoas acha eles bonitinhos, mas será isso mesmo?
     "A criança direcionada demais, que recebe modelos prontos do adulto para colorir ou para copiar, perde a autoconfiança que deveria desenvolver em face de suas próprias soluções gráficas. Seu desenho torna-se estereotipado, mais padronizado e menos criativo. A criança perde um valioso meio de expressão, e Artes torna-se mais uma tarefa a ser executada, uma técnica a ser aprendida." (Camargo, 1989)
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     Os desenhos estereotipados limitam a criatividade artística das crianças. E mais: nós entendemos que arte é uma linguagem, uma forma de expressão; então ao colorir um desenho pronto/estereotipado, como a criança vai se expressar? Lowenfeld cita o exemplo do desenho de um cão para colorir. Suponhamos que em uma turma de 25 crianças, todos ganhem o mesmo desenho para pintar. Algumas crianças gostam de cachorros, outros tem medo, outros tem raiva. Algumas crianças tem pinscher de estimação, outros tem um labrador... e por aí vai. Como a criança vai conseguir expressar sua relação com cachorro num desenho pronto? Impossível!
     É aí que muitos defendem: "ah, mas é importante as crianças pintarem esses desenhos prontos para aprenderem a respeitar o contorno, os limites das figuras". Foi comprovado através de pesquisas (que Lowenfeld cita no livro) que isso não é verdade: a maioria das crianças não respeita os limites do desenho pronto. Elas se sentem muito mais motivadas quando fazem os seus próprios desenhos e aí vão colori-los. E de qualquer forma, mais cedo ou mais tarde as crianças aprenderão a "respeitar os limites" dos desenhos. 
     É comum as pessoas quererem ensinar crianças bem pequenas (0 a 3-4 anos) a desenhar, no entanto,  nessa idade a coordenação motora da criança está em desenvolvimento. Elas adoram pegar canetas e tintas, gostam das marcas que conseguem deixar no papel, mas nessa faixa etária não estão pensando em representar algum objeto ou pessoa. Na verdade, se você disser a uma criança de 2 anos "vamos desenhar uma laranja", caso soubesse argumentar, ela diria algo mais ou menos assim: "mas laranja é de comer, não de desenhar. Como posso desenhar uma laranja?"
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     Quando a criança tiver sua coordenação motora mais desenvolvida e perceber, no seu tempo, que os movimentos que faz com o braço enquanto segura a caneta tem relação com os traços que vão aparecendo no papel, ela vai começar a desenhar com intencionalidade. Provavelmente começará com círculos e logo estará desenhando figuras humanas e o que mais sua imaginação permitir.
     É importante dizer que todas as fases do desenvolvimento infantil devem ser respeitadas, apesar de os estágios de desenvolvimento serem estabelecidos por idade, cada criança tem seu próprio ritmo. Se ela viver em um ambiente onde é amada e respeitada, certamente se sentirá segura para experimentar e criar.

     Quando compreendi que desenhos prontos não são uma boa ideia, fiquei pensando: poxa, mas quero contribuir de alguma forma para que o aluno se expresse artisticamente, o que fazer? E aí pesquisei, pensei e agora tenho um método básico para usar nesses momentos. Incentivo a criança a observar. Vamos supor que uma criança de 4 anos queira desenhar uma árvore, mas ela diz: "não sei desenhar uma árvore". Se for possível, eu a levo para passear e observar as árvores que estão no caminho. Chamo a atenção dela para os diferentes tipos de troncos, galhos, folhas, as diferentes cores, etc... se ela puder tocar a árvore ou ver suas folhas balançarem com o vento, melhor ainda. Caso não seja possível esse passeio, ajudo ela a encontrar figuras de árvores em revistas, livros e internet. Assim o repertório de experiências e sensações estéticas da criança se amplia e quando for desenhar, certamente ela terá muitas referências de como pode ser uma árvore. Mais ainda, ela pode criar sua própria árvore, guiada por sua imaginação e criatividade!

Quer saber mais sobre esse assunto? Recomendo os seguintes textos:

Arte e crianças: é possível libertá-las dos esterótipos? 
Desenhos estereotipados: um mal necessário ou é necessário acabar com esse mal? 
Pequenos artistas. 
Perigo: coelho pronto para colorir.
Flor vermelha do caule verde. 
Crianças retratam abusos que sofreram em série de desenhos.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Vambrincá?

 Sou professora de educação infantil desde os meus 16 anos. Fiz 2 anos de magistério, 3 anos e meio de Pedagogia, 9 meses de pós em Arte na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental e sempre participo de cursos de foramção continuada. E sim, acho o ensino ~formal~ muito importante mas (sempre tem um MAS, né?!) a minha prática pedagógica melhorou exponencialmente depois que li 3 livros.

 Antes de falar sobre esses livros, quero dizer que existem teóricos maravilhosos (alguns difíceis de ler) que também são muito importantes, tais como Wallon, Vygotsky, Piaget, Foucault, Montessori, Paulo Freire, Ana Mae Barbosa, Kishimoto, Luciana Ostetto, Teca Alencar de Brito, Murray Schaffer, etc. Não domino completamente a teoria de todos os citados, mas conheço um pouco de cada um e eles contribuem muito para entender o desenvolvimento infantil e também o que a escola pode fazer para estimular esse desenvolvimento.

 Quando estava na faculdade, tive que escrever um artigo sobre a educação infantil. Decidi pesquisar sobre a importância do brincar. Até então, eu sabia que o brincar era a atividade principal da infância. Até aí nada demais, eu trabalhava com crianças pequenas (0 a 5 anos) e sabia que elas gostam muito de brincar. No centro de educação infantil a brincadeira tem bastante espaço, mas eu via os momentos das brincadeiras como uma atividade livre, como se fosse um recreio. E depois teríamos as 'atividades', as coisas ~sérias~ e planejadas, das quais todas as crianças deveriam participar.

