quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Pixação é vandalismo?



Quem decide o que é vandalismo?
Eu amo arte de rua e acho importante até mesmo a pixação, rabiscos que só tem significado para quem fez. A subversão pela subversão é válida para quem faz, como forma de expressar/extravasar frustrações e para quem vê, acho que abre possibilidades. Possibilidades do tipo: "poxa, nem todo mundo tá na caixinha, nem todo mundo segue a regra. De repente, em algumas coisas eu também não preciso seguir a manada." Acho que gera, entre outras coisas, inquietação.
Eu vejo a pixação/ grafitti/ lambe-lambe e etc, como sementinhas de ideias, como pulga atrás da orelha. Interrogações, reflexões... Alguém está mostrando que não está satisfeito com a porra toda. Alguém está correndo riscos para passar a sua mensagem.
Acho lindo, acho massa, acho 10!

Assisti o documentário Pixo, que super recomendo, e transcrevi algumas parte que achei interessantes.

"Pixação é arte. É o nosso sentimento. Sentimento que ninguém quer ver, que todo mundo fecha os olhos, ninguém quer prestar atenção na gente." (By Menina linda pixadora da periferia.)

"Pixação é da periferia, vc vê poucos playboys fazendo pixo. Existem 3 motivos que fazem as pessoas pixarem:
1º reconhecimento social.
2º lazer e adrenalina.
3º protesto." (um cara do documentário.)

Aí esses dias, vi gentes e páginas do facebook que se dizem revolucionárias/ de esquerda e talicoisa compartilhando essa imagem: 

Então quero pedir que reflitam comigo:
- Vocês sabem que a pixação veio da favela como uma forma de expressão, de protesto porque as pessoas da periferia são ignoradas pelo governo e pela sociedade. O pixo é uma forma de sair da invisibilidade e é para muitos uma forma de diversão.

- Livros são importantes? Eu acho, mas falo aqui do meu apartamento tranquilinho e tals. Livros fazem sentido na minha vida porque pra mim, que quando criança apenas estudava e que atualmente não preciso defender minha vida todo dia, seja de traficante ou PM, tive tempo pra ler e entrar num mundo onde os livros são importantes. Mas essa é a minha vivência, muitas pessoas desse país não tem a mesma sorte, o mesmo privilégio.

Eu não tenho propriedade alguma pra falar da vida na favela, o que sei vem dos relatos que ouço, dos documentários e filmes. De qualquer forma, acho que devemos ter empatia: tratar todos como seres humanos (pessoas da favela e mendigos são gente como vc, saca?) e respeitar suas formas de expressão. Porque o pixo é uma forma de expressão. O pixo é a voz da favela e a favela não tem que se calar. 


Importante dizer que pixação/grafitti/lambe-lambe/etc dá vida à cidade. Uma cidade sem essas coisas é lugar de gente morta (leia-se pessoas sem expressão, passivas, submissas, alienadas, etc.)




Quem quiser saber mais sobre pixação, recomendo o documentário PIXO:
http://www.youtube.com/watch?v=SW-h8w2Slhw&hd=1

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Brinquedos e sexismo.

Quando for comprar brinquedos para presentear uma criança, é importante lembrar de não reforçar os estereótipos de gênero.
As crianças podem brincar com o que quiserem, nosso papel é oferecer diversos tipos de brinquedos para que elas possam escolher e principalmente para que não se sintam limitadas.


Para quem não sabe, os estereótipos de gênero referem-se aos comportamentos e ações esperados de uma pessoa, conforme seu gênero (claro que nesse caso sempre se pensa em masculino e feminino, negando-se outras identidades). Ou seja: mulher tem que cozinhar, limpar a casa e cuidar dos filhos. Homens andam de carro, trabalham fora e fazem o que quiserem. Isso se reflete nos brinquedos que tradicionalmente as pessoas dão às crianças.


Quando brinca, a criança além de estar se divertindo, está testando possibilidades sobre atividades que poderá exercer no futuro. Os teóricos afirmam que é brincando que a criança vai compreendendo o mundo que a cerca. O brincar é a linguagem da criança.


Acho importante os meninos terem acesso à bonecas, panelinhas e brinquedos desse tipo. Em algum momento da vida eles precisarão saber cuidar da sua casa e talvez tenham filhos, e queremos que os pais participem igualmente da criação dos filhos, não é? E claro, os meninos podem/devem brincar com seus super-heróis, blocos de construção, etc.


Quanto às meninas, muitas vezes elas só tem acesso a bonecas e panelinhas. Limitamos demais nossas meninas. Elas podem sim brincar de boneca, mas vamos oferecer também blocos de construção, peças de encaixe, super-heróis. Vamos expandir as possibilidades delas. Porque elas podem ser o que quiserem e essa opção tem que estar disponível já na infância, no faz-de-conta, para ser algo natural ao longo de suas vidas.


Dito isso, quero dizer que tenho um carinho especial por brinquedos de madeira, eles parecem mais aconchegantes (não sei se essa é a palavra certa) e geralmente duram mais. Minha dica é dar brinquedos de madeira sem cor e levar tintas para pintar com a criança. É, criança demanda tempo e tempo de qualidade.


Assistam esse vídeo (é lindemais!):


E vc, quais suas experiências com brinquedos e crianças? Do que vc brincava na sua infância?
Vamos conversar sobre isso? Vambrincá? =D


P.S.: um textinho sobre os benefícios dos brinquedos de madeira:
http://www.reidaverdade.net/brinquedos-de-madeira-educativos.html

sábado, 14 de dezembro de 2013

Good bye, 2013!

Ano tá acabando e nessa época sempre fico um tanto nostálgica, fazendo retrospectivas e talicoisa.
O que dizer de 2013, esse ano que passou voando?
Começou uma merda e foi melhorando estratosféricamente. Chorei, sorri... o importante é que emoções eu vivi. Mas nem tão clichê quanto essa música! (pelo menos é o que eu gosto de pensar!)

Agradecimentos pela maravilhosa amizade com minha sista de sangue e a de coração, Kelly e Suza. É muito bom ter vocês por perto! Ana Paula e Adriana, nossas encontros são sempre ótimos. Obrigada pela amizade!



