domingo, 4 de setembro de 2016

Vão aos senhores

Poema para refletirmos sobre nosso sistema econômico e político.
Sempre que o nosso casaco se rasga
vocês vêm correndo dizer: assim não pode ser;
isso vai acabar, custe o que custar!
Cheios de fé vão aos senhores
enquanto nós, cheios de frio, aguardamos.
E ao voltar, sempre triunfantes,
nos mostram o que por nós conquistam:
Um pequeno remendo.
Ótimo, eis o remendo.
Mas onde está
o nosso casaco?
Sempre que nós gritamos de fome
vocês vêm correndo dizer: Isso não vai continuar,
é preciso ajudá-los, custe o que custar!
E cheios de ardor vão aos senhores
enquanto nós, com ardor no estômago, esperamos.
E ao voltar, sempre triunfantes,
exibem a grande conquista:
um pedacinho de pão.
Que bom, este é o pedaço de pão,
mas onde está
o pão?
Não precisamos só do remendo,
precisamos o casaco inteiro.
Não precisamos de pedaços de pão,
precisamos de pão verdadeiro.
Não precisamos só do emprego,
toda a fábrica precisamos.
E mais o carvão.
E mais as minas.
O povo no poder.
É disso que precisamos.
Que tem vocês
a nos dar?
Canção do Remendo e do Casaco - Bertolt Bretch

domingo, 12 de junho de 2016

Funk: conhecer para valorizar

Reuni alguns textos e vídeos para que possamos conhecer melhor o funk e olharmos para esse gênero musical sem preconceitos. Vem comigo? =D
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"Uma breve análise de sua curta existência no Brasil mostra dois aspectos importantes. Primeiro, o funk evidencia como a juventude negra e favelada reinventa-se criativamente com os escassos recursos disponíveis, subvertendo, muitas vezes, as representações que insistem em situá-la como baixa e perigosa. Além disso, a crítica ao funk escancara a maneira pela qual a sociedade brasileira renova seu racismo e preconceito de classe camuflados pelo retórica ocidental do 'bom gosto estético.'”  
Cidade do Funk: expressões da diáspora negra nas favelas cariocas: http://goo.gl/aLNJSW
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"As manifestações culturais afrobrasileiras na nossa história sempre receberam um olhar criminalizante, como já foi com a capoeira e com o samba”, lembra Vera Malaguti Batista, professora de criminologia da UERJ e secretária geral do Instituto Carioca de Criminologia. “Já é tradição olhar as expressões culturais dos pobres, principalmente dos afrobrasileiros, com esse olhar." 
Sem crítica social, funk de ostentação cai no gosto da classe média: http://goo.gl/OvyhQ2
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"Sob a bandeira da rejeição à precariedade musical de alguns funks, esconde-se a recusa em encarar e compreender as camadas sociais que os produzem."  
A luta do funk contra o preconceito: http://goo.gl/68ETK0
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"Um olhar desatento à variedade que caracteriza o funk pode gerar a falsa impressão da exclusividade de letras de cunho erótico. O que não passa de um posicionamento reducionista." 
O funk 
na escola: uma proposta livre de preconceitos para analisar 
e vivenciar suas diversas narrativas e modos de dança. http://goo.gl/fzfh5J
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"[...] o surgimento do funk ostentação coincide com um aumento do acesso ao crédito pelas camadas populares brasileiras. Bens materiais antes exclusivos das classes mais abastadas passam a fazer parte do imaginário de periferia. A exibição de carros de luxo, objetos em ouro, roupas e outros pode ser considerada uma metáfora da ascensão social e de um prestígio que extrapola os limites do subúrbio.
Diferentemente de outros subgêneros do funk, que por vezes tratam de temas cotidianos da periferia, esta vertente não versa sobre violência e tráfico de drogas, por exemplo. Isso o torna de mais fácil aceitação, do ponto de vista mercadológico. Assim, o funk ostentação, encampado pelas grandes gravadoras, ganha espaço nos meios de comunicação de massa, onde o sucesso de seus intérpretes é apresentado como fonte de inspiração para os jovens que cresceram em circunstâncias semelhantes." 
Funk ostentação:consumo e identidade dos jovens da periferia. http://goo.gl/lyd75Q
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Funk como movimento cultural e social: http://www.erh2014.pr.anpuh.org/anais/2014/365.pdf
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Projeto de Lei nº4124, de 2008. Define o funk como forma de manifestação cultural e dá outras providências: http://goo.gl/VEHtP2 (esse PL traz uma contextualização histórico-social do funk, é bem interessante).
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"Na música, tudo é definido mais ou menos como artístico e as diferenciações se relacionam mais com questões de classe social do que com características do próprio objeto. Embora a ideia da música artística tenha se estendido bastante ao longo do século XX, os velhos conteúdos de classe se revestiram com algumas noções vagas de complexidade como valor." Funk carioca para pessoas com gosto refinado: critérios de avaliação e hibridismos em torno do gênero musical no youtube: http://goo.gl/QHMBMI
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Uns funks bacanosos:
https://www.youtube.com/watch?v=pbo66RaCjCg
https://www.youtube.com/watch?v=Hfkkeo-Vmc8
https://www.youtube.com/watch?v=mDhR8ZLjhB8
https://www.youtube.com/watch?v=qr7cg_1U_10
https://www.youtube.com/watch?v=t9JG1Ckwy5s
https://www.youtube.com/watch?v=W5FO0buG_eo
https://www.youtube.com/watch?v=6gqH9OIm05E
https://www.youtube.com/watch?v=k3Xd-DjG_Bk
https://www.youtube.com/watch?v=jgsel3FZ0v0
https://www.youtube.com/watch?v=QvdrLD1RbTI