"O brincar frequentemente é visto como o oposto do trabalho".

 Foi então que conheci "A excelência do brincar" e "Só brincar? O papel do brincar na educação infantil."  da Janet Moyles. E foram esses livros que me deram trocentos tapas na cara, me jogaram na parede e me chamaram de lagartixa. Cheguei na sala de aula no outro dia totalmente perplexa. Minha mente a mil, como assim eu tinha ignorado que o brincar é a coisa mais importante para as crianças? e que elas aprendem muito brincando?


"O que a maioria dos adultos deixa de reconhecer é exatamente quanto eles próprios brincam em sua vida adulta, e a menos e até que possamos aceitar esse brincar e valorizá-lo em suas muitas formas, será difícil para alguém valorizar o brincar das crianças como algo além de uma atividade ociosa."

 A partir daí revi toda minha prática e principalmente minha postura enquanto professora. Passei a observar mais as brincadeiras e a participar sempre que fosse possível, tomando o cuidado para não ser intrusiva/intimidadora e também para não ser a protagonista da brincadeira. Passei a incluir as brincadeiras nos meus planejamentos. Comecei a mudar a disposição dos móveis e brinquedos da sala, criando cantinhos (da casinha, da leitura, das artes, etc) que eram alterados sempre que necessário. Claro que temos atividades inciadas por mim, como leitura de histórias, pintura e desenho com materiais diferentes, circuito de obstáculos entre outras, mas participa quem quer e sempre que possível, pelo tempo que desejar. 


"As crianças não devem ficar cercadas pela fala do adulto ou dominada por instruções, mas devem ter liberdade de ação para desenvolver as próprias ideias e ter sucesso ou para fracassar. [...] Se os adultos já observaram o brincar das crianças, eles saberão o tipo de nível em que elas estão funcionando e poderão adequar sua participação ao nível certo."

 Ao mudar a minha visão sobre o brincar, percebi na prática o quanto as crianças aprendem enquanto brincam. Também pude conhecer mais sobre elas, a forma como percebem a si mesmas, suas famílias, a escola, enfim, suas relações. Conforme fala Friedmann: “o brincar é uma linguagem da criança uma forma de comunicação não consciente por meio da qual ela expõe como sente, percebe e vê o mundo”.

 Esses dois livros mudaram muito minha vida profissional e a forma como vejo a infância. Sobre o outro livro falarei na próxima postagem.

 E vocês, que experiências tem com o brincar das crianças (alunos, filhos, irmãos, sobrinhos, netos) com as quais convivem?



 

sábado, 7 de setembro de 2013

Meus bebês.

Eu não tenho filhos humanos, mas sempre tive gatos e hoje quero falar dessas três fofurinhas que moram comigo e me fazem tão feliz. Vez ou outra eu invento um apelido geral para os três e também um para cada um. Atualmente eles são "my little pony".


Vou começar falando do Jack. O nome dele faz referência aos Jacks dos filmes que já vi: Titanic, Piratas do Caribe e também um que não vi: Jack Estripador. Atualmente eu chamo o Jack de meu danado. Ele é o mais espuleta e parceiro. Também é muito carente e ciumento, se estou com um dos outros dois no colo, ele vem e deita em cima. Sempre! Outro dia meu sobrinho de 2 anos estava no meu colo e o Jack rosnou pra ele e saiu correndo, indignado!
Geralmente ele me acorda mordendo meus pés, coisa que eu não gosto nem um pouco. Gosto de brincar de "lutinha" com ele e é por isso que estou com marcas de arranhões nos braços e pernas. Gosta de escalar a cortina e também adora catnip.
Jack bebê e atualmente.

O Mr. Pink é um fofo, literalmente. Ele e o Jack são irmãos da mesma ninhada. Eu ganhei eles da minha tia Márcia. O Mr. Pink é o mais peludo dos três. O nome faz referência ao personagem com mesmo nome do filme Reservoir Dogs do Tarantino.  E sim, o Mr. Pink tem um jeito meio púrpura ou arco-íris de ser (e eu adoro!). Tenho chamado ele de meu fofolete. Raramente ele aceita colo ou carinho, mas de noite quando vou dormir, ele sempre amassa pãozinho em mim. É o que mais reclama quando a areia está muito suja e se eu demoro pra limpar, ele faz suas necessidades no sofá. É o mais arisco dos três, quando alguém entra aqui em casa, ele se esconde embaixo da cama até a pessoa ir embora. É calmo, tranquilo e sereno. Não dá bola pra catnip.
Mr Pink sempre fofo e lindo.

A Pipoca é a caçula da casa, tem em torno de 6 meses ( o Jack e o Mr. Pink são uns 2 meses mais velhos) e veio pra cá um mês após eu ter adotado os outros dois. Meu sobrinho Bruno (11 anos) encontrou ela na rua, chorando ao lado da mãe morta. Ela era tão pequeninha, chegou aqui assustada, com fome e carente de carinho. Sempre foi muito carinhosa: ela me dá chero no pescoço e mordidinha no queixo (eu amo!). Escolhi esse nome porque na época que ela chegou, eu estava com a música Pipoca da Palavra Cantada na cabeça. Ela gosta de colo, chamego e é a mais dorminhoca; passa a maior parte do tempo dormindo na minha cama, principalmente se está frio. Também gosta de se esconder atrás das cortinas e de ficar olhando pra fora. Chamo ela de minha pizinha ou bebezuda magrela.
Pipoca fazendo pipoquice.

Essas três criaturinhas são a minha família e eu amo eles e ela demais!









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