Foi absurdamente maravilhoso ter conhecido (e amado já de cara) Georgia, Mariana e Carolina. Vocês agregam muito amor femininja à minha vida. Obrigada por me mostrarem que sororidade é possível sim. 


E apesar de não parecer, as vezes a gente desliga os briquedinhos eletrônicos e vai viver, então não tenho fotos com Lele, Lerysse, Bonnie e Claudia. Mas foi muito bom conhecer vocês, pessoas lindas! 

Aos amores todos dessa minha vida (que nem são tantos assim): vocês agregam alegria e carinho à minha vida, obrigada! 

Aos amigos virtuais que ainda não encontrei pessoalmente: obrigada por me aturarem (é mútuo, né Fox?) e me apoiarem sempre: Jana e Patrícia. Vontade de tomar chopps ou café com vocês é grande. Vamos fazer isso em 2014?! 

E já ia me esquecendo: sobrinhos Bruno e Bryan... minha felicidade em forma de crianças, amo vocês!

Minha memória é um pouco ruim, mas espero não ter esquecido de ninguém.
Aprendi muito sobre mim mesma esse ano e esse aprendizado continua sempre...
Que venha 2014 pra gente continuar sendo feliz! 















quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Sobre o app Lulu.

Antes de tudo, é redundante porém necessário dizer: o que vou falar aqui é a minha opinião.
Dito isso, prossigamos. Para quem não sabe, o Lulu é um aplicativo que se conecta ao facebook e permite as mulheres (apenas nós) avaliarmos os homens (que tem perfil no FB). A avaliação é anônima, mas você pode  dizer se é amiga, namorada, se já pegou/quer pegar, se é parente ou etc..

Acho o Lulu um tanto machista pois coloca coisas como "pagar a conta" como qualidades que os homens devem ter. Já sabemos o que o cavalheirismo significa. No mais, o aplicativo é bem light, vc avalia de forma bem superficial o primeiro beijo, sexo, senso de humor do cara, se ele é fiel (aí já não cabe para os não-monogâmicos) e esse tipo de coisa.


Eu baixei o app pra zoar os caras mesmo. O que eu tenho pra dizer para as pessoas com quem me relaciono, sempre digo... eu sou sempre a chata que adora conversar sobre a relação. Vi no Lulu uma forma de fazer os homens se sentirem desconfortáveis. Homens, esses seres que são mais respeitados apenas por serem do gênero masculino, sabe?

Aí vi mil chorumes sobre "mimimi essa guerra dos sexos é boba, não existe na vida real", "mimimi só pessoas sádicas fazem isso e por aí vai". Sinceramente? Quero mais é que os homens se ferrem e se ferrem bastante porque mesmo assim (no naipe do Lulu) não vai ser nada comparado ao que nós mulheres passamos.


Desde que nascemos a sociedade vai nos ensinando o que ela espera de nós: que sejamos lindas, com corpo perfeito e que sejamos submissas aos homens. Se ousarmos querer ter uma carreira, até podemos, desde que a casa esteja limpa, os filhos muito bem cuidados, o maridão satisfeito sexualmente e a aparência 100%. Claro que nem assim seremos boas o suficiente. Quem nunca viu portais de informação dizendo que a atleta X jogou muito bem, mas tava com a depilação em atraso? Sempre existe um MAS gigante para nós mulheres. Somos julgadas e avaliadas do pé a cabeça em todos os lugares, o tempo todo. Na nossa sociedade patriarcal somos vistas como objetos públicos, qualquer um pode, além de expressar sua opinião sobre nós em voz alta, nos tocar e fazer o que quiser com nosso corpo.

 E isso não é pira minha de feminista. Só ano passado tivemos 50 mil casos de estupros (REGISTRADOS) no Brasil. Só nesse ano (que ainda nem terminou) 1.800 mulheres morreram, vítimas de feminicídio (violência de gênero). A violência é um problema masculino porque a sociedade ensina os meninos a se tornarem homens violentos. A culpa não é das mulheres, nunca! E é ridículo dizer que ao usarmos um aplicativo como o Lulu estamos nos comparando ao pior dos homens. Nunca. Não tem como. Uma brincadeira dessas não mata ninguém, não oprime, é inofensiva. Já o machismo mata. Todo dia!




quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Depilação é uma escolha?

 Trilha sonora para ler esse texto (o clipe é ótimo também):

 É comum não refletirmos muito sobre coisas simples e rotineiras da nossa vida. Vez ou outra eu acabo prestando um pouco de atenção nessas partes da minha vida que estão no automático. Sendo feminista, mais cedo ou mais tarde eu teria que pensar em depilação, principalmente porque acredito muito que o pessoal é político.

  Logo que comecei a ler sobre feminismo, vi um texto que me marcou bastante: "Depilação é a burca brasileira". Esse texto me pegou de uma forma que eu não tive argumentos pra invalidá-lo, era totalmente verdadeiro. Tentei lembrar de quando comecei a me depilar e não consegui... provavelmente foi no início da adolescência, logo que mais pelos começaram a nascer. O que não esqueço é de um corte feio que fiz com a lâmina na minha perna, por ainda não saber muito bem como me depilar.

  Depois de concordar que a depilação é uma imposição da nossa sociedade, tentei nem pensar muito no assunto, imagina: alguém que não se depila deve sofrer com os comentários alheios. Mas cada vez que eu me depilava, acabava, mesmo sem querer, pensando nisso tudo, porém continuava adiando uma reflexão mais profunda sobre o assunto.

  Fui lendo mais textos sobre depilação e um dia pensei: ah, estou com preguiça mesmo, não vou depilar minhas pernas. E assim fiquei. Depois decidi: só vou depilar minhas pernas novamente quando eu me sentir tranquila com meus pelos, porque aí sim será uma escolha: consigo viver de boa com pelos, consigo viver de boa sem pelos. Os pelos estão nas minhas pernas... deve ter mais de dois meses. Não vi ninguém olhando torto ou falando qualquer coisa e eu já não me sinto mais tão incomodada como estava no início. É um processo de desconstrução.