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Temas Transversais: cidadania e direitos humanos.


Artigo I
Todas as pessoas nascem livres em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação às outras com espírito de fraternidade. (Declaração Universal dos Direitos Humanos).


A Declaração Universal dos Direitos Humanos proclamada pela ONU em 1948 declara que “todas as pessoas nascem livres em dignidade e direitos”, esses princípios são fundamentais para os direitos humanos.
A palavra liberdade pressupõe autonomia e independência, enquanto igualdade busca delimitar a autonomia no sentido de que a liberdade de um não ofenda ou usurpe a dignidade do outro. Esses pressupostos são essenciais na criação de leis e direitos dos cidadãos.
No mundo capitalista atual, a desigualdade social tem se mostrado cada vez mais perversa: uma minoria concentra grande parte da riqueza mundial enquanto muitos morrem de fome e a classe trabalhadora sobrevive com a exploração de sua mão de obra pelos grandes empresários.
Pessoas negras, homossexuais, mulheres, pessoas portadoras de deficiências, entre outras, são historicamente marginalizadas socialmente. Em outros séculos essas pessoas foram consideradas aberrações, seres bestiais e outras figuras desumanizadas; sofrendo humilhação, perseguição, tortura e morte. Apesar dessas atitudes cruéis serem parte do passado, os descendentes daqueles que foram brutalmente oprimidos ainda vivem a dor e o estigma social imposto por aqueles que não suportam o diferente.
Dessa forma, as leis que estabelecem os direitos humanos e as políticas sociais são extremamente importantes para que essas “minorias” possam superar os séculos de opressão e exclusão social vivenciados e em algum momento usufruírem de todos os direitos que lhe são assegurados.
O processo de redução das desigualdades sociais é gradativo e não recebe engajamento significativo de grande parte da sociedade e do poder público. Das classes abastadas por medo de perderem seus privilégios, do Estado por ser representado e financiado pelos grandes empresários e por isso governa para estes, e por fim, da classe trabalhadora, que luta bravamente para sobreviver, tendo sua energia exaurida na exploração que fazem de sua mão de obra e por isso (dentre outros motivos) não encontra tempo ou força para lutar por seus direitos.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Quem paga a conta do Brasil?

