domingo, 29 de maio de 2011

Medo...


O medo paralisa. Paralisa o olhar, o pensamento, o corpo....
O medo impede de avançar, de sonhar, amar, viver...
O medo só traz mais medo....

Medo do quê, você me pergunta....
E eu te digo: de não ser feliz, de não encontrar alguém com quem valha realmente ficar....medo de não conseguir realizar meus sonhos...medo de de repente ver que a vida passou e eu não fiz nada significativo. Medo de magoar as pessoas. Medo de me machucar....
É uma lista sem fim de medos....tenho até medo de sentir medo...mas todos os dias, tenho enfrentado esses medos e pensado em coisas boas....a cada dia venço um....
Afinal, na vida, nada é eterno....a inconstância, o efêmero e a surpresa são as constantes do nosso caminho...Aprender viver bem com isso é o que precisamos. Tenho tentado!

sábado, 28 de maio de 2011

Hey teacher! Breves considerações sobre a educação...


Não é nenhuma novidade que a educação no Brasil deixa a desejar há muito tempo. Não é novidade também que os professores estudam muito e ganham pouco.
Nesses dias em que muitos professores de alguns estados têm feito greve reivindicando reconhecimento (que os outros profissionais com o mesmo nível de formação tem), quero falar um pouco sobre o que penso sobre este assunto.

Antes disso, porém, quero dizer (para quem não sabe) que sou professora de Educação Infantil, formada no Magistério em nível médio, cursando o 5º semestre de Pedagogia e pós-graduação em Artes. Sou servidora pública municipal, concursada (ou efetiva estável, como chamam por aqui).

No meu município também estamos em fase de negociação de reajuste salarial com o governo municipal. Nosso salário está defasado em 37% . Nos últimos anos temos recebido apenas o reajuste do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), ou seja: nosso salário continua defasado (desde 1997). Temos plano de carreira, visando incentivar os servidores a estudar, porém os aumentos após concluir uma graduação ou pós graduação (também mestrado e doutorado) são mínimos. Nós professores, com mestrado, vamos ganhar no máximo uns R$ 2.500,00 trabalhando 40 horas semanais. Enquanto outros profissionais ganham muito mais que isso, só com a graduação (médicos, advogados, etc....).

Eu acho incrivelmente ridículo e paradoxo: nós profissionais da educação, que estudamos tanto e conscientizamos nossos alunos sobre a importância de estudar, não temos nossa formação valorizada.
Aí os governantes falam que não têm receita suficiente para nos dar um salário digno. Nos oferecem 6,3% (INPC) de reajuste salarial e pasmem: R$0,50 de "aumento" no vale-alimentação. Parece piada, mas é a nossa realidade, triste realidade, por sinal.
Enquanto poderia dar até 18% de reajuste (dentro da margem prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal), o governo insiste em dizer que não tem como dar um reajuste maior. Mas alguns poucos, tais como os funcionários da câmara, ganharam um reajuste 20 e poucos% e o vale-alimentação deles passa de R$200,00 mensais (enquanto o nosso é de R$160,00). Agora me responda, você consegue almoçar com R$8,50? Pois é...

Então, quando nós professores, fazemos paralisações ou greves, seria bom que a população entendesse (parece que agora estão apoiando) que é a única forma que temos de conseguir ou pelo menos pressionar o governo a tomar alguma atitude. Não gostamos de deixar nossos alunos sem aula, mas acima de tudo, precisamos lutar pela valorização da educação no Brasil. Porque, sem educação, o que somos?


Depoimento de uma professora indignada com a atual situação dos professores no Brasil. (é só clicar na frase!)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Por um amor infiel

   Eu quero um amor infiel. Um amor que nunca diminua a ponto de eu conseguir compreendê-lo. Um amor que rasgue as minhas margens, que me coloque contra a parede, que me sangre e que me doa. Eu quero um amor que deboche da sensatez, que ria na cara dos padrões morais, que seja paz e pornografia, que seja leve durante um dia para então, talvez já no dia seguinte, se tornar ferro e agonia. Eu quero um amor livre, um amor cujo único limite seja aquele que o amor mesmo decidir. Que seja um amor por ela ou ele (porque o amor não pode ter medo) ou um amor por três ou quatro (porque o amor não pode ter quantia). Que seja um amor eterno. Que seja o amor de uma vida inteira (porque mesmo a eternidade pode se espremer entre a quinta e a segunda-feira)

   Desautorizo quem quer que seja a formatar o amor. Não aceito barreiras porque o amor é matéria que precisa de espaço para esparramar.

   Desautorizo padres e pastores a colocarem palavras na minha boca: o amor não repete certezas.

   Desautorizo advogados e médicos a se manifestarem sobre ele: o amor não é doença nem lição.