  Acho muito interessante como nos dizemos livres e donas de nossas vidas, mas se depilar é uma obrigação para ser limpa, linda e desejável, segundo nossa sociedade. Depilação é um dos requisitos para ser considerada feminina e estar dentro do padrão estético desejável (desejável pra quem?). Eu não gosto de padrões, padrão é uma caixa muito pequena e estreita, não é qualquer um que cabe nela. Geralmente eu não caibo.

  As perguntas veem a mente: por que você se depila? para quem? isso te faz se sentir mais bonita? por que? Você acha mesmo que depilação é sinônimo de higiene? Qual a importância que a depilação tem na sua vida?

  Vamos pensar e conversar... estamos juntas nessa!
E antes que digam qualquer coisa, eu não sou contra depilação, só acho que é importante refletir sobre o motivo de fazermos certas coisas.

Outros textos interessantes sobre o tema:

Depilação, quero ou tenho que fazer?

Como sobrevivemos até agora sem a depilação artística?

Pelos, tê-los ou não tê-los?

A escravidão da aparência: o machismo invisível.

Sessões de depilação: método de tortura misógino.




domingo, 20 de outubro de 2013

Eu e meu corpo: uma relação que já teve muitas DRs.

Eu era uma criança magrela que não gostava de comer e era bem seletiva com alimentos (no bom português: era enjoadinha mesmo!) Minha mãe vivia reclamando que eu comia pouco e dá lhe suco de beterraba e biotônico fontoura. Um belo dia eu cansei de tantas reclamações e comecei a me forçar a comer mais. E passei a gostar de comer. De criança magrela passei a adolescente "normal", aí acharam que eu comia demais e mandavam parar. Difícil agradar a família, viu?!

Mesmo quando era criança eu não me achava bonita, com a adolescência isso continuou. Eu me achava gorda (mesmo não sendo) e entrei no "extraordinário" mundo das dietas. Dieta das frutas, das torradas, das sopas, da lua e sei lá mais o quê. Engordava, emagrecia... num eterno iôiô que dura até hoje. Depois que casei engordei um pouco mais (tipo uns 15 kg) e aí me sentia horrível mesmo. Mais dietas, tentativas de reeducação alimentar, musculação,body jump, caminhadas e meio que inconscientemente a certeza de que eu nunca teria o corpo que queria ter. Leia-se corpo de capa de revista, estilo nova e boa forma, que eu consumia avidamente.

Emagreci quando me divorciei e tive que arrumar um segundo emprego. Depois emagreci mais um pouco quando vim morar sozinha e mais um pouco quando fiz muay thai. Não sei exatamente quando aconteceu, mas simplesmente deixei de me preocupar tanto com meu peso. Ah sim, lembrei: foi quando conheci o feminismo. Parei de ler revistas que pregam que eu mulher só serei feliz se tiver aquele corpo da capa (mulher branca, classe média que tem tempo e dinheiro para fazer X dietas, Y exercícios, Z plásticas, que usa tais cremes, perfumes, roupas... um etc sem fim) e claro, tudo isso para encontrar o homem dos meus sonhos (???) e poder mantê-lo interessado praticando o guia lacrado de sexo exclusivo da revista.


E eu chorei. Às vezes ainda choro porque a minha maior ambição enquanto mulher é ser vista como gente, pessoa mesmo, sabe? Essa coisa de ser bibelô (sexo frágil, histérica e blablablá) e/ou objeto sexual (pq a gente existe unicamente para satisfazer as necessidades masculinas) é tão opressora que nos faz focar nossa vida unicamente em ter uma ótima aparência e esquecemos de ser felizes. Foi percebendo esses role que passei a odiar menos meu corpo. Parei de olhar no espelho e procurar espinhas, cravos, estrias, celulites, gordurinhas. Cada vez que olho no espelho me imagino olhando uma obra de arte em uma galeria e fico ali me admirando. Claro que não é tão simples quanto parece, às vezes quando percebo já estou me criticando, mas logo percebo e mudo para a contemplação.

O feminismo me fez perceber que posso ser feliz com o corpo que tenho, que me amar é a coisa mais linda que posso fazer por mim mesma. Tenho vivido melhor, em paz com meu corpo. Tenho algumas ambições: ter uma alimentação mais saudável e voltar a fazer muay thai, que é uma atividade física muito gostosa. Final da história: fiz as pazes com a balança!



E esse é o meu pedido para todas as mulheres: amem seus corpos como se não houvesse amanhã!

Todas as imagens foram retiradas de: http://negahamburguer.blogspot.com.br/p/quadrinhos.html
Siga a linda negahamburguer no facebook.
Também recomendo as lindas imagens da Carolina Folego.

E se quiser, dê uma olhadinha em:
Conselhos para um mulher preocupada com seu corpo.
Comece uma revolução: ame seu corpo.
Batalha dos corpos.
Nu real.
Apartamento 302 (mulheres reais, beleza real).

sábado, 28 de setembro de 2013

Aborto, esse tema tão polêmico!

   Quando se fala em aborto, logo começa o debate de quem é a favor ou contra. Como se o útero das mulheres fosse um bolão ou uma questão de prova escolar onde você assinala qual a alternativa correta. Na prática a coisa se desenrola da seguinte forma: o 'direito' ao aborto (aqui no Brasil, onde ele é considerado crime, exceto nos casos previstos em lei.) depende de quanto você tem na sua conta bancária. Uma mulher que tem dinheiro, vai numa boa clínica, paga 4 ou 5 mil e pronto, questão resolvida. Mulheres pobres, obviamente não tem esse dinheiro e acabam morrendo ao fazer o procedimento em clínicas precárias. A cada dois dias uma mulher brasileira morre por aborto inseguro.



   Muitas pessoas imaginam que todas as mulheres que abortam são "promíscuas, prostitutas e sem deus no coração" (que fique claro que sou a favor de que cada um faça da sua vida o que quiser!), uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde mostra que a mulher que aborta no Brasil (perfil médio) tem entre 20 e 29 anos, é casada, tem pelo menos um filho, é católica, tem até oito anos de estudo e usa algum método contraceptivo. Sim, contraceptivos falham!

Quem é a mulher brasileira que aborta?