     Quem paga a conta do Brasil? Quem movimenta a economia? Quem faz o país funcionar?
Não, não são as pessoas ricas, são os trabalhadores. Os trabalhadores dão sua mão de obra para manter uma minoria rica, enquanto nos fazem acreditar que vagabundo é quem recebe a imensa quantia de R$250,00 do Bolsa-Família.
     Precisamos parar de nos indignarmos com pessoas em situação de vulnerabilidade social que recebem um benefício mínimo para poderem viver. Se você é contra o Bolsa-Família, você é a favor de que as pessoas passem fome e esse tipo de pensamento é um problema. Ninguém escolhe viver na miséria, passar fome, não ter um local seguro para morar. Ou você escolheria? O que realmente precisamos é parar de odiar as pessoas pobres porque a ajuda que o Estado dá a elas é mínima e insuficiente.
     Precisamos olhar para o outro lado, para os detentores de grandes fortunas, que enriqueceram explorando o trabalho de pessoas pobres. São eles, os ricos, que nós estamos carregando nas costas. 

"Hoje, grande parte do que os empresários ricos ganham não é tributada. Um trabalhador com salário de 8.000 reais paga um imposto de renda de 27,5%. Já um dono de uma grande empresa que fatura mais de 500 mil reais a título de lucros e dividendos pode não pagar nada como pessoa física", explica Orair, que ressalta que o Brasil é um dos poucos países que ainda isentam esse imposto."

E se os mais ricos ajudassem a pagar o rombo nas contas públicas?


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Ainda sobre depressão

Eu estou com depressão há algum tempo já. Faço tratamento psiquiátrico há um ano, e há um mês retornei à psicanálise porque finalmente percebi que os remédios só tratam os sintomas e não a doença em si.
É preciso ir às raízes do problema pra poder consertar tudo e mesmo eu sendo "radical" em muita coisa, demorei para perceber que precisava fazer isso. Especialmente porque sou privilegiada: sou branca, classe média, pós-graduada, tenho meu apto, moro com 4 gatos lindos, tenho uma relação amorosa saudável e gosto muito do meu trabalho.
Um parágrafo especial para falar das amigas que me apoiaram e continuam me apoiando: eu perdi algumas amigas nesse período, mas tenho um carinho enorme por essas que permanecem ao meu lado mesmo nas dificuldades, sem o apoio delas eu com certeza não estaria mais aqui.
Enfim, por ser privilegiada não me importei muito com o diagnóstico de depressão. Era só tomar os remédios e a vontade de acabar com a minha vida passava. Eu continuava vivendo meio dopada, meio sem sentir muita coisa, mas continuava ali viva. Tanta gente tem a vida bem pior que a minha, me sentia ridícula em dizer que estava "sofrendo".
Nesse um ano em que fui diagnosticada com depressão tive muitos altos e baixos extremos mesmo. Me afundei em comida, cigarro e séries para não pensar muito na minha vida, para não sentir. Minha casa refletia o caos que estava minha vida: imunda e muito bagunçada. O ano passou e no segundo semestre a psiquiatra falou que em novembro eu poderia começar o processo de parar de tomar os remédios. Eu achava que estava bem, que iria conseguir ficar sem.
De repente acordei no fundo do fundo do poço, desejando mais do que nunca a morte e pensando fixamente em formas de fazer isso. Foi aí que entendi que não tinha melhorado nada, que eu realmente estava mal e precisava de ajuda profissional. Não só psiquiátrica(que eu já estava tendo), mas terapêutica, pra tratar das minhas questões mesmo.
E assim tenho feito. Toda semana vou lá e penso alto com a psicanalista. Ela pontua situações, eu choro, eu falo. Choro e falo ao mesmo tempo. E aos poucos tenho me sentido mais leve. Estou sentindo que as coisas estão se acalmando dentro de mim, que consigo resolver esse quebra-cabeça e aos poucos vou me curando, me tornando uma pessoa emocionalmente saudável.
Aos que leram até aqui, obrigada. É importante para mim compartilhar isso com vocês. E um muito obrigada as pessoas amigas que me apoiam da melhor maneira que podem. E agradeço também as pessoas em geral que apoiam pessoas com depressão, que compreendem que isso não é frescura ou falta de força de vontade, como eu erroneamente achava que era. Vamos lidando com uma situação de cada vez e sobrevivendo a mais um dia, o que nesse momento já é grande coisa.

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