sexta-feira, 13 de maio de 2011

Por um amor infiel

   Eu quero um amor infiel. Um amor que nunca diminua a ponto de eu conseguir compreendê-lo. Um amor que rasgue as minhas margens, que me coloque contra a parede, que me sangre e que me doa. Eu quero um amor que deboche da sensatez, que ria na cara dos padrões morais, que seja paz e pornografia, que seja leve durante um dia para então, talvez já no dia seguinte, se tornar ferro e agonia. Eu quero um amor livre, um amor cujo único limite seja aquele que o amor mesmo decidir. Que seja um amor por ela ou ele (porque o amor não pode ter medo) ou um amor por três ou quatro (porque o amor não pode ter quantia). Que seja um amor eterno. Que seja o amor de uma vida inteira (porque mesmo a eternidade pode se espremer entre a quinta e a segunda-feira)

   Desautorizo quem quer que seja a formatar o amor. Não aceito barreiras porque o amor é matéria que precisa de espaço para esparramar.

   Desautorizo padres e pastores a colocarem palavras na minha boca: o amor não repete certezas.

   Desautorizo advogados e médicos a se manifestarem sobre ele: o amor não é doença nem lição.

   Desautorizo amigos e parentes a felicitarem alguém por qualquer amor: o amor não é conquista, o amor apenas é e, apenas sendo, o amor é condição.

   Desautorizo psicólogos e jornalistas. Desautorizo empresários e videntes. Desautorizo transeuntes e leitores. Desautorizo quem quer que tente entender o amor. A infidelidade do amor faz com que o amor não respeite qualquer definição.

   Que o amor seja o que corta a pele e o que a cicatriza.

   Que o amor seja tão forte que permita que o outro permaneça maior e mais absurdo do que aquilo que conhecemos dele, porque nós também seremos sempre maiores e mais absurdos do que o que de nós mesmos poderemos vir um dia a conhecer.

   Que o amor não se satisfaça com o que do outro nós gostamos, porque é o que do outro não entendemos que mantém o amor vivo e intenso.

   E, por fim, que o amor nunca se sacie, porque um amor saciado é um amor que não vive, e um amor sem vida é uma vida que se esvazia.



Gregory Haertel


(Obra de Romero Britto).

Hoje de manhã quando peguei o jornal e vi esse poema do Gregory, que é um psiquiatra aqui da minha cidade, tive novamente aquela sensação.....parece que fui eu mesma que escrevi.....ele fala exatamente o que eu quero/sinto/penso....dá até vontade de conhecer ele.....rsrs....
Ah, eu quero um amor.....e queria um amor assim, sem medidas, padrões, conceitos, contratos....um amor, apenas isso....que me fizesse suspirar, me sentir viva....um dia acontece, eu sei....enquanto isso vou vivendo e sendo muito feliz! ;)

6 comentários:

  1. muito bom
    passar por aqui
    e sentir sua cor, seu sabor,
    um modo novo de ver, amar

    beijos,
    do menino-homem

    fique com Deus!

    saudades!

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  2. Katita,
    E quem não quer um amor assim...
    Ainda espero....
    Beijos!

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  3. Rs.....acredita q eu encontrei alguém assim ? Uma química incrível. Um louco...mas ele não chamava de amor , ele dizia q era tesão. Lembrei dele demais.
    Enfim...pela intensidade do q poderia ser, eu fugi. Não sei se ainda em definitivo, mas fugi. Deixa quieto.
    Vou copiar o poema. Lindo !
    beijo

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  4. E como queremos um amor que nunca se sacie e nunca esvazie.

    Será um sonho?

    Beijo

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  5. Oi, Katy. Gostei muito do seu blog e te achei uma pessoa bastante interessante, tem um jeito bem sui generis de pensar e não teme ser julgada ao expressar-se verdadeiramente. Isso é muito raro e bem vindo. Gostaria de conversar contigo. O link do seu MSN está desativado então imagino que você não esteja aceitando novos "contatos". Mas eu vou insistir um pouquinho e tentar obter alguma forma de conversarmos. Se achar que mereço, me contate pelo meu e-mail. Um beijo.

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  6. Olá Marco.
    Obrigada pelos elogios (entendi assim....rsrs...) Eu realmente gosto de escrever
    e expressar o que sinto / penso / quero.... Não escrevo tão bem quanto gostaria, mas a prática leva a "perfeição", como dizem, por isso continuo escrevendo....
    Quanto a você merecer ou não alguma coisa.....rsrs.....nem sei....adiciona no msn que a gente vê no que dá....
    Não encontrei teu e-mail....ativei o meu aqui no blogger....
    Beijos

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Um pouco de você... "se abra", se entregue...sou toda ouvidos e olhos, a seu dispor!

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