  Aborto não é uma questão de opinião e sim de saúde pública. Nos países onde o aborto foi legalizado, acabou a mortalidade de mulheres que abortam e a quantidade de abortos diminuiu também. (vide exemplo do Uruguai.)

Foto de um aborto de 6 semanas. Não é como vc vê na tv, né?


  Pra finalizar deixo vocês com George Carlin, humorista norte-americano, falando sobre o aborto.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Qualé a dos desenhos estereotipados?

     Na última postagem falei sobre dois livros que foram responsáveis por grandes mudanças na minha prática pedagógica, até hoje, afinal sempre tem livros mexendo com nossas convicções. Hoje vou falar sobre o terceiro livro que também me deu o que pensar e foi amor desde a primeira linha.
     A criança e sua arte de Viktor Lowenfeld, de 1977, é um livro direcionado a pais e mães, mas pode, e deve, ser muito bem aproveitado por professoras, principalmente da educação infantil e arte-educadores. O livro, e outros artigos que encontrei, fala sobre os desenhos prontos (estereotipados) que muitas vezes ensinamos as crianças a desenhar ou entregamos para elas colorirem, livros com desenhos para colorir, por exemplo. Sol redondinho com raios simétricos, casinha, árvore, boneco palito, etc, são alguns dos muitos desenhos estereotipados que existem... Aparentemente esses desenhos são inofensivos e a maioria das pessoas acha eles bonitinhos, mas será isso mesmo?
     "A criança direcionada demais, que recebe modelos prontos do adulto para colorir ou para copiar, perde a autoconfiança que deveria desenvolver em face de suas próprias soluções gráficas. Seu desenho torna-se estereotipado, mais padronizado e menos criativo. A criança perde um valioso meio de expressão, e Artes torna-se mais uma tarefa a ser executada, uma técnica a ser aprendida." (Camargo, 1989)
Clique na imagem para ampliá-la.
     Os desenhos estereotipados limitam a criatividade artística das crianças. E mais: nós entendemos que arte é uma linguagem, uma forma de expressão; então ao colorir um desenho pronto/estereotipado, como a criança vai se expressar? Lowenfeld cita o exemplo do desenho de um cão para colorir. Suponhamos que em uma turma de 25 crianças, todos ganhem o mesmo desenho para pintar. Algumas crianças gostam de cachorros, outros tem medo, outros tem raiva. Algumas crianças tem pinscher de estimação, outros tem um labrador... e por aí vai. Como a criança vai conseguir expressar sua relação com cachorro num desenho pronto? Impossível!
     É aí que muitos defendem: "ah, mas é importante as crianças pintarem esses desenhos prontos para aprenderem a respeitar o contorno, os limites das figuras". Foi comprovado através de pesquisas (que Lowenfeld cita no livro) que isso não é verdade: a maioria das crianças não respeita os limites do desenho pronto. Elas se sentem muito mais motivadas quando fazem os seus próprios desenhos e aí vão colori-los. E de qualquer forma, mais cedo ou mais tarde as crianças aprenderão a "respeitar os limites" dos desenhos. 
     É comum as pessoas quererem ensinar crianças bem pequenas (0 a 3-4 anos) a desenhar, no entanto,  nessa idade a coordenação motora da criança está em desenvolvimento. Elas adoram pegar canetas e tintas, gostam das marcas que conseguem deixar no papel, mas nessa faixa etária não estão pensando em representar algum objeto ou pessoa. Na verdade, se você disser a uma criança de 2 anos "vamos desenhar uma laranja", caso soubesse argumentar, ela diria algo mais ou menos assim: "mas laranja é de comer, não de desenhar. Como posso desenhar uma laranja?"
Clique na imagem para ampliá-la.
     Quando a criança tiver sua coordenação motora mais desenvolvida e perceber, no seu tempo, que os movimentos que faz com o braço enquanto segura a caneta tem relação com os traços que vão aparecendo no papel, ela vai começar a desenhar com intencionalidade. Provavelmente começará com círculos e logo estará desenhando figuras humanas e o que mais sua imaginação permitir.
     É importante dizer que todas as fases do desenvolvimento infantil devem ser respeitadas, apesar de os estágios de desenvolvimento serem estabelecidos por idade, cada criança tem seu próprio ritmo. Se ela viver em um ambiente onde é amada e respeitada, certamente se sentirá segura para experimentar e criar.

     Quando compreendi que desenhos prontos não são uma boa ideia, fiquei pensando: poxa, mas quero contribuir de alguma forma para que o aluno se expresse artisticamente, o que fazer? E aí pesquisei, pensei e agora tenho um método básico para usar nesses momentos. Incentivo a criança a observar. Vamos supor que uma criança de 4 anos queira desenhar uma árvore, mas ela diz: "não sei desenhar uma árvore". Se for possível, eu a levo para passear e observar as árvores que estão no caminho. Chamo a atenção dela para os diferentes tipos de troncos, galhos, folhas, as diferentes cores, etc... se ela puder tocar a árvore ou ver suas folhas balançarem com o vento, melhor ainda. Caso não seja possível esse passeio, ajudo ela a encontrar figuras de árvores em revistas, livros e internet. Assim o repertório de experiências e sensações estéticas da criança se amplia e quando for desenhar, certamente ela terá muitas referências de como pode ser uma árvore. Mais ainda, ela pode criar sua própria árvore, guiada por sua imaginação e criatividade!

Quer saber mais sobre esse assunto? Recomendo os seguintes textos:

Arte e crianças: é possível libertá-las dos esterótipos? 
Desenhos estereotipados: um mal necessário ou é necessário acabar com esse mal? 
Pequenos artistas. 
Perigo: coelho pronto para colorir.
Flor vermelha do caule verde. 
Crianças retratam abusos que sofreram em série de desenhos.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Vambrincá?

 Sou professora de educação infantil desde os meus 16 anos. Fiz 2 anos de magistério, 3 anos e meio de Pedagogia, 9 meses de pós em Arte na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental e sempre participo de cursos de foramção continuada. E sim, acho o ensino ~formal~ muito importante mas (sempre tem um MAS, né?!) a minha prática pedagógica melhorou exponencialmente depois que li 3 livros.

