segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

As crianças e os "padrões de comportamento".

2012, sala da minha turma de 4 anos - uma tarde qualquer. Algumas meninas estão em frente ao espelho e compartilham o batom que uma delas trouxe de casa. Um menino se aproxima e pede para passar o batom também. Elas dizem que não, que é "coisa de menina".
Como ele insiste, elas vem até onde estou e reclamam: prof., o 'fulano' quer passar o meu batom.
Eu: empresta pra ele, então.
Ela: mas não é coisa de menino, menino só pode usar manteiga de cacau, meu pai disse.
Eu: batom é coisa de quem gosta. Tem meninas que não gostam de usar batom e tem meninos que gostam. O 'fulano' quer passar, empresta pra ele.
Outra menina (amiga da dona do batom): ah, mas se ele passar, vai virar menina! (e dá uma risadinha).
Eu: olha, eu conheço meninos que usam batom e eles continuam meninos.
Meninas (admiradas): é, prof?
Eu: sim, empresta pra ele, vai! :)
Ela empresta e lá vão eles para a frente do espelho. Ele passa o batom e fica fazendo caretas, testando as possibilidades de expressão facial... e continuam as brincadeiras.

Eu fico pensando... como as crianças compreendem fácil as coisas - como já vem de casa com preconceitos, mas aceitam a ruptura de padrões e estereótipos com tanta facilidade.
As crianças são criativas, imaginativas, sonhadoras - aceitam e vivem possibilidades infinitas.
Uma sociedade mais justa, humana e igualitária seria possível logo, em pouco tempo, se não ensinássemos as crianças desde cedo "padrões de comportamento", se não ensinássemos elas a pensar "dentro da caixa".

No meu mundo ideal, as famílias e escolas são parceiras e juntas trabalham para uma educação de qualidade para as suas crianças.
Nesse mundo, os pais e mães (ou outros responsáveis), entendem como é importante que os meninos brinquem de casinha, pois um dia precisarão cuidar de suas casas.
Não criticarão suas filhas/filhos por brincarem de boneca e seu 'bebê' ter duas mães ou dois pais, afinal existem diferentes tipos de família.
Nesse mundo ideal, as professoras contarão histórias de heroínas, aventureiras, e outras mais para que as crianças percebam as múltiplas possibilidades que existem para as meninas/mulheres: elas podem ser o que quiserem, assim como os meninos.

Enfim, no meu mundo ideal, a parceria entre escola e família tem um único objetivo: educar e formar cidadãos que respeitam a diversidade humana, cidadãos solidários, que preservem a natureza e que nunca se esqueçam que somos todos iguais em direitos. Que compreendam que as coisas mais importantes o dinheiro não compra.
Desejo sinceramente que essas crianças amem a si mesmas, seus corpos, que saibam amar aos outros, sem julgar/excluir as pessoas, seja por sua cor, gênero, opção/orientação sexual ou outras especificidades que não fazem mal aos outros.
Que essas crianças possam, de verdade, ser o que quiserem!
Campanha do Equador contra o machismo e "estereótipos de gênero".

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Sobre mim.

Sou uma jovem de 26 anos, que já viveu algumas coisas e aprendeu muito. Mesmo assim sei que tenho muito a aprender.

Canceriana- apesar de não acreditar em astrologia (?), muitas das características desse signo me definem. Ascendente em leão. Coelho no horóscopo chinês. 

Sou professora de educação infantil. Escolhi essa profissão porque acredito numa educação transformadora... numa educação que preza a reflexão, a criticidade, a criatividade, a solidariedade e o respeito. Tenho feito a minha parte. 

Gosto muito de psicologia e talvez algum dia ainda faça essa graduação. Sou amante das artes: gosto muito de teatro, música, artes visuais.... "arranho" alguma coisa no teclado e estou aprendendo a tocar violão. Admiro o budismo e a meditação. 

Sou feminista, ou seja: acredito/defendo a igualdade de direitos. Sou a favor do casamento homossexual, da regulamentação da prostituição e da legalização da maconha. Sou a favor da descriminalização do aborto. Sou a favor das cotas. 

Sou adepta de algumas práticas do BDSM.

Sou chata, mandona, egoísta e má. Não gosto de multidões, admiro uma meia-dúzia de pessoas e a recíproca é verdadeira.

Amo gatos. Considero-os seres muito mais inteligentes e evoluídos que nós humanos.




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