   Desautorizo amigos e parentes a felicitarem alguém por qualquer amor: o amor não é conquista, o amor apenas é e, apenas sendo, o amor é condição.

   Desautorizo psicólogos e jornalistas. Desautorizo empresários e videntes. Desautorizo transeuntes e leitores. Desautorizo quem quer que tente entender o amor. A infidelidade do amor faz com que o amor não respeite qualquer definição.

   Que o amor seja o que corta a pele e o que a cicatriza.

   Que o amor seja tão forte que permita que o outro permaneça maior e mais absurdo do que aquilo que conhecemos dele, porque nós também seremos sempre maiores e mais absurdos do que o que de nós mesmos poderemos vir um dia a conhecer.

   Que o amor não se satisfaça com o que do outro nós gostamos, porque é o que do outro não entendemos que mantém o amor vivo e intenso.

   E, por fim, que o amor nunca se sacie, porque um amor saciado é um amor que não vive, e um amor sem vida é uma vida que se esvazia.



Gregory Haertel


(Obra de Romero Britto).

Hoje de manhã quando peguei o jornal e vi esse poema do Gregory, que é um psiquiatra aqui da minha cidade, tive novamente aquela sensação.....parece que fui eu mesma que escrevi.....ele fala exatamente o que eu quero/sinto/penso....dá até vontade de conhecer ele.....rsrs....
Ah, eu quero um amor.....e queria um amor assim, sem medidas, padrões, conceitos, contratos....um amor, apenas isso....que me fizesse suspirar, me sentir viva....um dia acontece, eu sei....enquanto isso vou vivendo e sendo muito feliz! ;)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Insistência


"Estou sozinho e nunca aprendi a estar sozinho, estou sozinho. 
Sinto falta de palavras. Estou sozinho. Estou sozinho. Sinto falta de uns olhos onde possa imaginar. 
Estou sozinho. Sinto falta de mim em mim."

José Luís Peixoto 
do livro 
Portuguesia Contemporânea.



   Ao ler o poema acima, novamente tive a certeza de que as emoções humanas são iguais em sua essência....
   Eu estou sozinha, me sinto sozinha.....preciso estar sozinha, preciso aprender a conviver comigo mesma, a bastar-me em alguns sentidos, a ter serenidade, confiança e convicção em algumas coisas....
   Estou sozinha, sinto falta de muitas coisas...de mim em muitas formas, atitudes, palavras...Mas sei que vou me adaptar...vou me acostumar....vou sobreviver....vou ser feliz....Por enquanto dói, mas logo passa...a poesia, a melancolia e a teimosia....essas ficam, sempre! (rsrs....)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

À estes seres maravilhosos.....

Adota aí, vai!
(...porque não consigo segurar todos....rsrs...)


Ode ao gato.

   "Bichos polêmicos sem o querer, sábios mais inquietantes, talvez por isso, nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece. O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência.

   O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Só as saudáveis. Lembrei, então, de dizer, dos gatos, o que a observação de alguns anos me deu. Quem sabe, talvez, ocorra o milagre de iluminar um coração a eles fechado? Quem sabe, entendendo-os melhor, estabelece-se um grau de compreensão, uma possibilidade de luz e vida onde há ódio e temor? Quem sabe São Francisco de Assis não está por trás do Mago Merlin, soprando-me o artigo?

   Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive à custa dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança a valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula. Gato não. Ele só aceita uma relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele depende, é chamado de arrogante, egoísta, safado, espertalhão ou falso. "Falso" porque não aceita a nossa falsidade com ele e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e ele o dá se quiser.
   O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio, é espelho. O gato é zen. O gato é Tao. Ele conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer. Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se. Não pede amor, mas se lhe dá, então ele exige. Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano, mas se comporta como um lorde inglês.

  Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago.

A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.

 O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode, ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós. Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele" não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
  O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluídos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é medium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado.

   O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas. O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção.
   Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato! Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo.
   O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, o qual ama e preserva como a um templo. Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones. Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências.
  O gato é uma chance de interiorização e sabedoria, posta pelo mistério à disposição do homem."
Arthur da Távola.


Ah, os gatos....esses seres maravilhosos...com eles pode-se aprender muito, basta observá-los com atenção....e que vida boa eles tem!!!
As fotos são dos meus dois meninos...que me fazem companhia em momentos alegres e tristes!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A vida.....

Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso.
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Estou tão tranqüilo e tão contente!

Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria.
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém?!...

Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído,
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira.
Mas não sou mais
tão criança a ponto de saber tudo.

Quase sem querer. 
( Legião Urbana.)


A vida é assim, cheia de incertezas....importante é nunca desistir dos sonhos que se tem....

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