 Antes de falar sobre esses livros, quero dizer que existem teóricos maravilhosos (alguns difíceis de ler) que também são muito importantes, tais como Wallon, Vygotsky, Piaget, Foucault, Montessori, Paulo Freire, Ana Mae Barbosa, Kishimoto, Luciana Ostetto, Teca Alencar de Brito, Murray Schaffer, etc. Não domino completamente a teoria de todos os citados, mas conheço um pouco de cada um e eles contribuem muito para entender o desenvolvimento infantil e também o que a escola pode fazer para estimular esse desenvolvimento.

 Quando estava na faculdade, tive que escrever um artigo sobre a educação infantil. Decidi pesquisar sobre a importância do brincar. Até então, eu sabia que o brincar era a atividade principal da infância. Até aí nada demais, eu trabalhava com crianças pequenas (0 a 5 anos) e sabia que elas gostam muito de brincar. No centro de educação infantil a brincadeira tem bastante espaço, mas eu via os momentos das brincadeiras como uma atividade livre, como se fosse um recreio. E depois teríamos as 'atividades', as coisas ~sérias~ e planejadas, das quais todas as crianças deveriam participar.

"O brincar frequentemente é visto como o oposto do trabalho".

 Foi então que conheci "A excelência do brincar" e "Só brincar? O papel do brincar na educação infantil."  da Janet Moyles. E foram esses livros que me deram trocentos tapas na cara, me jogaram na parede e me chamaram de lagartixa. Cheguei na sala de aula no outro dia totalmente perplexa. Minha mente a mil, como assim eu tinha ignorado que o brincar é a coisa mais importante para as crianças? e que elas aprendem muito brincando?


"O que a maioria dos adultos deixa de reconhecer é exatamente quanto eles próprios brincam em sua vida adulta, e a menos e até que possamos aceitar esse brincar e valorizá-lo em suas muitas formas, será difícil para alguém valorizar o brincar das crianças como algo além de uma atividade ociosa."

 A partir daí revi toda minha prática e principalmente minha postura enquanto professora. Passei a observar mais as brincadeiras e a participar sempre que fosse possível, tomando o cuidado para não ser intrusiva/intimidadora e também para não ser a protagonista da brincadeira. Passei a incluir as brincadeiras nos meus planejamentos. Comecei a mudar a disposição dos móveis e brinquedos da sala, criando cantinhos (da casinha, da leitura, das artes, etc) que eram alterados sempre que necessário. Claro que temos atividades inciadas por mim, como leitura de histórias, pintura e desenho com materiais diferentes, circuito de obstáculos entre outras, mas participa quem quer e sempre que possível, pelo tempo que desejar. 


"As crianças não devem ficar cercadas pela fala do adulto ou dominada por instruções, mas devem ter liberdade de ação para desenvolver as próprias ideias e ter sucesso ou para fracassar. [...] Se os adultos já observaram o brincar das crianças, eles saberão o tipo de nível em que elas estão funcionando e poderão adequar sua participação ao nível certo."

 Ao mudar a minha visão sobre o brincar, percebi na prática o quanto as crianças aprendem enquanto brincam. Também pude conhecer mais sobre elas, a forma como percebem a si mesmas, suas famílias, a escola, enfim, suas relações. Conforme fala Friedmann: “o brincar é uma linguagem da criança uma forma de comunicação não consciente por meio da qual ela expõe como sente, percebe e vê o mundo”.

 Esses dois livros mudaram muito minha vida profissional e a forma como vejo a infância. Sobre o outro livro falarei na próxima postagem.

 E vocês, que experiências tem com o brincar das crianças (alunos, filhos, irmãos, sobrinhos, netos) com as quais convivem?



 

sábado, 7 de setembro de 2013

Meus bebês.

Eu não tenho filhos humanos, mas sempre tive gatos e hoje quero falar dessas três fofurinhas que moram comigo e me fazem tão feliz. Vez ou outra eu invento um apelido geral para os três e também um para cada um. Atualmente eles são "my little pony".


Vou começar falando do Jack. O nome dele faz referência aos Jacks dos filmes que já vi: Titanic, Piratas do Caribe e também um que não vi: Jack Estripador. Atualmente eu chamo o Jack de meu danado. Ele é o mais espuleta e parceiro. Também é muito carente e ciumento, se estou com um dos outros dois no colo, ele vem e deita em cima. Sempre! Outro dia meu sobrinho de 2 anos estava no meu colo e o Jack rosnou pra ele e saiu correndo, indignado!
Geralmente ele me acorda mordendo meus pés, coisa que eu não gosto nem um pouco. Gosto de brincar de "lutinha" com ele e é por isso que estou com marcas de arranhões nos braços e pernas. Gosta de escalar a cortina e também adora catnip.
Jack bebê e atualmente.

O Mr. Pink é um fofo, literalmente. Ele e o Jack são irmãos da mesma ninhada. Eu ganhei eles da minha tia Márcia. O Mr. Pink é o mais peludo dos três. O nome faz referência ao personagem com mesmo nome do filme Reservoir Dogs do Tarantino.  E sim, o Mr. Pink tem um jeito meio púrpura ou arco-íris de ser (e eu adoro!). Tenho chamado ele de meu fofolete. Raramente ele aceita colo ou carinho, mas de noite quando vou dormir, ele sempre amassa pãozinho em mim. É o que mais reclama quando a areia está muito suja e se eu demoro pra limpar, ele faz suas necessidades no sofá. É o mais arisco dos três, quando alguém entra aqui em casa, ele se esconde embaixo da cama até a pessoa ir embora. É calmo, tranquilo e sereno. Não dá bola pra catnip.
Mr Pink sempre fofo e lindo.

A Pipoca é a caçula da casa, tem em torno de 6 meses ( o Jack e o Mr. Pink são uns 2 meses mais velhos) e veio pra cá um mês após eu ter adotado os outros dois. Meu sobrinho Bruno (11 anos) encontrou ela na rua, chorando ao lado da mãe morta. Ela era tão pequeninha, chegou aqui assustada, com fome e carente de carinho. Sempre foi muito carinhosa: ela me dá chero no pescoço e mordidinha no queixo (eu amo!). Escolhi esse nome porque na época que ela chegou, eu estava com a música Pipoca da Palavra Cantada na cabeça. Ela gosta de colo, chamego e é a mais dorminhoca; passa a maior parte do tempo dormindo na minha cama, principalmente se está frio. Também gosta de se esconder atrás das cortinas e de ficar olhando pra fora. Chamo ela de minha pizinha ou bebezuda magrela.
Pipoca fazendo pipoquice.

Essas três criaturinhas são a minha família e eu amo eles e ela demais!









sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Poliamor também é amor.

Tem gente que não entende: não é porque sou poliamorista que não me apaixono/ amo.... muito pelo contrário; me apaixono fácil pois sempre vejo o melhor lado de cada pessoa. E paixão vira amor rápido.

Não querendo fazer mimimi não brinquem com meus sentimentos, mas já fazendo, não faça promessas que você não tem intenção de cumprir.

Tem gente que acha que poliamor se resume a putaria louca e desenfreada. Não. Claro que eu curto putaria, mas também gosto de carinho, amor, companheirismo e cumplicidade.


Gosto de tomar cerveja junto e conversar sobre vários assuntos. Gosto de ver filme abraçadinha, gosto de jogar pife, truco, uno e fazer cara de brava quando jogam um '+3'. Gosto das risadas, das piadas internas. Gosto das cócegas. Gosto de dormir de conchinha (enquanto o braço não fica dormente).

Gosto do amor. E estou cansada de relações superficiais. Cansada de gente que tem pressa demais, de gente que tem medo do 'amor diferente' (falo do amor livre), de gente que não tem coragem de olhar nos olhos.

Saudade do amor. Daquele amor correspondido. Aquele construído com amizade, respeito e cumplicidade.



Pra quem quuiser saber mais sobre poliamor (ou amor livre) recomendo o ótimo documentário: http://vimeo.com/23988620

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Short hair.




Eu acho lindo cabelo comprido. Meu sonho era ter cabelo cacheado curto, mas meu cabelo é liso.

Já tive cabelo comprido quando morava com meus pais, pois fui criada numa igreja evangélica em que não não era permitido cortar o cabelo. Assim que pude (aos 16 anos) cortei meu cabelo na altura da metade das costas... um cabelo tamanho médio.

Cada vez que eu corto o cabelo me sinto feliz, linda e livre. Sim, livre! Quanto mais curto mais livre me sinto. Pra mim cabelo curto é uma forma de protesto contra a opressão da igreja e também dos padrões de beleza da sociedade, que dizem que mulher bonita tem cabelo comprido.

Meu cabelo curto, repicado, colorido é a forma de eu mostrar através do meu corpo (cabeça na verdade) que não concordo com estereótipos de beleza. É o meu primeiro e "silencioso" grito de rebeldia, de protesto contra rótulos e preconceitos.

Aos 18 anos eu cortei o cabelo um pouco mais curto. Depois disso, ele oscilou entre um pouco abaixo e acima dos ombros. Hoje, aos 26 anos, cortei bem curto. O mais curto de toda a minha vida e estou amando. E compartilho a alegria com vocês! :D


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Sou homem e vou dizer como deve ser o seu feminismo.

Vejo muito homens (feministas e nem tanto) querendo ensinar as feministas como deve ser a sua militância. Claro que muitos homens já tem a mania irritante de querer ensinar tudo o tempo todo, mas o mansplaining no feminismo é ainda pior.
Tem acontecido muito comigo, então fiquei pensando numa forma bonitinha para explicar como isso é inapropriado. Vamos lá.

Vocês bem sabem que eu apoio o Movimento Negro. Mas eu não sou negra, nunca fui e nunca serei. Não sei o que é ter meus antepassados escravizados ou como é ser julgada inferior apenas pela cor da pele. (e provavelmente estou sendo bem superficial sobre a opressão aos negrxs).


Tendo em vista tudo isso, imagine uma cena em que um amigo meu é ofendido (por ser negro), ele fica realmente irritado (com toda razão) e mesmo assim explica para o ofensor o quanto aquilo (a ofensa) é ridículo.

Aí eu (que não sei o que é ser negra) vou lá e falo para o meu amigo que ele não deve agir assim, não pode responder de forma irritada porque isso deslegitima o movimento dele. Que ele precisa ter empatia e explicar de forma pedagógica para que as pessoas entendam.

Conseguem perceber a situação? Eu não tenho noção do que é ser descriminada (pela cor da minha pele) a vida toda, pelo contrário: minhas mãos tem sangue. Eu também oprimi os negros, meus antepassados escravizaram/torturaram/mataram os antepassados deles. Como eu posso pedir para um pessoa que tem uma história de opressão que ultrapassa os séculos e continua a ser oprimida, que ela precisa ter calma? Que ela não pode se irritar com seus opressores?

Não posso. Eu não sei o que é ser negra. Então o mais sensato a fazer é deixar que os negros militem da forma que acharem melhor. O que eu posso fazer? Posso reconhecer meus privilégios por ser branca e combater o racismo nos meus espaços. Meu papel é apoiar o movimento e agir onde eu posso, mas nunca serei protagonista do movimento negro.

Carol Hanisch.
Assim é com o feminismo. Homens não sabem o que é ser mulher. Não sabem como é ser considerada inferior apenas por ser de determinado gênero. Não sabem da pressão para sermos lindas, meigas e puras. Não sabem do medo que sentimos ao andar sozinha a noite em uma rua deserta. Não sabem como é ser chamada de puta por ter usado uma saia curta ou transado com X caras. Etc, etc, etc...

Então, se você homem apoia o feminismo, você precisa entender que não vai ser protagonista. Seu papel é reconhecer seus privilégios por ser homem e desconstruir/eliminar o machismo nos seus espaços. Espaços esses que nós mulheres não temos acesso. Ao dizer como uma feminista deve agir você está fortalecendo a ideia de que os homens é que sabem das coisas e que as mulheres deveriam obedecê-los. É exatamente isso que queremos combater. Então, deixem as feministas militarem como acharem melhor. O seu apoio é bem-vindo, mas a nossa luta vai acontecer de qualquer jeito!




Update. 14/07/13.
Outro texto sobre esse tema: Não estamos perdendo aliados.


terça-feira, 28 de maio de 2013

Hair Pink


A vontade de ter o cabelo pink é bem antiga... de quando eu tinha uns 16 anos... eu vi alguma coisa sobre a Pink em uma revista e achei ela muito bacana e o cabelo dela lindo demais...

Pink sendo fodona!


 ...Mas naquela época eu não poderia fazer, meus pais me matariam. 

Faz tempo que sou independente e tal... mas achava que já tinha passado da idade de fazer coisas desse tipo e eu nem gostava mais tanto assim de rosa.
Aí entrei num fase de revolta (adolescência tardia ou síndrome de Peter Pan, como quiserem) e pensei: foda-se, vou pintar meu cabelo e pronto!
E pintei. Na verdade meu cabelo rosa significa muita coisa, mas posso resumir todas elas num foda-se, mesmo! 

Pipoca, a minha bb.


O mais interessante de ter cabelo colorido é como isso chama a atenção das pessoas: todos (adultos- homens, mulheres e crianças me olham). É um olhar de surpresa, as vezes de admiração e por aí vai. E é engraçado como as pessoas gostam de opinar sobre meu cabelo (sem eu pedir, lógico). Geralmente ouço elogios.
O que me deixa intrigada é quando me falam:

 "nossa, você é corajosa em pintar o cabelo de uma cor assim". Gente, é só um cabelo!

"Só uma pessoa de atitude pra ter o cabelo colorido". Confesso que nunca entendi essa coisa de ter atitude. É de comer? Alguém me explica, por favor?!

"Você curte metal?" Essa foi a mais engraçada. Não, eu não curto metal e também é meio óbvio que não sou uma patricinha. Essa é uma boa hora pra perceber que rótulos ficam bacanas em frascos de maionese e não em pessoas. ;)

"Vai ficar com o cabelo assim por quanto tempo?"
Sei lá... um dia de cada vez, sempre!


Um beijo pra quem gostou do meu cabelo. Dois pra quem não curtiu.

domingo, 5 de maio de 2013

Existe escape do falocentrismo dos filmes?

Sempre gostei muito de assistir filmes e de uns tempos pra cá comecei a perceber um "detalhe" bem grande na maioria dos filmes: a passividade feminina. Insignificância feminina, na verdade. E a cada novo filme que eu via, isso ia se confirmando e o incômodo aumentando.

A maioria dos filmes conta histórias de homens. Eles se aventuram pelo mundo, fazem descobertas, matam roubam, etc.... São protagonistas, tem sua história e sua vida. Claro que existem mulheres nesses filmes sobre homens, mas elas estão lá apenas pra dar aquela forcinha para o personagem dele. Estão lá para o filme não virar um monólogo ou só ter conversa masculina.

Aí você me diz: mas existem tantos filmes com personagens principais que são mulheres. Pois é, mas a maioria é comédia romântica e nesse tipo de filme, o homem novamente acaba sendo o centro do filme, já que pra ser feliz, a mulher precisa encontrar um homem (segundo o que prega o patriarcado). Não lembro de comédia romântica que fale sobre amor de lésbicas. E chego a seguinte constatação: vivemos num mundo falocêntrico.

É, falocêntrico! E não, não estou surtando ou com problemas na minha vida sexual. Fui reler alguns textos que tratam sobre isso e que anteriormente eu havia achado 'exagerados', mas agora fazem muito sentido.

Para espanto de alguns, eu não fui a primeira a me irritar com os filmes feitos por homens, sobre homens e para homens. Em meados da década de 80, Allison Bechdel percebeu que poucos eram os filmes que tinham personagens femininas relevantes. Criou então o Bechdel Test que é composto de 3 itens sobre o que um filme precisa ter:

1. Pelo menos duas mulheres com nomes.
2. Que conversam entre si.
3. Sobre coisas que não sejam um homem.

Básico, né?! Mas muito filmes famosos não passam nessa lista, tais como Matrix, Corra Lola Corra, Hobbit, Django (tô de mal, Tarantino!), entre muitos outros. Importante observar que esse teste não avalia se o filme é feminista ou mesmo se é bom ou ruim. Ele apenas avalia o grau de importância das personagens femininas, ou seja: descarta filmes falocêntricos.

Beatrix Kiddo detonando tudo. (Kill Bill).

Durante esse tempo de reflexão, assisti a bons filmes, que passam no Bechdel Test:
Valente (animação), lindíssimo...é um filme feminista, com uma protagonista que quebra todos os estereótipos de mulher e principalmente de princesa. É lindo!
Jogos Vorazes, uma história muito boa, com a protagonista Katniss, uma adolescente destemida, que vence um reallity show mortal. Dizem que a história veio para não deixar desemparados os fãs de Crepúsculo, mas francamente, nem quero comparar Bela à Katniss. Bela é a passividade em pessoa e tem relação com tudo aquilo que eu falei anteriormente sobre falocentrismo.
Xena, a princesa guerreira. Uma série muito legal que narra as aventuras de Xena, uma guerreira que tenta redimir-se de seu passado violento ajudando as pessoas, Xena é acompanhada por Gabrielle, cuja história é contada paralelamente durante o seriado. Estou assistindo novamente esse seriado, é muito bacana!
Kill Bill. Filme lindo de morrer! Uma protagonista loira, bonita, inteligente, que luta muito e sai matando todo mundo que ferrou a vida dela. Por mim, esse filme ganha mil estrelinhas e o Tarantino ganha um beijo.
Viúva Negra dos Vingadores. Eu acompanhei pouca coisa dos quadrinhos, mas assisti o filme e gostei muito. Pena ela ser a única do time (Avengers) que não tem um filme solo. Maldade hein, Marvel?!

Se você conhece outros filmes que passam no teste Bechdel ou, melhor ainda, que tem protagonistas femininas que fogem à receita falocêntrica, escreva um comentário me passando esses nomes, please. A casa agradece!

 Katniss Everdeen, sobrevivendo na floresta. (Jogos Vorazes).





quinta-feira, 14 de março de 2013

Mulheres, vulvas e patriarcado.

É tão difícil se olhar no espelho e amar aquele corpo.
Conheço meus "defeitos", meu corpo não se parece nada com o que a mídia me bombardeia insistentemente.
Outdoors, revistas, jornais, novelas, propagandas e mais propagandas... Até comercial de absorvente tem mulher perfeita: corpo escultural e sorriso no rosto.
Mas eu não me encaixo no padrão. Minhas amigas, todas lindas, também não.
Ah claro, esqueci que as "garotas propagandas" são maquiadas e photoshopadas a exaustão....

Aí eu fico imaginando....
Imaginando um mundo onde as meninas não são censuradas ao tocarem suas vulvas. Meninas aprendendo desde cedo que seu corpo é belo e que elas não precisam esperar o príncipe vir salvá-las da torre. Elas mesmas podem fazer rapel, matar o dragão e fazer o que quiserem de suas vidas. Irem aonde bem entendem.

Imagino um mundo onde nós mulheres amamos nossos corpos - sem vergonha, sem nojinhos. Conhecemos ele muito bem, nos tocamos e sabemos como gostamos de ser acariciadas.
O reflexo no espelho sorri. Satisfeito!

Imagino um mundo onde aprendemos desde cedo a sermos realmente amigas. Aprendemos a não rotular pejorativamente a moça que está de minissaia, a outra que transa com vários caras ou aquela que decidiu continuar virgem.
Sabemos que cada uma faz o que quiser da sua vida e do seu corpo.

Existe algo maior que isso tudo: SORORIDADE.
E num mundo em que a sororidade realmente exista, mulheres que se amam e não enxergam as demais do seu gênero como rivais....não existe espaço para o machismo e o patriarcado. Nós mulheres iriamos lutar juntas, nos impor e exigir igualdade.

Vamos lá, vale a pena! Tente olhar o seu corpo de forma positiva! Olhe para as outras mulheres com carisma, amor... como se fossem suas irmãs.
Um mundo melhor é possível.... depende de cada uma nós!

quinta-feira, 7 de março de 2013

O feminismo não é mais necessário?

‎"O feminismo não é mais necessário, as mulheres já tem os mesmos direitos que os homens, já podem votar e serem votadas, trabalhar, estudar..."

Sério mesmo? Já deu uma olhada na quantidade de estupros que acontecem todos os dias? 

"Ah, mas tem mulher que praticamente pede por isso, usa roupa curta, bebe demais".

E isso dá direito aos homens de abusarem dessas mulheres? Quantas vezes vc já bebeu demais e nem por isso foi abusado, pelo simples fato de ser homem?
Já viu a quantidade de mulheres que são vítimas de violência doméstica? assédio moral/sexual no trabalho?
Já percebeu como as mulheres são julgadas/rotuladas e insultadas por suas roupas, aparência, vida sexual, forma de falar e etc, etc, etc... muito mais que qualquer homem?

É bom refletir sobre tudo isso para perceber que o feminismo é necessário sim. Que as mulheres tem direito e poder sobre o próprio corpo e para fazerem as escolhas que desejarem... como os homens vêm fazendo desde sempre.




segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

As crianças e os "padrões de comportamento".

2012, sala da minha turma de 4 anos - uma tarde qualquer. Algumas meninas estão em frente ao espelho e compartilham o batom que uma delas trouxe de casa. Um menino se aproxima e pede para passar o batom também. Elas dizem que não, que é "coisa de menina".
Como ele insiste, elas vem até onde estou e reclamam: prof., o 'fulano' quer passar o meu batom.
Eu: empresta pra ele, então.
Ela: mas não é coisa de menino, menino só pode usar manteiga de cacau, meu pai disse.
Eu: batom é coisa de quem gosta. Tem meninas que não gostam de usar batom e tem meninos que gostam. O 'fulano' quer passar, empresta pra ele.
Outra menina (amiga da dona do batom): ah, mas se ele passar, vai virar menina! (e dá uma risadinha).
Eu: olha, eu conheço meninos que usam batom e eles continuam meninos.
Meninas (admiradas): é, prof?
Eu: sim, empresta pra ele, vai! :)
Ela empresta e lá vão eles para a frente do espelho. Ele passa o batom e fica fazendo caretas, testando as possibilidades de expressão facial... e continuam as brincadeiras.

Eu fico pensando... como as crianças compreendem fácil as coisas - como já vem de casa com preconceitos, mas aceitam a ruptura de padrões e estereótipos com tanta facilidade.
As crianças são criativas, imaginativas, sonhadoras - aceitam e vivem possibilidades infinitas.
Uma sociedade mais justa, humana e igualitária seria possível logo, em pouco tempo, se não ensinássemos as crianças desde cedo "padrões de comportamento", se não ensinássemos elas a pensar "dentro da caixa".

No meu mundo ideal, as famílias e escolas são parceiras e juntas trabalham para uma educação de qualidade para as suas crianças.
Nesse mundo, os pais e mães (ou outros responsáveis), entendem como é importante que os meninos brinquem de casinha, pois um dia precisarão cuidar de suas casas.
Não criticarão suas filhas/filhos por brincarem de boneca e seu 'bebê' ter duas mães ou dois pais, afinal existem diferentes tipos de família.
Nesse mundo ideal, as professoras contarão histórias de heroínas, aventureiras, e outras mais para que as crianças percebam as múltiplas possibilidades que existem para as meninas/mulheres: elas podem ser o que quiserem, assim como os meninos.

Enfim, no meu mundo ideal, a parceria entre escola e família tem um único objetivo: educar e formar cidadãos que respeitam a diversidade humana, cidadãos solidários, que preservem a natureza e que nunca se esqueçam que somos todos iguais em direitos. Que compreendam que as coisas mais importantes o dinheiro não compra.
Desejo sinceramente que essas crianças amem a si mesmas, seus corpos, que saibam amar aos outros, sem julgar/excluir as pessoas, seja por sua cor, gênero, opção/orientação sexual ou outras especificidades que não fazem mal aos outros.
Que essas crianças possam, de verdade, ser o que quiserem!
Campanha do Equador contra o machismo e "estereótipos de gênero".

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